Na Quinta da Moscadinha, a maçã ocupa lugar de destaque. É ponto de partida, matéria-prima e inspiração para tudo o que ali se cria. Pela mão de Márcio Nóbrega, produtor e proprietário da Quinta da Moscadinha, este projeto de sidroturismo madeirense apresenta três (boas) novidades de produção limitada: Ancestrale, uma sidra criada a partir de 98 variedades de maçã; Altitude, uma rara sidra de pera, produzida pelo método clássico; e a primeira Aguardente de Maçã da Quinta da Moscadinha.
À frente da Quinta da Moscadinha está Márcio Nóbrega, empreendedor madeirense ligado à restauração e ao turismo que, em colaboração com agricultores locais e proprietários de terrenos em desuso, tem vindo a recuperar pomares antigos e abandonados na Camacha e um pouco por toda a ilha, alguns com mais de 50 anos, devolvendo vida a terrenos esquecidos.
Situada na vila da Camacha, historicamente conhecida como o “pomar da ilha”, a Quinta da Moscadinha dá continuidade a uma tradição com cerca de cinco séculos: a produção de sidra na Madeira. A história desta bebida remonta à introdução das primeiras maçãs na ilha, no século XV, o que levou à expansão de pomares em zonas como o Santo da Serra e a Camacha. Hoje, este património cruza tradição, turismo rural, gastronomia e produção artesanal.
Da sidraria da Quinta da Moscadinha, acabam de chegar ao mercado três grandes novidades, três novas referências que traduzem a evolução do projeto, e a persistência em continuar a apresentar produtos exclusivos e de grande qualidade, no caso, duas sidras espumantes e uma aguardente de maçã.
A primeira novidade, Ancestrale (28€), nasce de uma seleção singular de 98 variedades de maçã. A Madeira conta com 135 variedades de maçã, das quais apenas 42 estão catalogadas, e esta sidra é uma homenagem a essa riqueza genética e cultural. “A ideia surgiu durante a apanha de maçãs da época de 2023: sempre que a equipa identificava uma maçã diferente das variedades habitualmente usadas nos lotes da Quinta da Moscadinha — como Maçã Reinetta da Madeira, Pero Domingos, Pero Doce, Pero Vime ou Pero Calhau — separava-a e tentava identificá-la. No final, todas foram reunidas num único lote, dando origem a uma produção muito limitada de 400 garrafas”, conta Márcio Nóbrega. O nome Ancestrale reflete a ancestralidade destas maçãs e também o método utilizado, uma vez que na segunda fermentação em garrafa foi usado o mosto da maçã para fazer o licor de tiragem, reforçando a expressão pura da fruta e da sua origem.
A pera é a protagonista de outro dos novos produtos agora apresentados, a Altitude (26€), uma sidra de pera — ou perry — criada a partir de um pomar antigo, muito bem preservado, localizado a 1100 metros de altitude, identificado como o pomar mais alto da ilha. Na Madeira, o cultivo de peras e a produção de sidra de pera não são comuns, em grande parte devido ao baixo rendimento da fruta, à dificuldade da sua fermentação, e porque a pera tem poucos nutrientes, baixa acidez e açúcares não fermentáveis, como o sorbitol, o que torna a sua utilização particularmente exigente. Ainda assim, perante a descoberta deste pomar, onde se encontra uma variedade que se presume ser Conference, embora já com sinais de hibridação, a Quinta da Moscadinha decidiu arriscar. O resultado é um pequeno lote de 600 garrafas, produzido pelo método clássico, que demonstra o potencial de uma fruta menos explorada na tradição sidreira madeirense.
A terceira novidade é a Aguardente de Maçã (90€), resultado da destilação de 2500 litros de sidra, que deram origem a 216 litros de aguardente. Esta produção, que a Quinta da Moscadinha descreve como o primeiro “rum” de maçã da ilha — embora não possa assumir essa designação, por se tratar de uma denominação protegida associada ao rum agrícola — estagiou durante três anos em barricas usadas de carvalho francês. O resultado são 504 garrafas numeradas de 500 ml de algo muito especial, uma produção limitada que traduz uma nova forma de interpretar a maçã madeirense.
“Estas novidades que agora chegam ao mercado – já disponíveis em garrafeiras e restaurantes – vêm reforçar a nossa missão de valorizar esta herança dos pomares antigos, respeitar a fruta e explorar novas possibilidades a partir da sidra. Mais do que um produto, a maçã é aqui entendida como património vivo — uma ligação entre território, memória, agricultura e inovação”, reforça Márcio Nóbrega, proprietário.
A Quinta da Moscadinha alia a produção artesanal de sidra a uma unidade de sidroturismo com 11 quartos, com nomes que evocam os ingredientes do licor de ervas Moscadinha — Figo, Erva Doce, Salva, Canela, Noz Moscada, Cravinho, Macela, Mel de Cana, Vinho Madeira, Passas e Rum — e a um restaurante típico madeirense, Adega do Pomar, com cozinha regional liderada pelo chef Fábio Vieira. Com uma ementa dedicada à cozinha tradicional madeirense e portuguesa, bem como uma taberna que recria o ambiente de convívio madeirense em torno de bebidas e petiscos locais, a Adega do Pomar completa a experiência da Quinta da Moscadinha, afirmando o projeto como um espaço onde a tradição e a inovação continuam a fazer história.

