Briefing | Uma direção criativa tripla (João Rosa, Pedro Magalhães e Rui Soares). Quais as vantagens?
Miguel Figueiredo | A vantagem é clara: especialização sem perder integração. O mundo é hoje mais complexo. Não há dúvidas disso. Como agência, nós temos que ser capazes de lidar com essa complexidade e para isso precisamos de especialistas em diversas áreas. Mas ao mesmo tempo, é necessário simplificar a vida aos nossos clientes. E simplificar hoje significa integrar, sermos capazes de ultrapassar um desafio utilizando todas as disciplinas que estão a o nosso alcance. Para que isso seja bem feito, nós próprios, enquanto agência, temos que estar totalmente integrados e essa integração começa desde logo no departamento criativo. Daí termos três diretores criativos, cada um com a sua especialização: a palavra, a imagem, a tecnologia.
Briefing | Disse, no comunicado em que foi anunciada a nova direção criativa, que o Pedro e o Rui iniciavam uma nova etapa da agência. Que etapa é essa?
MF | Sempre que mudam pessoas chave numa organização, a própria organização muda. O facto de agora termos três em vez de dois diretores criativos vai ter certamente implicações, até pela personalidade e histórico de cada um deles. Acredito que esta nova etapa que começa vai permitir que a excentricGrey se afirme como uma séria concorrente a melhor agência em Portugal.
Briefing | Como tenciona afirmar-se como agência full service?
MF | Só vejo uma única maneira: por provas dadas. Pretendemos demonstrar que uma marca que esteja entregue a uma agência full service, que funcione numa lógica de total integração como a excentricGrey, atinge melhores resultados. Neste momento temos já alguns clientes a funcionar assim connosco, mas precisamos de desenvolver mais trabalho neste formato.
Briefing | Que balanço faz dos primeiros meses do ano? A retoma chegou mesmo ao investimento publicitário ou é otimismo?
MF | Faço um balanço positivo por aquilo que a excentricGrey conseguiu alcançar, mas mantenho-me muito reservado relativamente ao futuro do mercado publicitário em Portugal. A crise económica está longe de ter terminado e os sinais positivos teimam em chegar à nossa indústria.
Briefing | A excentricGrey conquistou um grande cliente logo após a fusão. Que importância teve para o negócio da agência?
MF | Foi muito importante para dar credibilidade ao nosso projeto de agência integrada e para energizar toda a equipa.
Briefing | Aquando da junção das agências, disse que não era uma fusão, mas um reset no sector, já aconteceu? Em que medida?
MF | Continuo a acreditar profundamente que, no futuro, mais agências serão como a nossa. Essa será, aliás, a norma do mercado e é por isso que falei de reset. Mas este é, no entanto, um modelo extremamente difícil de implementar pois requer o domínio de uma diversidade grande e complexa de especialidades que requerem não só dimensão em número de pessoas, mas sobretudo que a própria equipa que lidera a agência se sinta confortável e capaz de liderar todas essas áreas. E não é fácil encontrar pessoas com esse perfil.

Foi em nome da integração que a excentricGrey optou por uma direção criativa tripla. É mais um passo para ser uma agência full service, como explica em entrevista ao Briefing o ceo, Miguel Figueiredo. E uma nova etapa que – acredita – fará da excentricGrey uma série candidata a agência portuguesa do ano.