Happiness Camp quer colocar o Porto no centro da discussão global sobre o futuro do trabalho

O Happiness Camp regressa ao Porto, a 24 de setembro, para uma quarta edição dedicada à sustentabilidade humana. Em conversa com a Briefing, o fundador e CEO, António Pedro Pinto, defende que as empresas precisam de ir além dos programas de bem-estar e criar culturas que previnam o desgaste das pessoas. O evento apresenta um formato de festival corporativo, novos nomes internacionais e um Conselho Executivo global que ajudará a definir a agenda da sustentabilidade humana ao longo do ano.

Happiness Camp quer colocar o Porto no centro da discussão global sobre o futuro do trabalho

O que começou como uma experiência interna transformou-se numa das maiores conferências europeias dedicadas à sustentabilidade humana. Na sua quarta edição, o Happiness Camp regressa ao Porto com uma proposta que vai muito além da tradicional discussão sobre felicidade nas empresas. O objetivo é colocar as pessoas no centro da estratégia organizacional e promover uma reflexão mais profunda sobre liderança, cultura, saúde mental, tecnologia e desempenho sustentável.

Para o fundador e CEO do Happiness Camp, António Pedro Pinto, a crescente relevância do tema resulta de uma realidade impossível de ignorar. “Quase um em dois colaboradores no mundo afirma ter burnout no trabalho” e “91 % dos profissionais, entre os 18 e os 24 anos, relatam sintomas de burnout causados pelo trabalho”, refere. Perante este cenário, considera que as organizações já perceberam que o bem-estar não pode ser tratado como um benefício isolado.

“Durante muito tempo, quando se falava de experiência de colaborador, falava-se maioritariamente só do salário. Mas a verdade é que o salário não representa tudo aquilo que uma pessoa vive dentro de uma empresa”, afirma. Para o responsável, o foco deve estar na criação de ambientes de trabalho saudáveis desde a origem. “A grande pergunta deixou de ser como compensamos o desgaste. É muito mais uma questão de como é que criamos ambientes de trabalho que não geram esse desgaste desde o início”, defende.

É precisamente por essa razão que o Happiness Camp prefere falar de sustentabilidade humana em vez de felicidade corporativa. “A sustentabilidade humana é colocar as pessoas no centro da forma como as empresas funcionam, não como um benefício isolado, mas como uma estratégia de liderança, de cultura e de gestão diária”, sustenta.

A edição de 2026 contará com dois palcos temáticos, masterclasses certificadas, uma área dedicada ao bem-estar e uma zona de expositores com soluções ligadas à sustentabilidade humana. O programa inclui ainda temas como inteligência artificial, ética tecnológica, burnout cognitivo, liderança, desenvolvimento de talento e saúde mental.

Entre os destaques, estão representantes de organizações globais como a Salesforce, Nokia e Wellhub, bem como especialistas internacionais que discutirão os desafios emergentes do mundo do trabalho. António Pedro Pinto acredita que o posicionamento conquistado pelo evento facilita a atração destes nomes. “Nós fazemos-lhes chegar um e-mail em que apresentamos o projeto e eles rapidamente conseguem perceber que o trabalho que estamos a fazer é um trabalho sério, com um impacto real”, explica.

A evolução do Happiness Camp também se reflete no formato. Assumindo-se cada vez mais como um “festival corporativo”, o evento combina conhecimento, networking, arte e experiências de bem-estar. “As conferências, hoje em dia, têm de ser uma experiência. Já ninguém quer sentar-se numa sala e estar ali para ser debitada matéria”, defende o fundador.

O reforço da ambição internacional do Happiness Camp materializa-se também na criação de um Conselho Executivo global, que reúne líderes responsáveis por estratégias de bem-estar e transformação organizacional em algumas das maiores empresas do mundo. Entre os nomes anunciados, estão a Global Head of Wellbeing & Inclusion da Nokia, Riddima Kowley; a Global Head of Wellbeing & Mental Health da Salesforce, Felicia Cheng; e o CEO e fundador da Wellhub, César Carvalho. É presidido pela diretora de Impacto & Comunidade do Happiness Camp, Jen Fisher. Segundo António Pedro Pinto – que também faz parte –, este grupo ajudará a “pensar, estruturar e desenvolver” a agenda do projeto ao longo do ano, garantindo uma perspetiva internacional sobre os desafios do futuro do trabalho.

Apesar de os convites para internacionalizar o conceito, a organização mantém o foco em Portugal. “Queremos transformar Portugal quase que na capital europeia da sustentabilidade humana”, afirma. E os números parecem validar essa ambição: três semanas após a abertura das inscrições, cerca de 60 % dos participantes registados eram internacionais.

Mais do que uma conferência, o Happiness Camp quer afirmar-se como uma plataforma global de conhecimento produzida a partir do Porto. Uma visão que procura posicionar a cidade no mapa das grandes discussões sobre o futuro do trabalho e da sociedade.

Carolina Neves

Quarta-feira, 03 Junho 2026 09:24


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