Colunista do FT surpreendido com reação dos portugueses à ideia de anexação pelo Brasil

O colunista do Financial Times Edward Hadas já esperava alguma reação negativa ao texto onde sugeriu que Portugal fosse anexado pelo Brasil, mas ficou surpreendido com o volume de comentários.

“Foram mais do que esperava”, confessou hoje à agência Lusa, satisfeito por ter tocado um “ponto sensível”, sobretudo nos portugueses.

Na coluna LEX que escreveu a 25 de março, o editor adjunto avançou com uma ideia “criativa” para Portugal lidar com a situação económica, política e financeira.

A anexação pelo Brasil, argumentava Edward Hadas, significaria uma perda de prestígio, mas resolveria o problema do défice e passaria a fazer parte de uma grande potência económica.

Intitulado “Portugal e Brasil: papel inverso”, foi publicado dois dias depois da demissão do primeiro-ministro, José Sócrates, por o programa de austeridade proposto pelo Governo ter sido recusado.

O texto foi reproduzido, citado e comentado na imprensa, redes sociais e blogues na Internet e levou o FT a fazer um vídeo dias sobre a questão poucos dias depois.

“Do lado dos portugueses a resposta foi unânime em dizer que era uma ideia terrível e a maioria dos brasileiros também se manifestou contra”, disse Hadas, que usou programas informáticos para traduzir as reações feitas em português.

No vídeo, o jornalista norte americano explicou que o tom do texto era para ser visto como irónico e não como ofensivo.

A ideia, explicou à Lusa, era de certa forma mostrar que, “se é difícil estar do lado da União Europeia, como seria estar do lado dos BRIC”, o grupo composto pelo Brasil, Rússia, Índia e China que apresentam dos melhores índices de crescimento económico, mas que também têm problemas.

Hadas acredita que a UE terá meios para ajudar Portugal a ultrapassar as suas dificuldades, mas uma união com o Brasil teria de ultrapassar o “patriotismo” dos portugueses.

A ideia de o país ser anexado pelo Brasil “é uma questão de quando a lógica económica faz sentido, mas politicamente não”, vincou.

Visto que a crise política e financeira em Portugal está longe de estar resolvida, o colunista do FT não exclui voltar ao assunto em breve.

BM

Lusa/fim

Segunda-feira, 04 Abril 2011 16:30


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