Bastos e Silva foi o primeiro diretor de publicidade da SIC e, antes de assumir a direção-geral, desempenhava as funções de diretor comercial.
Presidiu também à CAEM – Comissão de Análise de Estudos de Meios.
Era licenciado em Psicologia Clínica pelo ISPA.
A propósito da sua morte, o Briefing publica o testemunho de Luís Mergulhão, que com ele conviveu, nomeadamente na CAEM:
“Até já Zé Alberto.
Fui, fomos muitos de nós apanhados hoje de surpresa com a notícia da morte de Bastos e Silva. Não que racionalmente não o prevíssemos, mas porque não a queríamos, como ele tão frontal e estoicamente a afastou nos últimos anos.
Para tantos, talvez mais do que ele julgava – é sempre assim, a amizade só se “mede” muitas vezes em momentos dolorosos e trágicos (como pudesse ser possível medir a amizade!) – o Zé Alberto era um Amigo.
E se dos amigos perdoamos tudo, dele, pouco tinhamos a perdoar, pelos valores éticos, de hombridade, de solidariedade e humanos com que ele marcava a sua actuação, desde a mais pequena acção até às grandes decisões na sua vida empresarial. Foram esses valores que deram uma dimensão extraordinária à sua capacidade empreendedora, visionária, a que aliava o diálogo, o nunca acabar nenhuma situação em ruptura, mesmo que o acordo nem sempre fosse possível.
A Indústria dos Media em Portugal deve muito a Bastos e Silva, pela sua acção de liderança (que nem sempre se pode confundir com dimensão), de inovação, de conseguir criar valor, de construir parcerias consistentes e duradouras. Muito do que são hoje os modelos de negócios, o desenho de conteúdos produzidos ou veiculados pelos media, as convenções e bases de trabalho e de informação, mesmo as diversas plataformas de diálogo e de colaboração da indústria, tiveram a impressão digital de Bastos e Silva na sua génese, e muitas delas mesmo contaram com a sua participação activa.
Perdemos um dos nossos, mas o seu trabalho e obra estão bem presentes e perduram no tempo.
Mas, talvez mais importante do que tudo, vale a lição que ele sempre nos deu de nunca desistir, esmorecer, ou deixar-se abater pelo cansaço, pelo desânimo. Tanto na actividade profissional, como na Vida.
Até já, Zé Alberto.
Luís Mergulhão”
Fonte: Briefing


