Galp e ISA dão energia a novo vinho

A Galp e o Instituto Superior de Agronomia (ISA) apresentam a primeira colheita de uvas cultivadas sob painéis solares em Portugal. Depois de dois anos de ensaios, a experiência dá agora origem ao “Luz da Tapada”, uma edição especial de 400 garrafas.

Galp e ISA dão energia a novo vinho

O projeto-piloto, realizado nas castas Viosinho e Encruzado, permitiu acompanhar dois ciclos de produção e medir o impacto dos painéis nas condições microclimáticas da vinha. Os ensaios mostraram igualmente alterações na taxa de maturação das uvas. Em 2025, primeiro ano em que foi possível acompanhar um ciclo vegetativo completo sob os painéis, a colheita ocorreu entre dez e 22 dias mais tarde do que na parcela de controlo. Já em 2024, apesar de os painéis terem sido instalados já numa fase avançada do ciclo vegetativo, a maturação ocorreu cerca de duas a três semanas mais tarde.

Em representação da equipa do Instituto Superior de Agronomia, o professor Carlos Lopes explica que, ao longo dos últimos dois anos, foi estudado em detalhe o impacto dos painéis da vinha. Este processo foi das medições de temperatura, radiação, humidade e maturação à produção efetiva de um vinho experimental a partir de uvas cultivadas num sistema agrovoltaico, que é materializado pelo “Luz da Tapada”.

A iniciativa demonstra também a possibilidade de combinar, numa mesma área, produção agrícola e geração de energia renovável. Neste caso, a energia produzida destina-se ao autoconsumo no campus do ISA e permite responder a cerca de 25 % do seu consumo energético. A instalação elevada dos painéis permite, simultaneamente, manter as operações agrícolas na vinha, incluindo a circulação de pessoas e equipamentos.

“Mais do que um projeto de produção de energia, esta experiência permite avaliar a forma como a presença dos painéis altera as condições em que as plantas se desenvolvem e como essas alterações podem contribuir para uma agricultura mais resiliente” afirma o administrador executivo da Galp responsável pelas áreas das Renováveis e da Inovação. “Com este projeto, mostramos também como o agrovoltaico pode conciliar produção agrícola e energia renovável no mesmo espaço”, acrescenta Georgios Papadimitriou.

A experiência adquirida nesta iniciativa está já a ser transposta para outros contextos agrícolas. A insígnia está a testar a aplicação da tecnologia em culturas de maçã e mirtilo, nas regiões Oeste e Norte do País.

Simão Raposo

Sexta-feira, 25 Setembro 2026 11:26


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