Festival dos Oceanos é já “uma aposta ganha”

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Arranca este Sábado mais um Festival dos Oceanos, promovido pelo Turismo de Lisboa. De 30 de Julho a 13 de Agosto, a cidade serve de palco a uma série de eventos de acesso gratuito – concertos, exposições, teatro de rua, museus abertos à noite e outras actividades interactivas – com o objectivo de “promover o aumento do fluxo turístico da cidade de Lisboa” e combater a sazonalidade. Naquela que é a oitava edição do evento, a organização assume que “a fasquia para este ano está bastante elevada”, tal como referiu ao Briefing Ana Fernandes, administradora da Realizar e responsável pelo Festival.

Briefing: Esta é a oitava edição do Festival dos Oceanos. Que grandes novidades destaca este ano?ana_fernandes_realizar
Ana Fernandes: O eixo programático tem-se mantido ao longo de todas as edições, primando sempre por trazer a Lisboa espectáculos e iniciativas surpreendentes e inovadoras. Por esta razão, todos os anos, a programação é pautada por grandes novidades, dirigidas a todas as faixas etárias. Este ano, em que é apresentada a candidatura a Património Cultural da Humanidade, um dos grandes destaques da programação do Festival é o Fado, género amado pelos portugueses e adorado por estrangeiros. Com quatro espectáculos inéditos, integrados na iniciativa “O Fado Convida…”, Ana Moura, Maria Ana Bobone, Ana Sofia Varela e António Zambujo sobem ao palco com vários artistas oriundos de diferentes pontos do globo, da Índia ao Brasil, para  concertos agradavelmente inesperados. Os espectáculos Waterwall e Muaré, a decorrer nos próximos fins-de-semana, são a prova de que o Festival é feito de iniciativas de vanguarda, sobretudo no que respeita à actuações de rua. E mais uma vez, cumprindo a tradição, voltamos a trazer a Portugal um grande nome da música internacional, neste ano cabendo o protagonismo à jovem diva do soul Joss Stone.

B: Se tivesse que destacar o principal objectivo da iniciativa, a sua missão, qual seria?
AF: Uma das grandes missões do Festival dos Oceanos é promover o aumento do fluxo turístico da cidade de Lisboa, principalmente num dos meses de menor afluência de turistas, como é Agosto. O Festival dos Oceanos está, inclusivamente, em linha com o Plano Estratégico do Turismo de Lisboa, que recomenda a realização de iniciativas favorecedoras do aumento da notoriedade da capital portuguesa, e fá-lo através da promoção cultural da cidade centrada, nomeadamente, no Eixo Ribeirinho.

B: O acesso aos espectáculos e às demais iniciativas do programa é gratuito. É um investimento suportável?
AF: A aposta nas iniciativas de entrada gratuita permite-nos ter um retorno bastante positivo, sobretudo quando  falamos em termos de adesão ao Festival por parte do público e talvez seja essa a fórmula para o sucesso desta iniciativa, rentável para a dinamização da cidade. Apesar de ter havido um ligeiro corte orçamental, não houve de todo uma falta de investimento no Festival dos Oceanos, que continua a primar pela diversidade e qualidade da programação. A somar ao investimento do Turismo de Lisboa e do Turismo de Portugal, o apoio de patrocinadores como o Continente e a Pascoal e de outras empresas e entidades que suportam a produção deste evento, como a Sagres (bebida oficial), Renault (veículos oficiais), CP (transporte oficial) e Sana Metropolitan Lisboa (hotel oficial), é essencial para manter o Festival nestes moldes e satisfazer o público, cada vez com menos disponibilidade financeira.

B: Qual foi o maior desafio na concepção e produção deste Festival?
AF: A fasquia para este ano está, sem dúvida, bastante elevada. O Festival dos Oceanos é já um evento reconhecido pelo público – português e internacional – e, claro, enquanto organização queremos sempre fazer mais e melhor. Toda a concepção de um evento deste género é um desafio: desde a contratação dos artistas, às licenças de utilização do espaço público, angariação de patrocínios e parcerias, e depois, quando o evento começa, esperamos naturalmente que o público reaja positivamente e que não existam percalços de maior. A montagem dos espectáculos de rua constitui sempre um desafio, no bom sentido. Ali estamos nós, a montar um grande palco ou alguma grande estrutura, e as pessoas vão passando e ficam a olhar e a tirar fotografias. De um modo geral, o balanço tem sido muito positivo e pode dizer-se que é uma aposta ganha do Turismo de Lisboa para atrair quer os habitantes da cidade, quer turistas nacionais e estrangeiros.

B: O Festival atrai em média 350 mil pessoas em cada edição. Esperam ver repetida esta afluência na edição de 2011? Que expectativas tem a organização para este ano?
AF: Esperamos sempre mais. Principalmente nos tempos que correm em que, cada vez mais, é difícil para as famílias conseguirem tirar uns dias de férias, o Festival dos Oceanos pode ser uma alternativa para se divertirem na cidade. Todas as iniciativas são gratuitas e, de ano para ano, tentamos melhorar e diversificar a programação para atrairmos o maior número possível de espectadores. Este ano temos, por exemplo, 27 museus de Lisboa abertos à noite – entre as 18h00 e as 00h00, nos dias 4 e 11 de Agosto –, que pode ser uma oportunidade para conhecer aqueles sítios emblemáticos de Lisboa, por onde passamos diariamente, mas onde nunca entrámos.

