#ALenteDe João Pedro Moreira tem duas décadas

Este realizador da Grumpy Panda é conhecido por JP Moreira, mas o seu percurso não é assim tão abreviado. Há 20 anos que tem esta profissão.

#ALenteDe João Pedro Moreira tem duas décadas

Audio by AI

Foi exatamente a edição de imagem, tarefa que vai fazendo até aos dias de hoje, que o levou à realização. Esteve durante algum tempo ligado à televisão, mas o salto para este mundo deu-se quando aceitou trabalhar para a Subfilmes. Foi lá que João Pedro Moreira deu os primeiros passos a realizar videoclips, que são, aliás, um dos formatos que mais o fascina. Talvez seja por estar ligado à música, mas também por dar abertura ao seu lado mais criativo.

A paixão pela música também é de longa data. Antes do mundo das câmaras, estudou música, teve uma banda e a sua aspiração de vida girava em torno do sonho de viver disso. Percebeu, depois, que seria um caminho difícil, embora ainda hoje faça parte da banda Beautify Junkyards. Ao tomar consciência dessa realidade, foi à procura de algo que o preenchesse, encontrando pelo percurso a realização. Segundo conta, esta admiração pela imagem vem do avô, que era fotógrafo e que tinha uma loja de fotografia que o realizador frequentava diariamente depois da escola.

Hoje, afirma que gosta de se sentir desafiado por algo que nunca fez e que descobrir novos caminhos e linguagens é o “condimento essencial” para se envolver em alguma coisa.

Como realizador, acredita que, para exercer a profissão, é preciso um elemento chave: sensibilidade. Reconhece que cada realizador é diferente, mas destaca que é importante, além de dar asas à sua criatividade, dar espaço à visão da pessoa ou entidade para quem está a trabalhar. “Sinto que é um ponto fundamental para que um trabalho corra bem”, diz.

E a lente do cinema? Será que é a mesma da publicidade? O realizador responde: pode ser e pode não ser, dependendo do produto e do filme. Mas, acrescenta, “a sensibilidade tem de estar sempre ligada à necessidade de cada filme”.

E na publicidade? Será que uma má realização pode arruinar um bom copy? João Pedro Moreira acredita que tem de ser um trabalho conjunto e partilha a sua perspetiva de que não é na publicidade que vai conseguir fazer o seu filme, ou seja, não pode tornar a publicidade numa coisa pessoal.

Considera que o facto de estar desde muito cedo ligado à edição, à fotografia, ao som e à música lhe deu a capacidade de entender muitos dos processos ligados à execução de qualquer filme.

“Este conhecimento transpus em muitas coisas que fiz, principalmente em documentário, mas é sobretudo transposto na comunicação com as pessoas ligadas a estas áreas e com quem trabalho, ajuda muito a passar aquilo que pretendemos e a, juntos, arranjarmos formas de atingir os objetivos”, conta João Pedro Moreira.

Da sua carreira, destaca o projeto ‘Na Casa D’Este Senhor’ como o mais desafiante por misturar “muitos dos ingredientes” de que gosta. “Na sua essência, é uma publicidade; a agência e o cliente deram todo o espaço para escrever o que quiséssemos, daí saiu um documentário em que a realidade e a ficção se cruzam e se misturam”, descreve.

Atualmente, e depois de ter realizado “A viagem do Rei”, filme-doc sobre o músico Rui Reininho, afirma que se sente tentado a fazer mais trabalhos neste formato, aprofundando tanto o lado doc como o filme.

A longo prazo, diz que sentir-me bem com aquilo que faz, rodear-se de pessoas que admira e dormir descansado é o seu grande objetivo enquanto realizador.

Catarina Simões Farinha

Sexta-feira, 30 Junho 2023 11:48


PUB