Uma ponte entre a criatividade portuguesa e suíça

Fundado em Portugal, o Fresco Studio cresceu com uma visão internacional, tendo encontrado uma segunda casa em Lausanne. A cofundadora, Joana Stoffel, explica à Briefing como esta combinação de referências se tornou parte do processo criativo e como o estúdio procura levar para a Suíça uma forma mais “emocional e descontraída” de comunicar, sem perder a atenção ao detalhe que encontra neste mercado mercado.

Uma ponte entre a criatividade portuguesa e suíça

O que motivou a criação do Fresco Studio?

Joana Stoffel | O Fresco começou comigo em Portugal. Comecei o projeto sozinha, muito ligada à criação de conteúdo, às redes sociais e à forma como as marcas se podiam apresentar de uma maneira mais atual e com mais personalidade.

O nome Fresco vem precisamente daí. Sempre quisemos trabalhar marcas que tivessem aquele lado fresh: que não parecessem iguais a todas as outras, que tivessem uma imagem atual, uma comunicação com personalidade e que conseguissem acompanhar a forma como as pessoas comunicam hoje.

Quando vim viver para Lausanne, conheci a Morgane, que é suíça e nasceu e cresceu aqui. Começámos a trabalhar juntas e foi muito natural o Fresco começar também a crescer na Suíça. Hoje somos as duas por trás do estúdio e trabalhamos entre Portugal e a Suíça.

Por isso, o Fresco acabou por crescer da mesma forma que nós: começou num país e ganhou uma segunda casa no outro.

A Joana é portuguesa e a Morgane nasceu e cresceu em Lausanne. De que forma esta combinação se reflete na identidade e no trabalho?

Acho que esta é uma das coisas que mais diferencia o Fresco.

Eu tenho uma ligação muito forte a Portugal e à forma como se vive e se comunica lá. A Morgane tem uma ligação igualmente forte à Suíça e conhece muito bem a cultura e o mercado suíço. Somos duas pessoas com referências diferentes, e isso está muito presente na forma como trabalhamos.

Portugal traz-nos muito da parte visual, da espontaneidade, da criatividade, da luz, da arquitetura, da fotografia, do lifestyle. A Suíça traz-nos outro tipo de rigor, detalhe e uma forma diferente de olhar para uma marca.

E não queremos escolher entre os dois. Gostamos precisamente de estar nesse cruzamento. Aliás, muitas vezes aquilo que para mim é completamente normal em Portugal é visto de outra maneira pela Morgane, e vice-versa. E essas conversas fazem parte do nosso processo criativo.

Hoje, mais do que trabalharmos em Portugal e na Suíça, sentimos que o Fresco é uma ponte entre os dois.

O facto de serem uma equipa pequena muda a forma como constroem relação com os clientes, comparado com estúdios maiores?

Sim, e acho que é uma das características de que mais gostamos no Fresco. Somos nós que estamos próximas dos clientes desde o início. Não existe uma grande equipa entre a pessoa que apresenta o projeto e a pessoa que o executa. Conhecemos as marcas, as pessoas por trás delas e acabamos muitas vezes por acompanhar muito mais do que aquilo que estava inicialmente previsto.

Também somos muito honestas na relação com os clientes. Se achamos que uma ideia não faz sentido, dizemos. Se vemos uma oportunidade para fazer algo diferente, queremos poder propor. Não queremos ser apenas alguém que executa um briefing. E acho que o facto de sermos pequenas também nos permite escolher os projetos com que nos identificamos. Para nós, é muito importante existir uma ligação com a marca e com as pessoas por trás dela.

Que diferenças destacam na forma como as marcas trabalham a comunicação e o design entre o mercado português e o suíço? Há algo de um dos países que gostariam de ver mais presente no outro?

Em Portugal existe muito mais espontaneidade e uma certa liberdade criativa. Há uma facilidade maior em experimentar, em ser mais emocional, mais descontraído e até mais irreverente. Na Suíça sentimos muitas vezes um cuidado enorme com a qualidade, o detalhe e a consistência, mas também alguma contenção. E nós gostamos dos dois lados.

Há coisas da forma portuguesa de comunicar que gostaríamos de ver mais na Suíça, sobretudo essa capacidade de arriscar e de não levar tudo tão a sério. Mas também há muito do mercado suíço que admiramos e que levamos para o nosso trabalho: o rigor, a atenção ao detalhe e a consistência.

Talvez seja precisamente por vivermos entre estes dois mercados que conseguimos perceber estas diferenças e encontrar um equilíbrio entre elas.

O Fresco trabalha áreas que vão do branding e criação de conteúdos às redes sociais, websites e eventos. Como decidem qual é a melhor abordagem para cada marca e até onde deve ir o envolvimento do estúdio?

Para nós, não começa com “o que é que podemos vender a esta marca?”. Começa por perceber a marca.

Queremos saber quem está por trás dela, o que já existe, o que está a funcionar, o que não está e, sobretudo, onde querem chegar. A partir daí percebemos se precisam de trabalhar o branding, a estratégia, as redes sociais, conteúdo, uma campanha, um evento ou várias coisas ao mesmo tempo. E acho que essa é também uma das vantagens de sermos um estúdio e não querermos encaixar todas as marcas na mesma fórmula.

Há clientes em que estamos muito presentes no dia a dia e acabamos por ser quase uma extensão da equipa. Noutros, entramos para um projeto específico. O nosso envolvimento tem de fazer sentido para aquela marca. No fundo, queremos ajudar uma marca a encontrar a sua própria voz e depois garantir que essa voz aparece de forma coerente em tudo o que faz.

Onde veem o Fresco daqui a três ou quatro anos? A consolidar-se entre Lisboa e Lausanne ou a crescer para outros mercados?

Queremos continuar a crescer entre Lisboa e Lausanne porque essa ligação faz parte de nós. Não foi uma decisão estratégica criada num PowerPoint: aconteceu porque foi assim que a nossa história aconteceu.

Ao mesmo tempo, gostávamos muito que o Fresco tivesse cada vez mais uma dimensão internacional. Não sentimos que tenhamos de ficar limitadas a Portugal e à Suíça, sobretudo porque muitas das marcas com que gostamos de trabalhar já têm uma visão internacional.

Mas não queremos crescer simplesmente para sermos maiores. Não nos vemos necessariamente como uma agência enorme, com uma equipa gigante. Queremos continuar a ter uma identidade muito nossa, trabalhar com marcas que nos entusiasmem e poder estar cada vez mais envolvidas em projetos criativos maiores.

Se daqui a três ou quatro anos continuarmos a conseguir fazer aquilo que fazemos hoje, mas com mais alcance, mais projetos que nos desafiem e uma presença cada vez mais forte entre Portugal e a Suíça, acho que estaremos exatamente onde queremos estar.

Simão Raposo

Quinta-feira, 17 Setembro 2026 10:07


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