Num mundo onde transformação, digitalização e ESG ditam a agenda, muitas organizações ainda tratam a comunicação interna como um elemento “secundário”. Ignorar o envolvimento e a experiência dos colaboradores deixa a cultura interna vulnerável e limita o impacto real de qualquer estratégia implementada. Hoje, a comunicação interna é o verdadeiro motor que liga estratégia, valores e desempenho.
A cultura organizacional não é abstrata. É viva, respira com as pessoas e cresce com elas! Num contexto de mudança veloz, a comunicação interna torna-se crucial para tornar essa mesma cultura tangível e vivida por todos.
O Observatório de Comunicação Interna e Identidade Corporativa (OCI), que está a celebrar 15 anos, criado pela ATREVIA em parceria com a Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, acompanha, identifica e reconhece as tendências e melhores práticas desenvolvidas em Portugal, reunindo projetos de empresas nacionais e multinacionais, e destacando trabalhos académicos inovadores.
O que nos ensinam? Entre os projetos distinguidos, encontramos iniciativas que mostram o impacto de uma cultura coesa, desde campanhas internas que transformam aniversários corporativos em momentos de storytelling coletivo, eventos que reforçam identidade e sentido de pertença, estratégias que comunicam mudanças de forma integrada, até ao desenvolvimento de plataformas digitais que envolvem colaboradores em projetos ESG e de responsabilidade social.
Os trabalhos académicos premiados mostram ainda como o conteúdo criado pelos próprios colaboradores aumenta o sentido de pertença, ou como estratégias adaptadas ao teletrabalho fortalecem a cultura, mesmo em contextos híbridos.
A comunicação interna bem-sucedida vai além da disseminação de informação. É a arte de criar laços, de dar sentido e de transformar equipas em comunidades. As iniciativas que combinam storytelling, formatos digitais inovadores e eventos presenciais consolidam objetivos estratégicos e reforçam laços entre pessoas. Os projetos focados em transformação e impacto social revelam que as organizações mais avançadas dão prioridade ao fortalecimento, de dentro para fora.
Quando todos os colaboradores compreendem os valores da organização e se sentem parte ativa da sua construção, o engagement cresce, a retenção de talento é reforçada e a organização torna-se mais resiliente face a mudanças e desafios. A confiança construída internamente reflete-se externamente, fortalecendo a marca e tornando-a mais apelativa para o talento qualificado disponível.
Cultura e comunicação são indissociáveis: a primeira define quem somos, a segunda garante que todos a percebem e vivem. As organizações fortes não se medem apenas pelos resultados financeiros, mas pelo que o seu talento partilha e defende, pelo que sabem. É aí que a cultura e a comunicação se encontram: discretas, mas decisivas.
Em última análise, a comunicação interna demonstra sempre ser a força que mantém os colaboradores alinhados e constrói culturas sólidas. Quem investe estrategicamente nesta dinâmica garante que a organização prospera num mundo em que o hoje já não é igual ao amanhã. E, no fundo, o que faz a diferença é simples: sentir que fazemos parte de algo maior e que esse lugar também nos pertence.
Daniela Agra, presidente da ATREVIA Portugal e membro do Conselho Fundador do Observatório de Comunicação Interna

