#ALenteDe Paulo Grade foca a realização

Voltou à faculdade para tirar Cinema, TV e Multimédia e escolheu especializar-se em realização. Paulo Grade acredita que um bom realizador tem de ser um bom ouvinte e afirma que esta profissão é tudo o que quer ser, considerando-a “um privilégio”. Sendo assim, não pensa mudar e é na Jungle (Corner) que realiza (ou idealiza) a sua vida.

Paulo Grade

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A realização não foi a sua primeira escolha, mas talvez seja a última. Em 2009, volta a entrar na faculdade para estudar Cinema, TV e Multimédia e foi esse o curso que lhe deu a privilégio de escrever e realizar curtas metragens e de ser realizador no “mundo fascinante” dos reality shows.

Em 2014, decide escrever e levar a concurso uma ideia para um programa de televisão que se chamava “Onde está o tesouro”; a ideia foi aceite pela RTP e deu origem a uma série de 16 episódios.

A publicidade entra na sua vida através da produtora Jungle Corner, onde é atualmente realizador. Antes de o ser, esteve ligado a outra atividade profissional e foi aí que nasceu a vontade de entrar no mundo da realização. “Cheguei a um ponto em que tive de arriscar e fazer algo que realmente me inquietava e até aí dominava os meus pensamentos”, assume.

Caracteriza-se como um profissional que dá “extrema importância” ao casting e que faz questão de acompanhar tudo desde o momento zero. Acredita que, para ser um bom realizador, é preciso ser um bom ouvinte, bem como entender a ciência da fotografia e o mecanismo que faz as pessoas ficarem agarradas a uma imagem.

Acredita, ainda, que um realizador não se deve deixar contaminar por dois elementos que podem ser tóxicos: o ego e o preconceito, que, ao atuarem em conjunto, criam bloqueios. Bloqueio à inovação e, além disso, bloqueio em aceitar novas ideias e opiniões que podem ser uma mais-valia.

“Todos os trabalhos são especiais”, afirma o realizador, acrescentando que mesmo aqueles que parecem ser simples são pontos de aprendizagem e sempre úteis em projetos futuros.

Destaca a trilogia de filmes que realizou para a ESC Online, na Jungle Corner, como o projeto que mais gozo lhe deu fazer. Conta que eram filmes visualmente muito fortes e que, tecnicamente, exigiram um espírito de colaboração enorme para que o resultado final fosse o desejado.

“Colaborar, ouvir, respeitar e dar valor a toda a equipa, desde a pessoa que traz o gerador, até ao diretor de fotografia”: aquilo que, na sua ótica, o distingue enquanto profissional.

Perante a pergunta “O que lhe falta fazer a nível profissional?”, comenta que, para quem estudou cinema, como é o seu caso, é inevitável que a resposta seja vir a realizar uma longa metragem. “Gostava de o fazer com base num guião original que fosse escrito por mim, e tendo em conta todas as minhas vivências. Espero que consigam despoletar a minha imaginação para escrever algo que mereça ser retratado em filme”, remata.

Catarina Simões Farinha

Sexta-feira, 21 Abril 2023 12:19


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