O verão trouxe uma nova vida à cozinha do Digby. O restaurante do Torel Avantgarde, que goza de vistas inigualáveis para Vila Nova de Gaia e para o Rio Douro, conta agora com o talento e criatividade de Andrea Cardoso, que passou recentemente a liderar a cozinha do Torel Avantgarde, tornando-se na primeira mulher a assumir este cargo no hotel portuense de 5*. Filha de mãe transmontana e pai espanhol, há mais de quinze anos que a chef de origem brasileira tem vindo a desenvolver uma cozinha “de território e de memórias, que conta histórias através do prato”, explica.
No Digby, a sua vontade confirma-se através de uma nova carta que cruza a tradição portuguesa com mundividência, e que mais uma vez volta a ter como fonte de inspiração os ensaios gastronómicos do aristocrático britânico Sir Kenelm Digby. “O livro The Closet of the Eminently Learned serviu-me como mapa conceitual. Esta obra explora a técnica de fermentação e hidroméis, que me inspirou a criar os meus próprios fermentados e reduções e aborda também a questão de como fazer bouillons (caldos) complexos, o que no menu se traduz em molhos de carne e fundos de vegetais ultra-reduzidos, cozinhados lentamente por dias, servindo de base invisível, mas potente, para os pratos principais,” afirma Andrea Cardoso.
Com um menu repartido pelo Mar, Terra e Fogo, a chef convida todos os hóspedes e clientes a navegar pelos três elementos, seja “através da frescura do peixe da costa portuguesa e dos mariscos, muitas vezes trabalhados com notas cítricas ou técnicas que remetem à frescura tropical”, seja através de uma constante “ligação às origens e sazonalidade”, ilustrada no uso de vegetais biológicos, tubérculos, cogumelos silvestres e carnes de pasto de raças autóctones. Já o elemento Fogo, símbolo de transformação e ancestralidade, faz-se sentir no recurso frequente à brasa, ao fumo subtil na cura dos alimentos, ou nos assados lentos que remetem às antigas cozinhas da humanidade.
Bons exemplos disso são o Xarém de Amêijoas com Citrinos, onde a cremosidade da papa de milho funde-se com o lado fresco das amêijoas e algumas notas cítricas. Já o Lombo de Bacalhau com Caju e Pimento é símbolo de uma portugalidade apurada pela doçura do caju, e que contrasta com o toque fumado do pimento. O Ruibarbo apresenta-se como uma sugestão fora da caixa que “foge ao óbvio do açúcar excessivo.” “Permite-nos explorar uma vertente de pastelaria contemporânea extraordinária, focada no equilíbrio perfeito entre a acidez e a frescura, trabalhada em diferentes texturas e temperaturas.” O último destaque vai para a couve-flor, que “partilha do mesmo protagonismo, complexidade e rigor técnico da carne ou do peixe”. Trabalhada de forma a extrair ao máximo o seu umami, é finalizada no fogo e servida sobre um aveludado à base de vegetais, ao qual se juntam novos elementos crocantes.
Este menu está disponível ao jantar, de segunda a domingo, entre as 19h30 e as 22h30, e ao fim-de-semana, das 12h30 às 15h. Já ao almoço, de segunda a sexta-feira, hóspedes e visitantes terão a oportunidade de optar pelo menu executivo (35€), que inclui entrada, principal e sobremesa, para além do couvert, água, um copo de vinho e café. Se a ideia for petiscar fora de horas, a equipa sugere um dos petiscos do menu de snack bar, disponível diariamente entre as 11h30 e as 23h30. Dourada curada, cogumelos picantes e tártaro de cenoura são algumas das sugestões de Andrea Cardoso para qualquer altura do dia, idealmente acompanhadas por um dos cocktails de assinatura, como o Nina Simone ou Alfred Hitchcock, este último uma opção sour que combina whiskey, maçã, limão, clara de ovo e Angostura Bitter.
Reconhecido em 2024 como o melhor hotel de 5 estrelas de Portugal pelos Publituris Travel Awards, mas também com uma Chave no Guia Michelin em 2025, o Torel Avantgarde volta a provar que há bons motivos para regressar ao hotel portuense, e que nem sequer precisa de estar hospedado para desfrutar de uma experiência gastronómica sem igual na cidade.
