Rafa Flores, um dos sócios fundadores da Medeland, explicou à Lusa que
o sistema utiliza o consumo eléctrico dos aparelhos instalados em
qualquer casa para verificar, de forma imediata e com actualização
regular, o que cada um está a ver ou a ouvir.
Trata-se, como explicou Antonio Diaz, outro dos sócios da empresa, de
uma invenção que reconhece que “cada canal de televisão dispõe de um
consumo característico”, o que permite que, em qualquer momento, se
consiga saber o que está a ser visto ou ouvido.
Para o seu lançamento industrial e início de comercialização, a
Medeland antecipa custos de cinco milhões de euros, estimando que o
sistema possa estar operacional em finais de 2010 ou início de 2011.
Os fundadores da Medeland insistem que o seu sistema – sobre o qual
preferem não revelar pormenores enquanto negoceiam com eventuais
investidores – permite maior deinição do que os sistemas actualmente
usados no mundo, entre eles o mais comum, da TNS Sofres.
Com um único aparelho da Medeland é possível medir, por exemplo, vários
lares num mesmo edifício, sendo possível analisar qualquer plataforma,
analógica ou digital.
Isso permite, insistem os responsáveis, uma recolha de audiências muito
mais ampla do que os poucos milhares de aparelhos que agora medem o que
se vê e, com isso, ajudam a determinar o valor publicitário de estações
de televisão ou de programas.
O sistema permite igualmente analisar as audiências de rádio que,
actualmente, são medidas apenas por sondagens telefónicas ou na rua.
Rafa Flores garante que, no caso da rádio, é mesmo possível medir o que os motoristas ouvem quando conduzem.
“O sistema até permite medir a utilização de outros dispositivos
eléctricos existentes nos lares e assim torna-se em mais do que um
simples medidor de audiências, possibilitando analisar hábitos de
consumo”, frisou.
A TNS Sofres anunciou este ano um aumento do número de aparelhos que
usa para medir as audiências em Espanha – para 4.500 – a fim de ter uma
amostra maior, mas a fragmentação das audiências é um problema para as
medições.
Com a implantação da Televisão Digital Terrestre e outras inovações, o
sistema actual torna-se insuficiente para analisar verdadeiramente o
que se vê, como e quando.
A questão das audiências tem vindo a preocupar o sector audiovisual,
tanto em Espanha como noutros países – inclusive Portugal -, com alguns
dos principais grupos de comunicação do mundo a estudarem já
alternativas.
Anunciantes e empresas de publicidade têm defendido novos sistemas que
permitam medições mais exactas e que possam determinar programas-nicho
ou mercados mais reduzidos, direccionados, actualmente não
contabilizados.
Recentemente as principais empresas de comunicação, anunciantes e
agências de publicidade dos Estados Unidos criaram um novo projecto que
estudará novos métodos de audiência por televisão, telemóveis e
computadores, uma iniciativa que poderá acabar com a hegemonia de
empresas como a Nielsen.
O grupo, denominado Coligação para a Medição Inovadora de Meios de
Comunicação, engloba empresas como a Time Warner, a News Corp, a NBC
Universal, a CBS, a Disney, a Discovery e a Viacom.
Participam ainda a Procter & Gamble, a Unilever e a AT&T, além de várias agências de publicidade.
O projecto visa ultrapassar uma preocupação comum do grupo que afirma
que “os actuais sistemas de medição são incapazes de medir com precisão
os hábitos das audiências nas várias plataformas”.
ASP
Fonte: Lusa

