A conferência contou com parceria da Microsoft e procurou recolocar em cima da mesa os grandes desafios que advêm da fragmentação e convergência dos meios, sobretudo nos meios de ecrã: o telemóvel, o computador e a televisão. Hugo Faria, director estratégico da OMG Digital, fala ao Briefing sobre o encontro.
Briefing: Tendo em conta o tema, quais são as grandes tendências que verificam para estes “3 ecrãs”?
Hugo Faria: Conseguimos identificar 5 grandes “take aways”, 5 grandes eixos de tendências que se apresentam para quem trabalha no mundo da comunicação e das marcas: mobilidade, rapidez, convergência das plataformas, gesto natural, segmentação/personalização (ver caixa).
B: E que grandes conclusões foram retiradas desta conferência?
HF: O encontro não foi tanto para tirar conclusões, mas mais para explorar possibilidades. Ainda assim, se tivesse que tirar uma conclusão deste evento, é que o consumidor tem um consumo cada vez mais fragmentado, e por isso mais complexo. Ele consome conteúdos em todo o lado, mas há uma convergência para o digital. Por isso, o tipo de conteúdos que temos que criar têm que estar preparados para todas estas novas plataformas. Para quem trabalha em comunicação, quem trabalha marcas, este factor traz consequências: já não podemos olhar para a comunicação com os modelos e com os “mindsets” que tínhamos antes. Já não serve agarrar no que se faz para os formatos tradicionais e clonar para o digital. E por outro lado, reconfirma-se a importância vital e central dos conteúdos como o “touch point” emocional com os consumidores.
B: Diria que os marketeers estão atentos a estas tendências?
HF: Sem dúvida que estão atentos. Mas têm alguns constrangimentos, porque no digital as coisas mudam tão rápido que eles não podem andar a correr atrás da moda. Têm que primeiro identificar claramente os denominadores comuns antes de fazerem qualquer coisa. Temos bons marketeers em Portugal, que trabalham bem as nossas marcas. Nem todos estão mandatados para serem “first movers”, mas já se começam a ver passos importantes no sentido de ter um novo “mindset” e olhar de forma diferente para esta abordagem dos 3 ecrãs.
| Mobilidade «Há cada vez mais mobilidade, com os telemóveis, com os iPads, com os computadores que são cada vez mais leves, mais portáteis. E isso tem consequências para a media, porque temos um consumidor que é cada vez mais acessível “any time, anywhere”. Temos algumas práticas de media no mercado que estão ainda muito condicionadas ao “onde” e ao “quando”. Há aqui uma diferença grande: antes tínhamos o “prime time”, agora temos cada vez mais o “my time”. Há dois ou três anos, conseguíamos traçar o perfil de consumo, em que podíamos dizer que as pessoas de manhã ouvem rádio, durante o dia no trabalho estão na internet, e à noite vêem televisão. E hoje isso já não acontece. Agora temos que impactar quase a 24/7. Temos mais “touch points” e os conteúdos passam a ter cada vez mais importância na comunicação.» Rapidez Convergência das plataformas Gesto Natural Segmentação / Personalização |
Fonte: Briefing

