A característica que melhor define a sua forma de comunicar
A autenticidade. Nunca senti necessidade de construir uma personagem para comunicar. Procuro que as pessoas encontrem nas redes sociais a mesma pessoa que encontram num concerto, numa entrevista ou na vida real. Acredito que a proximidade só existe quando a comunicação é verdadeira.
Como se transforma uma música numa tendência nas redes sociais?
As redes sociais podem dar uma enorme visibilidade a uma música, mas não a transforma, por si só, num sucesso. Quando uma canção desperta emoções e as pessoas se identificam com ela, acabam naturalmente por partilhá-la e fazê-la chegar a outros públicos. As plataformas aceleram esse processo, mas a música continua a ser o ponto de partida.
O que procura mostrar aos fãs que não conseguem ver nos palcos?
Os bastidores. Um concerto mostra o resultado final de muito trabalho. Nas redes sociais, gosto de partilhar o caminho até lá: os ensaios, o processo criativo em estúdio, a preparação da saída de casa para o local do concerto e os momentos de equipa. Acho importante que as pessoas percebam que existe muito mais para lá daquilo que acontece em palco.
O que tem aprendido sobre a relação entre música e redes sociais?
Aprendi que a estratégia digital não substitui uma música, mas pode ajudar a desenvolver ainda mais o conceito à volta dela ou de um álbum. Pode servir para conseguir explicar melhor e dar outras camadas à mensagem que se quer passar com a música.
Diz que sim a uma parceria com uma marca quando…
Quando existe uma verdadeira afinidade entre aquilo que a marca representa e os meus valores. Gosto que as parcerias aconteçam de forma natural e que façam sentido para quem me acompanha. Quando há essa coerência, deixa de ser apenas publicidade e passa a ser uma colaboração em que ambas as partes acrescentam valor.
Como garante que uma colaboração mantém o seu cunho pessoal?
Envolvendo-me no processo criativo e sendo transparente sobre aquilo em que acredito. Nunca quis que uma parceria parecesse algo imposto. O meu objetivo é que qualquer projeto mantenha a mesma linguagem e autenticidade que procuro transmitir na minha música e na minha comunicação.
Ser artista e criador de conteúdos é…
Hoje, faz parte da realidade de quem vive da música. As redes sociais permitem-nos contar histórias de uma forma diferente e manter uma ligação constante com o público. Mas, para mim, o papel principal continua a ser o de artista. O conteúdo existe para aproximar as pessoas da música, nunca para substituir a música.
Reels ou TikToks?
Depende da história que quero contar. Cada plataforma tem a sua linguagem e procuro adaptar o conteúdo a cada uma delas. Mais importante do que escolher uma plataforma é perceber como comunicar de forma relevante em cada contexto.
A colaboração ou o projeto digital mais marcante
Lembro-me de vários projetos marcantes ao longo da minha carreira. “Vamos Com Tudo”, como música oficial de apoio à Seleção Portuguesa, com os artistas Ludmilla, Giulia Be e Preto Show. Foi um projeto bem desafiante porque junta artistas de outros países. Não conseguimos estar juntos nem em estúdio, nem durante a gravação do videoclip, mas conseguimos passar a proximidade necessária no projeto pelos conteúdos que fizemos e pelo storytelling que contámos do projeto nas redes sociais.
Em relação a projetos digitais, colaborei com uma marca do universo feminino, há dois anos, e foi incrível. Em colaboração com a minha agência, a LUVIN, desenhámos um projeto que juntou o online e o offline, e tudo culminou num concerto meu, num barco. Acho que é a magia do alcance das redes sociais, com a proximidade com as pessoas, que gera mais-valia.

