Preocupação com o preço vai condicionar mais os consumidores em 2011

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Cerca de 75 por cento dos consumidores assume que passou a adoptar padrões de consumo mais racionais e moderados, tendo-se tornado sensíveis ao preço e valorizam mais os produtos que compram. As conclusões são avançadas por um estudo da Omnicom Media Group, desenvolvido em parceria com a The Future Foundation, e que teve como “objectivo traçar as tendências em termos de padrões de consumo e como é que eles se vão alterar em 2011”, tal como explicou ao Briefing Ana Mendes, da OMG.

“A ideia essencial [que se retira do estudo “Eleven Global Trends for 2011] assenta na lógica de que haverá para o futuro – e também decorrente deste período de recessão económica que atingiu genericamente todos os países – uma maior sensibilidade em relação ao preço, por parte dos consumidores. E este facto acaba por condicionar todo o comportamento dos consumidores, que passam a ter um consumo mais racional, mais moderado. O que também só é possivel porque estamos a falar de um consumidor que é cada vez mais exigente, mais atento e que tem acesso a mais informação e quer valorizar mais o seu dinheiro, quer entrar numa lógica de compra inteligente”, adianta a responsável reforçando que o perfil dos consumidores também está a mudar.

“Temos um consumidor que tem um papel muito participativo, é ele que constrói a sua realidade”, afirma Ana Mendes reforçando a ideia de que, com efeito, “os consumidores estão dispostos a gastar mais tempo para maximizar o valor do seu dinheiro, adoptando estratégias inteligentes: obtêm informação, pedem conselhos e fazem comparações para chegar à melhor solução”, tal como conclui o estudo.

Entre as tendências de consumo para 2011, o relatório aponta as formas alternativas de compra. Embora a compra colectiva online ainda não esteja totalmente dentro dos padrões de comportamento dos Europeus, o número está, no entanto, a subir e, no Reino Unido, 70 por cento dos inquiridos já adoptou, alguma vez, estratégias de compra colectiva.

No que se refere às lojas, os consumidores sentem-se mais atraídos por espaços que promovam a conveniência e o entretenimento ou, então, o status e a diferenciação. Na sequência desta tendência há ainda uma outra: o upgrade de serviços e ofertas que valorizam o consumidor, tornando-o único e especial.

O consumidor “verde” é também uma realidade crescente, mas condicionada por uma menor disposição para gastar mais dinheiro. A ideia de ter um agravamento de 10 por cento no custo de produtos “amigos do ambiente” só tem aceitação por parte de uma minoria: 25 por cento, no caso dos brasileiros, 11 por cento dos italianos, 6 por cento dos espanhóis e 9 por cento dos americanos, embora revelem percentagens muito mais elevadas de preocupações ambientais, quase todos acima dos 60 por cento.

A importância da rede familiar assume maior protagonismo, em parte decorrente da mudança na estrutura demográfica, mas também devido ao aumento da esperança média de vida. Em países como a China e a Índia, 47 por cento dos inquiridos reconhece o peso das recomendações e conselhos de familiares nos seus consumos.

Na Europa, os valores não são tão expressivos, mas, ainda assim, 30 por cento dos dinamarqueses, 29 por cento dos espanhóis, 23 por cento dos italianos e 19 por cento dos franceses assumem a influência exercida pelo núcleo familiar nas decisões de compra.

A interactividade dos jogos, as redes sociais e a mobilidade são também fortes tendências. Os jogos são uma indústria valiosa que está ligada à interacção social online. Na Europa, jogar é cada vez mais transgeracional, sendo que 62 por cento dos jovens espanhóis, entre os 16 e os 24 anos, afirmam jogar, pelo menos, uma vez por semana, enquanto 59 por cento dos indivíduos, entre os 25 e os 39 anos, fazem-no com a mesma frequência. A faixa etária acima dos 40 anos afirma também fazê-lo semanalmente (cerca de 40 por cento dos inquiridos).

Uma outra tendência, mas apenas de alguns mercados, será uma recuperação de optimismo, sobretudo em economias emergentes como o Brasil, a China ou a Índia. De acordo com este estudo, 53 por cento dos brasileiros admitem que o Brasil se tornará um poderoso player internacional, enquanto cerca de 24 por cento afirmam esse facto como uma realidade presente.

Encontradas as tendência, Ana Mendes, explica que a partir daqui o desafio para as marcas “passa pela capacidade que elas têm para se diferenciar” e para se “adaptarem a esta nova realidade”.

Fonte: Briefing

Quinta-feira, 09 Junho 2011 14:35


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