O primeiro dia da 8.ª edição do Building The Future, organizado pela imatch, reuniu no Pavilhão Carlos Lopes líderes empresariais, decisores políticos e figuras internacionais para debater o impacto da Inteligência Artificial (IA) na economia e na sociedade. O evento, que registou mais de 2000 pessoas no local e 3500 utilizadores ativos na plataforma digital, serviu de palco para afirmar que a tecnologia deve servir o propósito humano e a competitividade nacional.
Num dos momentos mais aguardados de todo o evento, Bruce Dickinson, vocalista dos Iron Maiden e empresário, protagonizou a sessão “From Rockstar to Businessmen”, patrocinada pela Microsoft. Dickinson defendeu a resiliência e a empatia como características insubstituíveis pela máquina.
“A tecnologia e a IA podem fazer coisas extraordinárias por nós, mas o seu verdadeiro poder revela-se quando amplificam as ideias de pessoas reais. Há elementos da nossa condição humana, como a resiliência e a capacidade de aprender com a beleza dos nossos erros, que a máquina não substitui, mas sim liberta. A IA é o aliado que nos permite focar no que realmente importa: a nossa criatividade e a construção de relações humanas autênticas.”
A sessão de abertura contou com a participação do Secretário de Estado para a Digitalização, Bernardo Correia, que apresentou uma visão otimista para o país. Sublinhando que Portugal tem potencial para ser um dos países mais prósperos da Europa através da IA, o Secretário de Estado definiu quatro pilares essenciais: infraestruturas, adoção, talento e responsabilidade ética. Deixou ainda um apelo direto ao setor privado: as empresas devem investir mais em IA e colaborar no fortalecimento das infraestruturas para garantir uma vantagem competitiva coletiva.
Nesta linha de eficácia e valor real, o diretor-geral da Microsoft Portugal, Andrés Ortolá, destacou a transição da fase de experimentação para a de entrega de resultados. Numa sessão focada na evolução do mindset, skillset e toolset, Ortolá demonstrou que a IA generativa está a transformar todos os colaboradores em gestores de IA. Com dados concretos, reforçou que o progresso depende da confiança e da capacidade de colocar a tecnologia ao serviço da eficiência e da sustentabilidade, revelando que o ecossistema Microsoft gera um valor económico anual de 7,3 mil milhões de euros na economia portuguesa, o que representa um crescimento de 48 % face a 2023.
Este impacto estende-se ao mercado de trabalho, com o ecossistema da Microsoft a ser responsável pela criação de 35.000 postos de trabalho entre clientes, parceiros e a economia alargada, número que se projeta aumentar em 8.300 com os novos investimentos em IA no país. Ortolá sublinhou ainda o retorno económico habilitado pelas soluções da tecnológica, com um valor de 9,6€ por cada euro investido pelos clientes.
A condução de todo o evento esteve a cargo da Amplya, a AI Host desta edição, que personificou a tese central do encontro: a tecnologia não como um substituto, mas como uma extensão do potencial humano. Através da mensagem “Not instead of you, but extending you”, a Amplya acompanhou os participantes tanto no Pavilhão Carlos Lopes como na plataforma online, adaptando a sua forma para demonstrar que, num futuro que não fica parado, o Building The Future é o espaço onde a inovação e a humanidade se cruzam para criar soluções reais.
Com 58 oradores de mais de 40 países, o primeiro dia alcançou uma audiência global, somando mais de 6500 visualizações em streaming. Os debates estenderam-se à cibersegurança e à soberania de dados, clarificando que a IA generativa exige agora arquiteturas de dados sólidas e uma visão ética inequívoca.
Para o Chief Transformation Officer da imatch, Paulo Dias, o balanço deste arranque é revelador de um ponto de viragem: “O que vimos hoje não foi apenas uma exposição de tecnologia, foi um debate vivo sobre o futuro da nossa competitividade. Já não basta ter ferramentas de IA – é preciso saber o que fazer com ela sem perder a bússola humana. O nosso objetivo era transmitir que o futuro se constrói com estratégia, ética e coragem para mudar e acho que estamos no caminho certo”.
Após o dia presencial em Lisboa, o Building The Future transita hoje, 13 de março, para um formato exclusivamente online e gratuito.
