Briefing: Esta é a oitava edição do Festival dos Oceanos. Que grandes novidades destaca este ano?
Ana Fernandes: O eixo programático tem-se mantido ao longo de todas as edições, primando sempre por trazer a Lisboa espectáculos e iniciativas surpreendentes e inovadoras. Por esta razão, todos os anos, a programação é pautada por grandes novidades, dirigidas a todas as faixas etárias. Este ano, em que é apresentada a candidatura a Património Cultural da Humanidade, um dos grandes destaques da programação do Festival é o Fado, género amado pelos portugueses e adorado por estrangeiros. Com quatro espectáculos inéditos, integrados na iniciativa “O Fado Convida…”, Ana Moura, Maria Ana Bobone, Ana Sofia Varela e António Zambujo sobem ao palco com vários artistas oriundos de diferentes pontos do globo, da Índia ao Brasil, para concertos agradavelmente inesperados. Os espectáculos Waterwall e Muaré, a decorrer nos próximos fins-de-semana, são a prova de que o Festival é feito de iniciativas de vanguarda, sobretudo no que respeita à actuações de rua. E mais uma vez, cumprindo a tradição, voltamos a trazer a Portugal um grande nome da música internacional, neste ano cabendo o protagonismo à jovem diva do soul Joss Stone.
B: Se tivesse que destacar o principal objectivo da iniciativa, a sua missão, qual seria?
AF: Uma das grandes missões do Festival dos Oceanos é promover o aumento do fluxo turístico da cidade de Lisboa, principalmente num dos meses de menor afluência de turistas, como é Agosto. O Festival dos Oceanos está, inclusivamente, em linha com o Plano Estratégico do Turismo de Lisboa, que recomenda a realização de iniciativas favorecedoras do aumento da notoriedade da capital portuguesa, e fá-lo através da promoção cultural da cidade centrada, nomeadamente, no Eixo Ribeirinho.
B: O acesso aos espectáculos e às demais iniciativas do programa é gratuito. É um investimento suportável?
AF: A aposta nas iniciativas de entrada gratuita permite-nos ter um retorno bastante positivo, sobretudo quando falamos em termos de adesão ao Festival por parte do público e talvez seja essa a fórmula para o sucesso desta iniciativa, rentável para a dinamização da cidade. Apesar de ter havido um ligeiro corte orçamental, não houve de todo uma falta de investimento no Festival dos Oceanos, que continua a primar pela diversidade e qualidade da programação. A somar ao investimento do Turismo de Lisboa e do Turismo de Portugal, o apoio de patrocinadores como o Continente e a Pascoal e de outras empresas e entidades que suportam a produção deste evento, como a Sagres (bebida oficial), Renault (veículos oficiais), CP (transporte oficial) e Sana Metropolitan Lisboa (hotel oficial), é essencial para manter o Festival nestes moldes e satisfazer o público, cada vez com menos disponibilidade financeira.
B: Qual foi o maior desafio na concepção e produção deste Festival?
AF: A fasquia para este ano está, sem dúvida, bastante elevada. O Festival dos Oceanos é já um evento reconhecido pelo público – português e internacional – e, claro, enquanto organização queremos sempre fazer mais e melhor. Toda a concepção de um evento deste género é um desafio: desde a contratação dos artistas, às licenças de utilização do espaço público, angariação de patrocínios e parcerias, e depois, quando o evento começa, esperamos naturalmente que o público reaja positivamente e que não existam percalços de maior. A montagem dos espectáculos de rua constitui sempre um desafio, no bom sentido. Ali estamos nós, a montar um grande palco ou alguma grande estrutura, e as pessoas vão passando e ficam a olhar e a tirar fotografias. De um modo geral, o balanço tem sido muito positivo e pode dizer-se que é uma aposta ganha do Turismo de Lisboa para atrair quer os habitantes da cidade, quer turistas nacionais e estrangeiros.
B: O Festival atrai em média 350 mil pessoas em cada edição. Esperam ver repetida esta afluência na edição de 2011? Que expectativas tem a organização para este ano?
AF: Esperamos sempre mais. Principalmente nos tempos que correm em que, cada vez mais, é difícil para as famílias conseguirem tirar uns dias de férias, o Festival dos Oceanos pode ser uma alternativa para se divertirem na cidade. Todas as iniciativas são gratuitas e, de ano para ano, tentamos melhorar e diversificar a programação para atrairmos o maior número possível de espectadores. Este ano temos, por exemplo, 27 museus de Lisboa abertos à noite – entre as 18h00 e as 00h00, nos dias 4 e 11 de Agosto –, que pode ser uma oportunidade para conhecer aqueles sítios emblemáticos de Lisboa, por onde passamos diariamente, mas onde nunca entrámos.
B: Há quanto tempo está a ser preparado o Festival? Quantas pessoas estão envolvidas no processo?
AF: O Festival dos Oceanos começa a ser preparado com meses de antecedência. Aliás, a edição de 2011 começa amanhã e já estamos na expectativa da edição do próximo ano. Mas em “full-time”, cerca de 6 meses antes. Durante todo este processo, a equipa permanente engloba cerca de 150 pessoas, para além de produtores, engenheiros de som e de luz, assessores de imprensa e, claro, os próprios artistas.
| Festival dos Oceanos 2011 – Programação
Concerto de Abertura O Fado Convida… Espectáculo Waterwall Veleiro Santa Maria Manuela Espectáculo Muaré Espectáculo de Encerramento (Piro-Musical) Museus à Noite Clube Pequenos Descobridores Universo de Luz Exposição National Geographic Mascote do Festival dos Oceanos |
Fonte: Briefing


