As conclusões são avançadas pelo Observador Cetelem, e apontam que serviços complementares como a entrega ao domicílio, a instalação, a assistência pós-venda já não são argumentos que levem os portugueses a aumentar a despesa nas compras que consideram importantes. Esta tendência é maior nos jovens quando se trata da aquisição de roupa, sapatos ou outros acessórios: 17% contra uma média europeia de 41%.
Os Europeus, principalmente acima dos 50 anos, valorizam muito a entrega e instalação ao domicílio quando se trata da aquisição de produtos de categorias demasiado complexas tecnicamente, como os equipamentos high-tech ou o mobiliário. Portugal não é excepção à regra: são os consumidores mais velhos que mais valorizam os serviços associados à venda, apesar de ser o país onde, globalmente, os consumidores estão menos dispostos a pagar mais pelos serviços.
A percentagem de jovens (indivíduos com menos de 30 anos) dispostos a pagar mais por serviços suplementares (arranjos, entregas ou instalação ao domicilio…) na compra de artigos de equipamento de casa chega aos 41% (contra uma média europeia de 60%) e na compra de produtos high-tech aos 38% (contra uma média europeia de 52%). Já nas compras relacionadas com desporto, lazer e viagens, 67% dos portugueses não estão dispostos a adquirir um produto por um valor mais elevado só porque irá usufruir de serviços adicionais.
O preço é o factor mais disputado entre as diferentes marcas e produtos para seduzir o consumidor, mas segundo este estudo, já não é o único critério de exigência do consumidor europeu. No entanto, em Portugal o preço ainda é o critério mais importante. Em vários países europeus os serviços associados à compra são um factor a ter em consideração no acto de aquisição, mas em Portugal, são as promoções que mais atraem os consumidores, chegando aos 65% entre os jovens e aos 61% entre os indivíduos com mais de 50 anos.
De acordo com Conceição Caldeira Silva, responsável pelo Observador Cetelem em Portugal, “as exigências dos consumidores nunca pareceram tão desorientadas. A abundância da oferta nunca foi tão grande como agora, quer em termos de canais de distribuição, quer de produtos e de marcas disponíveis. Nos mercados a própria noção de preço perdeu todo o sentido – o valor de um mesmo produto pode flutuar em função do dia, do distribuidor ou da marca. A situação económica que o nosso País atravessa afectou gravemente a carteira dos consumidores, que se tornaram particularmente vigilantes quanto às suas compras e desejosos de pagar um preço justo”, completa.
As análises e previsões do Observador Cetelem foram efectuadas em Dezembro de 2010, em colaboração com o gabinete de estudos e de consultadoria BIPE. As sondagens aos consumidores foram realizadas com base num inquérito barométrico, realizado através da Internet e aplicado, também, por amostras representativas das populações nacionais (maiores de 18 anos) de treze países: Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Hungria, Itália, Polónia, Portugal, República Checa, Roménia, Reino Unido, Rússia e Eslováquia. No total foram inquiridos mais de 8.700 europeus, com amostras de pelo menos 500 indivíduos por país.
Fonte: Observador Cetelem

