Quais as principais ferramentas da eficácia? O Luís é que sabe

Na ronda aos jurados dos Prémios à Eficácia, quisemos saber de Luís Veríssimo quais são as principais ferramentas da eficácia. Afinal, integra a Academia APAN. A resposta vem com uma reflexão sobre como comunicação aproveita as oportunidades do dia a dia. Com inspiração no lema dos Jogos Olímpicos.

 

Eis a resposta:

Desabafos sobre um grandessíssimo gesto.

Medir a eficácia de uma acção não é complicado seja por vendas, visitas, likes, sorrisos, piscar de olhos, cliques, toques, bocejos – atenção: ofertas e descontos funcionam! Difícil é compreender o impacto a prazo. Em convívio com um bom amigo, arquitecto, dei-me conta de que ele tinha uma saída pronta sempre que era submetido a um parecer técnico e estético, normalmente em ambiente informal, acerca de uma obra à vista ou no smartphone. Questão colocada por alguém próximo do feito, portanto susceptível de causar embaraço ou indigestão se é feita à mesa: Ó Senhor Arquitecto o que acha deste tecto em mármore preto?’. Em caso de dúvida – mesmo que a dúvida seja duvidosa – a resposta é magnânima: ‘É um grande gesto!’. Pronunciado o acórdão, circula o arroz de jasmim e a tigela de caril. Sou sensível aos estímulos de comunicação. E não são poucos os que se apresentam com resultados metricamente visíveis, inquestionáveis e com os catetos ao nível máximo da hipotenusa da eficácia.

‘Influencers’ em eficácia sincronizada a debitar marcas e marquinhas – a troco de dez paus. Festivais, piqueniques, feiras, concursos requentados em eficácia modo micro-ondas.

‘Saltar anúncio’ ou apanhar uma entrada a pés juntos no podcast pode ser doloroso. O que vale é que nos vamos habituando ao êxtase da oportunidade dos anúncios e passamos a tolerar a intromissão com uma espectacular indiferença, para não dizer desprezo.

‘And the best influencer award goes to?’ Nos oitenta, o influencer Eusébio punha os campeões a beber Capri Sonne, e antes, em 1953, a influencer Amália dava a password para entrar no Lux.

É eficácia cem por cento garantida, não precisa esfregar.

‘Altius fortius citius e criativus’ é só de tempos em tempos. Entretanto, vamos eficaciando sem fazer ondas.

Aproprio-me do termo do António e sinto-me mais pacificado com o que vejo por aí porque o posso classificar. Em caso de dúvida – ou perplexidade – vem-me à memória: É um grande gesto’. O que não é necessariamente mau porque a eficácia ninguém lhe tira. Se calhar é a eficácia que merecemos, uma eficácia sem amanhã. Efficacia carpe diem. Amen.

Nota: caro António o que achas do meu novo bar?”

briefing@briefing.pt

 

Terça-feira, 19 Novembro 2019 10:39


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