Briefing | Como surge a Loop?
Antoni Flores | A Loop é uma evolução natural, de uma equipa de desenvolvimento de produto, na procura pelo valor acrescido (Competitive Design Network – CDN) fundada há 25 anos. Um dos nossos primeiros clientes foi a Hewlett Packard, na sua divisão da Ink Jet. A intensa relação com a HP colocou-nos na “órbita de serviço” da Costa Oeste, mais em concreto em San José (Silicon Valley), o que nos fez evoluir do desenvolvimento de produtos, à gestão de portfólios, à deteção de novas oportunidades e, finalmente, ao desenvolvimento de novos modelos de negócio. Algo semelhante com a evolução das equipas como a IDEO, Lunar ou Ziba, com quem partilhávamos clientes. Em 2002, e em consequência da nossa evolução, dividimos as nossas atividades em duas: uma de desenvolvimento de produtos e outra de novos modelos de negócio.
Briefing | Qual é o posicionamento da empresa de consultoria estratégica?
AF | A Loop é uma consultora estratégica porque gera um impacto de forma muito relevante através da exploração do potencial dos seus clientes e dos seus planos estratégicos de futuro, ao contrário de outras empresas existentes no mercado, a Loop centra a sua atividade nos produtos e serviços que promovem o desenvolvimento dos seus clientes. Pensamos que se uma empresa dispõe de um bom modelo de negócio incidindo em boas categorias de produtos e serviços, vive melhor, com mais conforto e com melhores margens nos mercados onde opera e não terá tanta necessidade de maximizar e optimizar a sua operação. É por este motivo que a Loop ajuda a que os seus clientes disponham de “modelos de negócio únicos”.
Briefing | Mas qual a estratégia da Loop para criar novas experiências de consumo?
AF | Na Loop somos da opinião que não existem novas necessidades de consumo; que todas as necessidades estão já atendidas. Contudo, o que existe são novas formas de atender às necessidades de sempre. Por este motivo, cada vez que lançamos um novo produto ou serviço, devemos vencer a “resistência à mudança” dos consumidores para que os mesmos adotem a nova proposta de produto. Trabalhar sobre a experiência de consumo adaptando a mesma e tornando-a mais próxima do consumidor, será sempre uma boa estratégia. Existem várias âncoras para a criação de novas experiências mas todos elas convergem em que quanto maior for o valor obtido com o serviço no valor de transação económica, melhor será a experiência. Nada fideliza mais do que a sensação de se ter realizado um “bom negócio”.
Briefing | E qual a importância das marcas inovarem e criarem essas novas formas de consumo?
AF | Vivemos e operamos num mundo e em mercados cada vez mais pequenos, com múltiplos concorrentes, de onde a luta por cada cliente é extremamente dura. Estabelecer estratégias de inovação é o melhor caminho para defender o nosso espaço de mercado. Já não existem mercados nem clientes globais, existem filosofias próprias de produtos que impactam com filosofias próprias de consumo. Entender a quem não iremos vender é mais importante do que entender a quem vamos vender.
Briefing | A Loop abriu um Strategic Reflection Centre em Lisboa. O que motivou esta aposta?
AF | O modelo de negócio da Loop é baseado em atuar de forma local nos mercados onde opera, concentrarmo-nos nos mercado e não em dispersar as nossas vendas e, finalmente, em sermos o mais fortes possíveis naquilo que denominamos de “território Loop”. Espanha, Portugal, França, Suiça e Itália. Naturalmente que Portugal é o primeiro mercado, gostamos da ideia de “Ibéria”, mas além da nossa estratégia, acreditamos que temos um futuro comum com Portugal. Sentimo-nos muito confortáveis e convencidos que temos boas estratégias para competir e oferecer aos nossos clientes em Portugal. A Loop esforça-se por conseguir colocar um elemento latino nos players saxónicos da consultoria estratégica.
Briefing | Qual o investimento e quais os objetivos?
AF | O nosso modelo de expansão responde a um padrão estabelecido: um escritório nas capitais, nos centros das cidades, em edifícios particulares onde estabelecemos uma base para os nossos consultores e um centro de reflexão com os nossos clientes. Os objetivos são o de maximizar a nossa relação com uma série de clientes com potencial nas suas possibilidades de expansão e singularidade de negócio.
Briefing | O que a Loop traz de inovador para as marcas no mercado português?
AF | A Loop dispõe de um conjunto de serviços novos, baseados em explorar as oportunidades tendo como factor-base o diferencial de cada cliente, com o objetivo de competir tendo como fundamento o conceito de ser único. A Loop conseguiu colaborar com referências de mercado “únicas” como são a Imaginarium, Nespresso, Durex Play, Martini, etc. Dispomos de uma variedade de clientes portugueses com um alto potencial de impacto nos mercados internacionais, de se converterem em verdadeiras referências no sector em que se inserem. A estes oferecemos uma visão estratégica para liderar a nível conceptual nestes mercados.
Briefing | A Loop estabeleceu uma parceria com a EDP Inovação. Em que se traduz esse acordo?
AF | Estamos a colaborar com a EDP na nossa área de aceleração corporativa. Nas Startups em que a EDP investe, a Loop colabora em maximizar o seu modelo de negócio e em tentar relacionar as mesmas com os nossos clientes para que possam maximizar o seu modelo de negócio.
Briefing | Há novas parcerias com marcas portuguesas nos planos da empresa?
AF | Na Loop tentamos sempre relacionarmo-nos com os clientes para além do projeto. Neste sentido, a nossa relação com a Zippy, Worten, Delta, Sumol+Compal, Efapel, Unicer, etc vai mais além: é uma autêntica colaboração para potenciar o crescimento.
Briefing | Qual o mercado com mais peso no negócio da Loop?
AF | Logicamente o espanhol, embora tenhamos clientes que são em si mesmos um mercado, como por exemplo, a “Corporacion Mondragón”.
Briefing | Quais os próximos mercados no horizonte da Loop?
AF | Atualmente estamos a trabalhar para maximizar a nossa posição em França e pretendemos abrir o SRC (Strategic Reflection center) de Paris no final deste exercício. Possuímos já várias experiências no mercado francês, onde desenvolvemos projetos para clientes muito relevantes como a Danone, JC Decaux, Steel Case, Technal, etc.
Briefing | Que perspetivas para 2016?
AF | O nosso objetivo principal é o de maximizar a relação com os clientes, irmos juntos o mais longe possível e expandir mercados e serviços estratégicos. Em 2016, estamos a desenvolver fortemente a nossa área de aceleração corporativa (atualmente gerimos várias aceleradoras de clientes), potenciando a nossa área de desenvolvimento de produto (CDN) e consolidando a nossa posição em França. Pretendemos que até ao fim do ano, a Loop esteja já a atuar em França como um player local.


Criar diferentes categorias de produtos e implementá-los no mercado, desenvolvendo novas experiências de consumo, com foco no valor obtido com o serviço no momento de transação, é o objetivo da consultora Loop. E com um modelo de negócio baseado numa atuação local, a empresa espanhola já conta com um centro de estratégia em Portugal. França é o próximo país a juntar-se ao “território Loop”, tal como adianta o CEO Antoni Flores.