B: Há quanto tempo está a ser preparado o Festival? Quantas pessoas estão envolvidas no processo?
AF: O Festival dos Oceanos começa a ser preparado com meses de antecedência. Aliás, a edição de 2011 começa amanhã e já estamos na expectativa da edição do próximo ano. Mas em “full-time”, cerca de 6 meses antes. Durante todo este processo, a equipa permanente engloba cerca de 150 pessoas, para além de produtores, engenheiros de som e de luz, assessores de imprensa e, claro, os próprios artistas.

Festival dos Oceanos 2011 – Programação

Concerto de Abertura
30 de Julho – Praça do Comércio – 21h00
Joss Stone é a cabeça-de-cartaz do Concerto de Abertura do Festival dos Oceanos. A diva da soul music mundial, que traz a Portugal o seu novo álbum, vai partilhar o palco com Sara Tavares, num dueto muito especial. A primeira parte do espectáculo, como não poderia deixar de ser, está a cargo de uma banda portuguesa. Os X-Wife fazem as “honras da casa”.

O Fado Convida…
1, 3, 8 e 10 de Agosto – Pátio da Galé – 22h00
O renovado Pátio da Galé, junto à Praça do Comércio, é o espaço anfitrião para “O Fado Convida…”. O Fado, uma das formas culturais mais representativas de Portugal, tem este ano um lugar especial na programação do Festival. Durante quatro noites, quatro fadistas portugueses convidam vários artistas internacionais. A não perder, o cruzamento deste género musical com a música brasileira, angolana ou indiana.
Programa “O Fado Convida…”:
01 de Agosto | António Zambuja convida Roberta Sá (Brasil)
03 de Agosto | Ana Sofia Varela convida Yami (Angola) e Ritinha Lobo (Cabo Verde).
08 de Agosto | Ana Moura convida Ray Lema
10 de Agosto | Maria Ana Bobone convida Sónia Shirsat (Índia)

Espectáculo Waterwall
5 e 6 de Agosto – Praça do Comércio – 22h00
Durante cerca de uma hora, um inédito espectáculo de som e imagem invade a Praça do Comércio. Dança, água, luz e movimento fundem-se para animar as noites de 5 e 6 de Agosto.

Veleiro Santa Maria Manuela
5 e 6 de Agosto – Marina Parque das Nações – 10h00-23h00
7 de Agosto – Marina Parque das Nações – 10h00-18h00
Pela primeira vez em Portugal, uma Expedição Científica Oceânica juntará investigadores universitários, estudantes e turistas a bordo de um magnífico e mítico veleiro.

Espectáculo Muaré
12 e 13 de Agosto –  Praça do Comércio – 22h00
Muaré atreve-se a regressar ao momento em que a ciência e a arte permanecem unidas, optimistas num promissor e bem sucedido futuro. Um espectáculo de som, de diferentes tonalidades ou texturas, e batidas ritmadas, acompanhado ao vivo pela banda Duchamp Pilot, invade a Praça do Comércio.

Espectáculo de Encerramento (Piro-Musical)
13 de Agosto – Cais das Colunas – após o último espectáculo “Muaré”
Para culminar os 15 dias de espectáculos e muitas atracções, o Festival dos Oceanos 2011 encerrará com um espectáculo de pirotecnia, ao som de uma música criada para o momento, tendo o Rio Tejo como cenário.

Museus à Noite
04 e 11 de Agosto – Vários museus da cidade
Já vai na sua terceira edição e tem sido um dos grandes sucessos do Festival dos Oceanos. A iniciativa “Museus à Noite” reúne mais de duas dezenas de museus da cidade que abrem as suas portas para visitas gratuitas fora-de-horas, entre as 18h00 à meia-noite. Ver listagem completa em www.festivaldosoceanos.com

Clube Pequenos Descobridores
30 de Julho a 13 de Agosto – Marina Parque das Nações – 10h às 19h
Neste espaço, as crianças, através de vários ateliês, podem conhecer mais um pouco sobre oceanos e as descobertas portuguesas pelo Mundo. O Clube Pequenos Descobridores está instalado na Caravela Vera Cruz, uma réplica exacta das antigas caravelas portuguesas, construída no ano 2000 em Vila do Conde, no âmbito da comemoração dos 500 anos do Descobrimento do Brasil.

Universo de Luz
30 de Julho a 13 de Agosto  – Praça de D. Pedro IV (Rossio) – 10h00 às 19h00
Luminarium é inspirado pelas formas puras da geometria e da natureza, pela arquitectura islâmica e as catedrais góticas, juntando os vários povos e culturas. É um espaço para relaxar, recarregar energias. O mundo lá fora desaparece, e os visitantes são transportados para um mundo de luz. Um espaço que transmite a luz natural, formando áreas coloridas, através de túneis/labirintos.

Exposição National Geographic
30 de Julho a 13 de Agosto – Praça do Império (Belém)
Mais uma vez a National Geographic associa-se ao Festival dos Oceanos. Este ano com um formato mais arrojado, a exposição realizar-se-á em Belém, junto ao Mosteiro dos Jerónimos, com o tema sobre recursos hídricos, poluição, biodiversidade, escassez, desperdício e educação, tendo como base: “A água que bebemos hoje é a mesma que existia no tempo dos dinossauros. Mas continuará ela a existir à medida que a população crescer?”

Mascote do Festival dos Oceanos
O Festival dos Oceanos conta com um novo amigo: uma gaivota. Ao longo de quinze dias, os mais pequenos podem contar com a sua boa disposição em várias actividades lúdica. A mascote não tem, no entanto, um nome definido. Caberá ao público escolher o seu nome. Basta aceder ao Facebook ou a página oficial do evento, para sugerirem os nomes mais divertidos e originais. Entre os três melhores será escolhido o vencedor.


Fonte: Briefing

Sexta-feira, 29 Julho 2011 11:21


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