Portugal saiu de Cannes com quatro leões de Bronze, e vários prémios nos jovens criativos. Não envergonha ninguém. Somos um país pequeno, que atravessa um período difícil. Quatro leões é bom.
Parabéns à FCB pelos seus dois prémios. A FCB não é nova nestas andanças, e consegue aqui ver reconhecido mais uma vez o seu trabalho. Uma empresa de um dos grandes grupos e perfeitamente integrada no jogo.
Tendo dito isto, e reforçando que estou feliz por toda a equipa e especialmente pelo Luís e pelo Duarte eu queria focar-me era nos nossos outros dois prémios.
O primeiro foi para a Torke, uma agência com oito anos, iniciada em Portugal, com trabalho feito para uma entidade nacional, por uma equipa essencialmente nacional. Uma equipa muito jovem, sendo que a maior parte da equipa está abaixo dos 25 anos. Primeiro facto: uma nova geração a despontar.
A Torke procurou expandir-se para fora de Portugal com alguns escritórios noutras cidades mas com a criatividade a ser desenvolvida no nosso País. A Torke não pertence a nenhum dos grupos de comunicação. É uma pequena agência independente. Segundo facto, há espaço pada pequenas agencias flexíveis e criativas.
Tal como o vencedor do outro Leão, o Escritório. Ainda no festival passado, falava com o Nuno e ele, ainda timidamente, apresentava-me a ideia de montar uma agência. Passado um ano sai de Cannes com um Leão na categoria de Design.
Claro que o Nuno e o Tiago, apesar da juventude dos 40, são bastantes experientes com carreiras desenvolvidas em mutinacionais e premiadas, mas que num ano de choro colectivo contrariaram a corrente e acreditaram que era possível fazer diferente. Uma pequena agência independente a ganhar. Um incrível reforço do segundo facto.
Temos também os jovens criativos. O primeiro a ganhar foi o Nuno Teixeira que já tinha ganho em 2009 e ganha agora na categoria de imprensa por Singapura, país onde trabalha atualmente. Um português a bisar. Se dúvidas existissem fico bem patente a sua capacidade. A título de curiosidade o Nuno, antes de sair de Portugal, trabalhava da FCB, com Luis e o Duarte.
Conseguimos depois um terceiro lugar em media e fechamos a semana com o primeiro lugar conseguido pela Francisca, da JWT, e pelo Afonso, da Lintas. Tal como a equipa da Torke, estamos a falar de pessoas com menos de 28 anos. Reforçamos assim o nosso primeiro facto: existe uma nova geração a capaz de ar cartas.
Por fim temos o Daniel Soares na equipa da Jung von Matt que ganhou vários leões e um Grande Prémio com o Mercedes invisível. O Dani tem 25 anos.
Concluindo, Portugal tem feito algo bem, porque mesmo em crise continuada desde há muito tempo, a nossa qualidade tem vindo a subir de forma consistente. Esta é a nossa grande vitória este ano.
A vitória de todos os jovens portugueses e dos menos jovens que continuam a acreditar nesta industria e a trabalhar para nos projetar a todos no mundo. Parabéns a todos, para o ano há mais.
Frederico Arouca, em Cannes
Fonte: Briefing


