É a influenciadora com maior notoriedade em Portugal e é por isso com A Pipoca Mais Doce que a Briefing arranca esta rubrica dedicada ao marketing de influência. Quase 20 anos depois de ter criado o blogue, Ana Garcia Martins diz continuar a divertir-se com o digital. E a divertir os portugueses, até porque vê no humor a sua caraterística mais marcante e é nele que se baseia para criar conteúdos para as marcas.
Ser influenciadora é…
Um conceito relativamente recente e ao qual ainda estou a tentar adaptar-me. Pessoalmente, prefiro “criadora de conteúdos digitais”. Acho que “influenciadora” traz associada uma carga pejorativa e muito associada ao apelo ao consumo. A ter alguma influência, tento que seja mais abrangente do que isso e em áreas que, realmente, possam fazer a diferença na vida das pessoas.
O que a faz associar-se a uma marca?
Vários fatores, mas, sobretudo, a credibilidade e a história da marca, os valores associados, o facto de eu me identificar e também ser consumidora, e ser relevante para os meus seguidores.
A que marcas já deu a cara?
Em mais de 15 anos de trabalho na área digital, já trabalhei com marcas de todos os setores: moda, beleza, alimentação, desporto, viagens, automóveis, restauração, indústria farmacêutica, educação. Foram, seguramente, centenas e centenas de marcas.
A que marca se associou que nunca imaginou?
Quando criei o blogue, há quase 20 anos, nunca pensei que poderia vir a trabalhar com marcas. Posto isto, todas aquelas com que trabalhei foram sempre uma surpresa.
Qual a sua marca de sonho?
Há várias marcas de que gosto, em diversas áreas, mas penso que nenhuma pode ser considerada um sonho. Entre influencers, e por uma questão de posicionamento, há sempre o lado mais aspiracional de trabalhar com marcas de luxo, mas o mercado português ainda tem pouca relevância nesse setor. Aqui ao lado, em Espanha, é normal uma influenciadora com 100 ou 200 mil seguidores trabalhar com marcas de luxo, por cá ainda não.
Qual o anúncio mais memorável?
Gosto de todas as campanhas que me permitem ter total liberdade criativa e uma base humorística. Respeitando, obviamente, os valores da marca.
Considera-se uma marca?
Não. Acho que isso acarreta um peso que, se calhar, prefiro não ter sobre mim. Talvez por me continuar a ver como a miúda de vinte e poucos anos que criou um blogue em 2004 apenas para se divertir e por gostar muito de escrever. Apesar de o digital ser o meu trabalho praticamente a tempo inteiro, continua a ser uma coisa que me diverte muito.
O que é mais difícil em ser influenciadora?
A maior dificuldade que sinto, sobretudo por trabalhar no digital há muito tempo, é conseguir manter a originalidade e a relevância, sobretudo numa altura em que todos os dias aparecem novas caras.
O seu sucesso como influenciadora deve-se a…
Penso que, desde o início, o que gerou empatia entre mim e os meus seguidores é o facto de a linguagem ser muito próxima e de sempre ter abordado temas nos quais também se reviam, de uma forma genuína e, acredito eu, honesta, porque só assim é que me faz sentido. Acredito que as pessoas sabem que dou realmente a minha opinião sobre as coisas, de forma direta. Além disso, gosto de contar histórias e de envolver as pessoas. Acho que todos estes fatores representam uma mais-valia para as marcas, que sabem que têm alguém para falar dos seus produtos ou serviços de uma forma mais criativa e sem ser uma mera imposição. E isso também acaba por funcionar para os seguidores. Até porque, com os anos, foi-se gerando uma relação de confiança que é de extrema importância quando estamos a fazer recomendações.
Qual a sua característica que destaca?
O humor, sem dúvida. Tento que todos os conteúdos que produzo para as marcas sejam vistos muito mais como entretenimento do que como um mero incentivo à compra.
Sofia Dutra

