Reunindo gestores, jornalistas, empresários e um responsável de uma agência de meios, a conferência mostrou que os tempos não estão fáceis para o jornalismo. Entre a perda de receitas para os motores de busca e as redes sociais e a incapacidade de conhecer bem para quem se escreve, o jornalismo enfrenta também a concorrência de consumidores que reclamam para si a co-autoria das notícias e de novas plataformas de distribuição de informação, como Facebook.
O Correio da Manhã foi várias vezes usado como um exemplo de sucesso. José Manuel Fernandes, ex-diretor do Público, afirmou que nos últimos tempos tem dado mais atenção ao jornal diário mais vendido em Portugal e notou que “faz escolhas, tem uma agenda própria”. Azeredo Lopes, ex-presidente da ERC, disse que o jornal da Cofina tem uma “estratégia claríssima e muitas notícias. Vejam e comparem com os outros”.
Pedro Guerreiro, diretor do Jornal de Negócios (também propriedade do grupo Cofina) criticou a descaraterização dos jornais que não são o Correio da Manhã mas procuram imitá-lo. “É a correiomanhização do jornalismo e isto não é uma crítica, é uma constatação”, disse.
Sobre as soluções para sair da crise, não houve unanimidade. O diretor do Jornal de Negócios falou no caminho escolhido pelo seu jornal: diferenciação da concorrência e criação de uma marca muito forte. José Manuel Fernandes, diz que os jornais têm de fazer escolhas e é necessário um modelo de negócio novo. Pedro Norton considera que se está perante mudanças de “resultados imprevisíveis”. Muito céptico sobre o futuro dos jornais, Azeredo Lopes diz que há uma “perda de contato entre o que se produz e o que o consumidor quer” e por isso o jornalista “não sabe para quem está a escrever”.
Francisco Pinto Balsemão, presidente do conselho de administração e maior accionista da Impresa, defende que há que “rentabilizar, monetizar, como agora se diz, os bons conteúdos que continuamos a saber produzir, adaptando-os às novas circunstâncias, às novas plataformas de distribuição, aos novos hábitos de consumo”.
Rui Borges, ex-jornalista que lançou projetos editoriais na área dos media, defendeu que o negócio dos conteúdos tem futuro e André Freire de Andrade, presidente executivo da agência de meios Carat em Portugal e Espanha, disse que o papel dos media tem de ser repensado à luz de quatro novos ecossistemas: o Google, o Facebook, a Amazon e a Apple.
Hermínio Santos
Fonte: Briefing


