Briefing | O que levou a Arruada a associar-se à Associação para as Ciências do Mar neste projeto de preservação dos golfinhos do Sado?
Pedro Trigueiro | Existe uma premissa que guia o dia a dia e mindset da empresa: ser útil. Seja em que plano de ação for: tanto na estratégia de carreira de artistas, de opções e pitching a imprensa especializada, na curadoria e line ups de vários eventos que trabalhamos. Sermos úteis é contribuir com algo que seja uma mais valia. No caso dos golfinhos acresce uma visão mais personalizada: ser útil a algo que é distinto, que surgiu de uma visita ao estuário numa observação ao extraordinário trabalho que está a ser feito na área de investigação e conservação. Não ter a perspetiva de “caridade”, mas sim de utilidade, de desenvolvimento. Uma espécie de investimento português para um património natural que está em Portugal, que é emblemático e com características únicas.
Que papel desempenha a agência nesse projeto?
Coordenado com a Associação para as Ciências do Mar, é o papel de poder investir em conhecimento. Criar condições para que existam mais ativos (pessoais, estruturas, logística) que possam responder às necessidades de investigação, no sentido de contribuir para a conservação de uma população de golfinhos ameaçada de extinção.
Que retorno espera obter?
Que seja um momento que possa incentivar outras entidades a olharem para projetos e necessidades nacionais e possamos também nós, portugueses, investir em desenvolvimento local. Apoiar o que temos de único. Como uma espécie de “support your local team”.
É a primeira vez que a agência se envolve numa causa social?
De uma dimensão que extravasa o universo cultural, absolutamente que sim, é a primeira vez. Noutros domínios, acontece trabalhar em parceria com artistas da Arruada em momentos de solidariedade, por exemplo.
A Arruada especializou-se em cultura, com enfoque na música. Qual é o eixo diferenciador face a outros promotores do mercado?
Em conversa recente com uma artista da Arruada, há uma definição dada pela artista que resume bastante bem o pretendido: extrair o que de mais único tem o artista, de mais diferenciador. É uma vontade constante de colocar uma luz certa sobre pormenores diferenciadores dos artistas com os quais trabalhamos. Sem a prepotência do “somos diferentes”, que hoje em dia é uma expressão cada vez mais banal, mas antes optar pela consistência dessa diferenciação. Prová-la em 360º graus no daily do que fazemos.
Como concilia a curadoria de espetáculos com o agenciamento de artistas?
É uma necessidade absoluta até porque ativa, dentro da própria agência, novas formas e novas abordagens a diferentes problemáticas. Soluções de agenciamento por vezes ajudam a desbloquear uma linha pensada para uma curadoria. E por vezes uma curadoria obriga-nos a trabalhar a comunicação de forma diferente do que fazemos. E outros exemplos que ajudam a conciliar da melhor forma as diferentes frentes de trabalho.
Em 2019, cumpre cinco anos. Qual é o balanço da atividade?
Excelentes anos. Há sempre espaço para fazer mais e melhor. A indústria musical muda constantemente, os ciclos são cada vez mais curtos. Um plano de assessoria de 2019 não pode ser encarado como foi em 2017. Uma forma de comunicação online de uma tour de um artista teve um engagement específico em 2016 não terá o mesmo resultado em 2019. Por isso, é obrigatório viver com um satélite na cabeça.
Quais os planos da agência no horizonte mais próximo?
Foco total nos artistas, eventos e parcerias que temos e cimentar cada vez mais uma equipa que é talhada para trabalhar projetos “à la longue”. A consistência é, eventualmente, um dos segredos na indústria musical.
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