“Sabem muito bem. Já não ganhávamos um há algum tempo”. É assim que a diretora criativa da Young & Rubicam, Judite Mota, reflete sobre o desempenho da agência no festival de Cannes, que, com duas campanhas na corrida ao prémio trouxe para casa duas pratas. “Os prémios em si não obrigam a nada porque a obrigação de fazer bom trabalho que impulsione as marcas e as agências para um patamar elevado de qualidade criativa é intrínseco à nossa maneira de trabalhar, é nisso que acreditamos e é o que tentamos praticar diariamente. Os prémios são só uma consequência mais visível”.
Parte das peças premiadas dizem respeito ao lançamento do suplemento de fim de semana do jornal i. Uma edição que, entretanto, deixou de ser publicada. Já o suplemento b.i., com o qual a Young também conquistou prata, faz agora parte do jornal Sol.
“Era um briefing muito aberto com o objetivo de espelhar o espírito mais ‘leve’ e informal das entrevistas e dos assuntos por contraponto às notícias do diário”, explica a diretora criativa. Isto porque, segundo Judite Mota, “até os intervenientes das notícias ditas sérias têm direito a descontrair”.
Fazer uma campanha de grande impacto visual quase sem budget foi um dos principais desafios sentidos pela equipa da Young, que recorreu à ilustração para “recriar situações mais engraçadas”. Um trabalho que mereceu destaque nos sites de criatividade internacional, ainda antes do festival Cannes Lions. “Nunca se sabe o que esperar de Cannes. São tantas peças, tantos critérios diferentes… Claro que ter “tempo de antena” e visibilidade pré Cannes ajuda um bocadinho mas não faz milagres”.
E, com oito leões para a criatividade nacional, Judite considera que é sinal de que alguns medos estão a ser ultrapassados, e se a criatividade está em período de retoma, acredita que a seguir virá o mercado. “Claro que entretanto aconteceu o Brexit e posso ter que engolir estas palavras”.


