Eis o que Jorge Coelho espera de 2016:
“Tudo se desvalorizou nos últimos tempos. Do mais óbvio corte nos orçamentos de marketing, ao papel que é atribuído à comunicação, passando pelo rendimento de cada um e acabando na leitura mais lata da palavra valor relacionada com o mérito, o préstimo, a estima e o respeito que as pessoas ou as relações nos merecem.
Estamos hoje num ponto onde é difícil ver na rua peças de comunicação que efetivamente acrescentem valor às marcas. As referências vêm lá de fora, doutros mercados, doutras marcas, e até os profissionais portugueses com maior valor parecem estar todos a trabalhar lá fora. (Muitos deles, pese embora o inegável mérito e competência, só conseguiram vê-los reconhecidos quando saíram de Portugal!) Batemos no fundo?
2016 só poderá então trazer mais valor ao nosso trabalho e às nossas vidas. Tanto nos departamentos de marketing como nas agências. Porque uns não vivem sem os outros e, principalmente, porque, quando trabalham em conjunto, se respeitam e reconhecem, os resultados são comprovadamente melhores. Já está na altura de acabar com a comunicação que nos diz que os sumos são para beber, que os iogurtes são para comer, que os jornais se leem, os automóveis nos transportam e tudo o resto está em promoção, a saldo, com desconto. Chegou o momento de voltar a acrescentar valor às marcas e à comunicação. É tempo de voltar a dar crédito às ideias e de ter campanhas que inspiram, que fazem rir, que dizem algo mais do que o óbvio. Comunicação que respeita e promove a inteligência porque, quando assim é, os resultados surgem e os produtos vendem.
A nossa comunicação já foi assim e tem de voltar a ser assim em 2016. Em vez de cartazes com embalagens e preços ou percentagens como títulos, teremos marcas com jingles que todos cantam, claims e assinaturas que usamos como deixas no nosso dia-a-dia, personagens e comportamentos que servem de exemplo porque nos inspiraram. Só isso faz da comunicação um investimento que gera retorno em vez duma despesa necessária com resultados imediatos, que caem mal a promoção acaba.
2016 será, pois, o fim do óbvio e um ano com mais valor e melhores valores. O ano em que conceitos como o branded content, o storytelling, a digital acceleration, as estratégias customer centric, as apostas no vídeo e na interação saem do PowerPoint e passam para a rua. Não há volta a dar porque enquanto consumidores já estamos cansados que nos tentem dar a volta. Novos valores se levantam em 2016 e melhores valores também”.

