Bernardo quer causar Inpakt

 Bernardo quer causar InpaktEm 2007, Bernardo Sousa de Macedo, “class of 83”, inscreveu-se num site para ações de voluntariado. Foi o primeiro passo numa caminhada que deu origem ao Inpakt, rede social dedicada à responsabilidade social. Ao Briefing, diz que é mais do que um canalizador de donativos, é um catalisador de donativos. E já reúne 62 mil boas vontades.

Briefing | Porquê uma rede social dedicada à responsabilidade social e ao voluntariado?

Bernardo Sousa de Macedo | Existem redes sociais de todo o tipo, existem também aplicações online para que as instituições façam a gestão das ações de voluntariado, mas, até à data da primeira versão do Inpakt, não existiam redes verdadeiramente sociais que ligassem pessoas à volta do tema de fazer o bem.

Quando falo de redes sociais online, indico, no mínimo, com a capacidade de interação entre os utilizadores e definição de um perfil público.

Depois podemos criar uma dinâmica mais interessante para todos, como por exemplo, o histórico das ações de voluntariado por utilizador, criando assim o curriculum vitae social.

A grande vantagem da plataforma ser social é o efeito multiplicador que alavanca as ações de qualquer um os envolvidos, poupando nomeadamente recursos para as ONG.

Briefing | Que objetivos se propõe atingir?

BSM | O Inpakt liga o mundo da responsabilidade social e o seu objetivo é “mudar o mundo”, torná-lo mais ético e sustentável, criando ferramentas que fazem sentido e são justas para a sociedade em todos os aspetos. Foi um processo de desenvolvimento e maturação conceptual muito lento mas consistente.

Por ordem de ideia implementada no conceito temos então o seguinte: Ponte entre voluntários e instituições sem fins lucrativos; ligação aos doadores; ligação às empresas socialmente responsáveis e fundações; ligação com as universidades;

A nossa missão é “Queremos ser a melhor plataforma online para a mudança social, capacitando pessoas e organizações pela partilha de ferramentas e de conhecimentos com vista à criação de um futuro melhor”.

Briefing| O Inpakt apresenta-se como uma rede global. Em que medida?

BSM | A responsabilidade social não escolhe idioma nem fronteiras. Se somos boas pessoas, temos que pensar que as necessidades não se limitam apenas ao nosso país.

Não digo que não existam doadores que queiram fazer donativos a uma instituição de um país vizinho, ou que não haja pessoas que queiram fazer ações de voluntariado fora do seu país de origem, nem que seja pela experiência cultural que pode adquirir….

Mas a facilidade de uma rede online que pode ser traduzida para qualquer língua, aumenta a proximidade entre quem quer fazer o bem, permite suportar projetos transnacionais e internacionais, ao mesmo tempo que permite acelerar o crescimento orgânico e a viabilização do projeto. Aliás, brevemente, a plataforma incluirá uma ferramenta de autotradução para permitir a sua rápida internacionalização e atingir membros em qualquer país do mundo.

Briefing | Em Portugal como se tem dado a conhecer? Que adesões se têm verificado?

BSM | Ao longo do tempo e com publicidade boca a boca o projeto cresceu de 1 “apaixonado” a 62 mil seguidores de boas causas, membros com o mesmo ideal e alinhados aos mesmos objetivos. Também contou com 300 instituições de solidariedade. O crescimento foi muito interessante.

A notoriedade do projeto na primeira fase está a facilitar as adesões nesta nova fase.

Briefing | O lançamento em Portugal acontece no natal. É coincidência?

BSM | Diria mais o relançamento da plataforma, assente numa base tecnológica a prever maior escalabilidade e iterações de desenvolvimento.

Decidimos apostar na época natalícia de forma a que as instituições de solidariedade possam receber já donativos antes do final do ano, e também como forma de dar um presente à sociedade. Estava previsto relançar o Inpakt em março de 2014, quando faz “anos” oficialmente, mas foi repensado e faseado o relançamento para que, numa época de sensibilização para os donativos, as instituições de solidariedade pudessem contar com mais uma forma de angariação.

Briefing | Como é que se propõe ser mais do que um canalizador de donativos?

BSM | O Inpakt não é apenas um canalizador de donativos, está pensado para muito mais do que isso… Poderia mesmo usar a palavra “catalisador” de donativos.

Receber donativos, todas as instituições de solidariedade o fazem, mas porque é que umas são mais otimizadas do que outras? Não se trata apenas do valor angariado, mas sim a forma como foi angariado.

A redução dos custos operacionais da angariação e o facto de termos como objetivo o crescimento orgânico dos donativos (membro chama membro a apostar em causas que eles partilham), contribuem para que o Inpakt não seja apenas um canal de donativos, mas sim, uma ferramenta complexa de análise e gestão de doadores e de previsão de quebras nos donativos em tempos de “crise” sazonais;
Para já, as ONG podem angariar donativos com custos operacionais reduzidos, aumentando seu ROI de comunicação, os dadores podem encontrar causas sociais para as que podem contribuir e muito em breve as empresas e instituições socialmente responsáveis poderão comunicar sobre o seu envolvimento social.

Mas muito em breve, na mesma plataforma as ONG poderão angariar voluntários para as suas ações, pela sua vez, os voluntários poderão escolher as ações de voluntariado a que querem participar, construindo e consolidando o seu currículo. As empresas e instituições socialmente responsáveis poderão impulsionar as suas atividades de responsabilidade social, envolvendo os seus stakeholders e a comunidade.

Briefing | Como é financiado?

BSM | O Inpakt recebeu financiamento da Portugal Ventures e da PNV capital para conseguir manter as operações e crescer acentuadamente até que nos tornemos sustentáveis. Temos um modelo que nos permite sustentar o projeto com a criação de valor aos nossos clientes, sejam estes empresas socialmente responsáveis ou instituições de solidariedade.

fs@briefing.pt 

 

 

Quinta-feira, 26 Dezembro 2013 13:12


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