Contactada pela agência Lusa, a directora da revista, Paula Brito, explicou que a publicação termina porque “não foi possível conseguir um patrocínio de cinco mil euros” para suportar os custos mensais.
Paula Brito, directora da revista desde 2006, revelou que desde o agravamento da crise económica no país a L+Arte tinha vindo a perder publicidade, e também os apoios de grandes patrocinadores como o Banco Português de Investimento (BPI) e a Caixa Geral de Depósitos (CGD).
“Lutámos muito, mas não conseguimos esse valor para continuar com a revista”, lamentou a directora sobre o anunciado fim da publicação que deixa no desemprego quatro pessoas, além da direcção – ainda o de director gráfico e de directora comercial – mais um redactor.
“Ficamos no desemprego por extinção do local de trabalho”, disse, acrescentando que a revista era ainda concebida por um grupo de colaboradores em regime “free-lance”.
Paula Brito recordou que, apesar da crise, a revista não tinha perdido leitores, era vendida nas bancas e por assinatura, e distribuída em embaixadas e bibliotecas.
“É realmente uma pena porque fomos ganhando novos leitores. Temos oito mil fãs no facebook”, rede social na Internet, indicou.
A Entusiasmo Media Publicações S.A. já tinha encerrado outras das seis publicações que possuía: a revista Os meus Livros e A Carteira, na área financeira. Continuam a ser publicadas a Saber Viver, Jardins e Prevenir.
No editorial do 81 e último número da L+Arte, o administrador Luís Penha e Costa despede-se com um agradecimento à equipa, “que tornou (a revista) útil e apelativa, e também aos comerciais, designers, patrocinadores, anunciantes e leitores, que, durante quase sete anos, tornaram uma utopia realidade”.
“(…) a crise está instalada no país, os patrocinadores desapareceram e o sector da arte em Portugal sofre também com a conjuntura. Aquilo que eu temia aconteceu: o mundo da arte e os leitores não são o suficiente para mantê-la viva, razão pela qual esta é a última edição da L+Arte”, escreve o administrador.
“Estou certo que se, e quando o mercado melhorar, alguém aparecerá a fazer uma boa revista sobre as Belas-Artes nacionais, que bem merecem ser divulgadas e acarinhadas”, sustenta ainda Luís Penha e Costa no editorial.
Também a curadora e historiadora de arte Raquel Henriques da Silva, no último editorial da revista, sublinha: “Recuso considerar que este fecho venha a confirmar que as revistas de arte em Portugal nunca sobrevivem, mesmo quando são plurais e generalistas”.
Neste último número, a revista reúne artigos sobre o atelier Ricardo Jacinto, o projecto Alberto Carneiro, uma exposição de Artur Loureiro, uma entrevista a Augusto Alves da Silva, e o novo talento do mês é a artista Ana Manso.
Fonte: Lusa

