Neste debate entre políticos e jornalistas que são docentes do ISCEM, Miguel Relvas aproveitou para criticar a comunicação do Governo: “Eu, por exemplo, acordo aos fins-de-semana e sei que vão falar quatro ministros”.
“Nós respondemos um aos quatro e mesmo assim levamos pancada, dizem que não temos comunicação. São quatro que vivem para aquela esquizofrenia. Isto é estranho na circunstância em que estamos, porque os políticos que são Governo são pagos pelo erário público para governar”, criticou.
O secretário-geral do PSD reiterou ainda a posição do seu partido a favor da saída do Estado da comunicação social: “Este não é um setor para o Estado estar presente. Não tem lógica que o Estado esteja presente diariamente, com o dinheiro dos contribuintes, a tentar condicionar informação, e é essa a realidade que nós temos tido em Portugal”.
A jornalista da TVI Judite de Sousa foi a primeira a utilizar a expressão “esquizofrenia”, a propósito da forma como o PS e o PSD trocam acusações e se preparam para disputar eleições num momento em que “estão obrigados a entender-se”.
Depois, o jornalista e professor universitário espanhol Júlio César Herrero descreveu o jornalismo ibérico atual como “fácil, de declarações” e considerou que a comunicação social, apesar do poder que tem amplificar e até de “causar crises”.
Segundo Maria Flor Pedroso, da Antena 1, o número de emissões em direto dos canais de notícias em Portugal está a tornar os repórteres “pés de microfone” e causa situações em que os políticos falam “sem nada para dizer” e os jornalistas “não sabem o que perguntar”.
“Não há jornalismo sem edição”, afirmou.
Carlos Magno, também jornalista da RDP, perguntou se “há política para além do jornalismo” e se “há jornalismo político para lá do espetáculo mediático”.
Por sua vez, o deputado do PS António José Seguro questionou se “a comunicação social transmite realidades ou cria realidades”, apontou uma confusão entre opinião e notícia no jornalismo português e pediu “mais verdade, mais informação esclarecida”.
“Aquilo que eu julgo que é preciso muito em Portugal é mais verdade, é mais informação esclarecida, é mais coerência, porque isso faz a separação entre os políticos rigorosos e exigentes e os que não são”, disse.
Quanto ao debate político em Portugal, Seguro considerou que é mais “em torno de personalidades” do que “da substância” e mais “numa lógica de trincheiras do que de convergência”.
“Atenção, não estou com isto a dizer que os partidos políticos e os políticos devem abandonar as suas convicções, bem pelo contrário, ou que deixem de afirmar a sua matriz ideológica – bem pelo contrário, bem gostaria eu que em Portugal houvesse menos elasticidade ideológica e mais respeito pelas matrizes dos próprios partidos”, acrescentou.
O deputado do PS interrogou ainda se “hoje há tempo para a política” e reclamou que seja respeitada a sua opção de falar quando entende que tem “alguma coisa a dizer”.
IEL
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