Mas a pergunta merece resposta e eu darei duas. A primeira, resume o que eu desejaria que acontecesse, a segunda, aquilo é possível que o mercado que faça acontecer.
Eu espero em 2016 ter novas e boas ideias para contar novas e boas histórias. Histórias que façam parar, que conquistem a atenção, histórias que expliquem e bem, e se me permitirem sonhar, histórias que comovam. É preciso comoção, para haver transformação. E é preciso transformar, a forma de estar e de viver, é preciso transformar a forma de consumir. Em 2016 gostava de ver deixar de ser o um nicho, o grupo de consumidores que junta a consciência e conhecimento, ao preço e disponibilidade dos produtos e serviços que consomem. Ver novos comportamentos a influenciar decisões do dia a dia e não apenas que curso tirar ou com quem casar. Decisões que levem as marcas a mexer nos empoeirados parágrafos da sua missão e valores, agora que já sabemos que todas as marcas são eticamente responsáveis e transparentes, gostaríamos de saber outras coisas, e com maior tangibilidade, de onde vêm os ingredientes? Em que condições trabalham as pessoas que produzem o que nos aparece comodamente em prateleiras? Que métodos são usados e que impacto têm no ambiente? Gostaria de ver novos e grandes “rótulos” nos produtos e nos contractos. Gostaria de ver menos notícias más, sobre lugares só aparentemente longínquos, já que na maioria estão dentro de nossa casa e sobre o nosso corpo. Há um bocadinho de Bangladesh em todos os roupeiros.
E o mercado, o que gostaria o mercado que acontecesse? Mais novidade. Há uma sede insaciável de novidade e um mundo inteiro pronto a fornecê-la. Entre as muitas possíveis novidades, existem várias que parecem receber um esmagador e conivente apoio de diferentes e credíveis fornecedores de opinião.
Vídeo matou tudo e não apenas as estrelas da rádio.
Mais de 50% do tráfego móvel, corresponde a conteúdos vídeo, em 2018 espera-se que seja 80%. As marcas estão finalmente a perceber que é melhor ter o roll todo e não ficar pelo pre-roll. Em 2015 a Isobar fez 10 vezes mais vídeos para marcas que em 2014, em 2016 este crescimento não dá sinais de abrandar, pelo contrário. O Facebook™ está já testar um newsfeed só com vídeo.
O lugar importa
Mais de 70% dos adultos usa hoje um smartphone, entre estes 63% admite levá-lo para a casa de banho. Não é por isso de admirar ser hoje possível criar perfis geo-comportamentais muito precisos. O que nos permite dotar o o mundo físico de um nível de conhecimento comportamental que só o meio online até agora poderia fornecer. Isto significa que será possível usar esta informação para despoletar o acesso a informação geograficamente sensível. Se juntarmos à utilização de smartphones a cada vez maior popularidade de tecnologias como os iBeacons, veremos com certeza em 2016 novas plataformas de contacto com os consumidores que estão aqui e não ali.
A realidade realmente virtual
Tudo indica que 2016 será o ano que em veremos finalmente por que pagou o Facebook™ tantos milhões pela Oculus, a realidade virtual dá finalmente robustos sinais de vida e começa a ser usada pelas marcas, os benefícios podem ser muitos, até para o ambiente. Experimentar, experimentar mesmo, antes de adquirir é apenas um de muitos benefícios e utilizações desta possibilidade tecnológica. Em 2015 foi anunciada a VRAN, a primeira rede de publicidade que permite aos anunciantes comprar espaço de media com e em ambientes de realidade aumentada.
Informação, informação e mais informação
Em 2016 é de esperar que surjam novas formas de aceder e consumir informação, sistemas dotados de algoritmos mais inteligentes, filtros sensíveis, mais próximos de verdadeiros curadores pessoais. Consequentemente terão de surgir novos modelos de fazer e distribuir publicidade em novos contextos de consumo de informação. A compra programática já é disso um reflexo direto.
Inteligência Artificial
E se a Siri para além de uma voz tiver um dia um “cérebro”?
2016 parece ser o ano em que veremos as primeiras aplicações práticas e acessíveis a todos de inteligência artificial. Google e IBM degladiam-se numa frenética espiral de press-releases, anunciando todos os avanços e as maiores virtudes da tecnologia. Entre estas surgiu uma da Watson, a plataforma de IA da IBM. O Tone Analyser permite analisar uma mensagem de email antes de a enviar e antecipar como poderá ser interpretada pelo recetor. Em 2015 não foram poucos os homens enganados por Ava, um perfil falso no Tinder dotado de inteligência artificial, e em 2016?
Biometria
O Neuromarketing é um palavrão já com algum tempo de vida, com especialistas e muita literatura publicada. As novas tecnologias biométricas podem finalmente juntar a teoria à prática e criar novas oportunidades de envolvimento positivo com os consumidores. A Isobar criou recentemente para a Uniqlo um sistema denominado UMood que ajuda os clientes das lojas a escolher a t-shirt que melhor vai consigo.
Serão cada vez mais os dispositivos – como o iWatch – com capacidade para ler vários dados biométricos, é de esperar que em 2016 surjam importantes utilizações desta nova dimensão sensível de conteúdos pessoais.


Talvez o melhor seja não esperar. A velocidade da transformação digital da sociedade e consequentemente das nossas vidas não dá sinais de abrandar, instalando uma sensação de eterna infância, como se estivéssemos permanentemente a dar os primeiros passos em tudo.