#NaoFechemOsOlhos: O movimento criado pela Funnyhow e Omertà para salvar a Visão

Como é que se salva uma revista quando o próprio setor está sob ameaça? Para as agências Funnyhow e Omertà, a resposta não passou pelo caminho tradicional, mas por um despertar de consciência coletiva com um impacto real: 245 mil euros angariados em menos de duas semanas, com zero investimento em compra de media.

Todo o processo foi colaborativo. Sentaram-se numa sala as agências e os jornalistas, compreendendo que deveriam transformar a luta da redação num movimento nacional. Surge então o conceito #NãoFechemOsOlhos e o MIL – Movimento pela Imprensa Livre, uma estratégia que, mais do que angariar fundos, conseguiu abrir os olhos do país através de um fenómeno de PR e solidariedade orgânica.

Um gesto para abrir os olhos do mundo e um movimento de influência

O conceito baseou-se num simbolismo poderoso e numa reação em cadeia: pediu-se aos 12 jornalistas da redação que fechassem os olhos numa imagem que gerou uma reação em cadeia imediata, sendo replicado de forma massiva por dezenas de figuras públicas e cidadãos, como Pilar del Rio, Gregório Duvivier, Pedro Abrunhosa, Jorge Palma, Carlão, Madalena Sá, Fernandes, Duarte Pacheco, Francisco Louçã,  Maria Castello Branco, Júlio Machado Vaz e outros nomes do panorama político e sociocultural do país. Ao fecharem os olhos em solidariedade, estas pessoas geraram um retorno espontâneo em visibilidade que substituiu qualquer campanha paga, transformando o impacto visual em doações concretas.

“Para que o país visse o que está a acontecer na VISÃO, propusemos um paradoxo: pedimos a todos que fechassem os olhos. Fechámos estes 12 pares de olhos da redação por um momento, para que milhares de outros se abrissem. Foi esta ligação emocional que transformou um crowdfunding numa causa nacional”, explica Eliná Enrique, Head of PR da Omertà.

A VISÃO como símbolo de resistência

A campanha conseguiu o que parecia difícil: transformar a VISÃO num símbolo que transcende o próprio título. O impacto desta estratégia reflete-se no atual momento, onde os 200 mil euros angariados dão à redação a ajuda financeira mínima necessária para apresentar uma proposta formal de compra no próximo leilão. Esta mobilização, que levou dezenas de figuras públicas e milhares de cidadãos a replicarem o gesto de fechar os olhos, validou a VISÃO como um projeto que pertence aos seus leitores. Ao mesmo tempo, a união de diferentes profissionais do setor e jornalistas de meios concorrentes em torno deste simbolismo reforçou a premissa de que a luta da VISÃO é, na verdade, a luta de toda a imprensa livre.

O próximo desafio

Embora tenha alcançado o valor mínimo, a luta ainda continua. A campanha #NãoFechemOsOlhos precisa de ganhar força para garantir prioridade na compra e impedir que uma revista com décadas de história acabe nas mãos erradas, garantindo que possa ser gerida exclusivamente por quem a escreve.

Esta é uma luta pela defesa da democracia e pelo direito à informação de qualidade, apartidária, à qual todos os cidadãos deveriam ter acesso.

Sexta-feira, 30 Janeiro 2026 09:37


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