O mercado do livro em Portugal registou um crescimento de 6,9 % em unidades em 2025, num contexto em que vários dos principais mercados europeus apresentaram resultados negativos. De acordo com a mais recente análise da GfK, o setor atingiu 217,5 milhões de euros em vendas e cerca de 14,8 milhões de exemplares vendidos. Num panorama europeu marcado por quebras em França (–2,5 %), Itália (–3,0 %), Reino Unido (–2,5 %) e Países Baixos (–3,0 %), e por uma evolução praticamente nula em Espanha (+0,2 %), o desempenho português posiciona-se entre os mais consistentes do conjunto de mercados analisados.
A evolução de 2025 confirma uma trajetória de valorização sustentada ao longo da última década. Face a 2015, o mercado nacional apresenta um crescimento expressivo em valor, acompanhado por uma expansão significativa da oferta editorial. Nos últimos cinco anos, o número de referências ativas aumentou cerca de 31%, totalizando aproximadamente 150 mil títulos disponíveis, com mais de 15 mil novos lançamentos apenas em 2025. Este reforço da diversidade editorial ocorre num mercado que mantém estabilidade na procura e capacidade de absorver novas propostas.
O segmento infantil/juvenil assumiu novamente um papel determinante, com uma representação de 36,2 % do total das vendas. O preço médio do livro aumentou 0,6 %, variação inferior à inflação no mesmo período, o que demonstra estabilidade no posicionamento junto do consumidor.
Segundo o diretor-geral da GfK em Portugal, António Salvador, “estes resultados revelam um mercado que cresce num contexto europeu mais exigente, o que demonstra maturidade e capacidade de adaptação. Portugal destaca-se pela expansão da oferta editorial e pela consolidação de fenómenos de consumo que conjugam diversidade de títulos com concentração em obras de maior impacto. Esta dinâmica reflete um leitor atento às tendências internacionais, mas também um setor capaz de gerar e sustentar sucessos no mercado interno”.
Os dez títulos mais vendidos representaram 3,5 % do total das vendas em unidades, face a 2,6 % em 2024, o que indica um reforço da concentração nos livros de maior procura. Entre os títulos e autores com melhor desempenho comercial encontram-se obras de ficção contemporânea com forte presença mediática, literatura infantojuvenil de séries consolidadas e fenómenos editoriais impulsionados por comunidades digitais.
Autores internacionais como Freida McFadden e Colleen Hoover mantiveram a sua presença entre os mais procurados, o que confirma a consolidação de fenómenos editoriais iniciados em anos anteriores. No contexto nacional, nomes como Pedro Chagas Freitas e José Rodrigues dos Santos ocupam posições de destaque, com as respetivas obras “O Hospital das Alfaces” e o “Sexto Sentido” em destaque. O aumento do peso relativo de bestsellers, como “A Criada” ou “Hábitos Atómicos”, confirma a capacidade de determinados títulos mobilizarem rapidamente um volume expressivo de leitores num mercado cada vez mais alargado.
