Ao longo de vários estudos que no tempo que levo de research – quer em geral, quer para a televisão em particular – não me lembro de ter visto investigado (bem investigado, entenda-se) – o que representa verdadeiramente para os telespetadores, ou para as audiências, como se preferir, o conceito em questão.
Num país como o nosso, em que a televisão se perfila numa vertente sobretudo convencional, ainda soa longe qualquer espécie de domínio das mais novas tecnologias nos hábitos de a ver e de a escutar. A sociedade portuguesa vai, sem dúvida, rejuvenescendo nesses hábitos, mas não ao nível de precipitação que se encontra noutros países. Opostamente o tecido social vai, genericamente, envelhecendo, envelhecendo, envelhecendo.
Talvez por isso seja curioso procurar, nas perceções individuais que têm vindo a ser encontradas, quais as ideias que estão mais associadas ao conceito de serviço público – sem nada de muito científico por trás desta simples observação. Apenas constatar que através desses estudos , e porventura entre outras coisas, se percebe que para o telespetador médio o serviço público em televisão significa que :
- • Um canal de televisão não se “vende” num sentido mais literal da palavra – nem a quem governa, nem a quem detém poder económico, nem às audiências
- • A sua programação preocupa-se mais com os planos institucionais dos conteúdos que oferece
- • A sua programação tem mais que ver com informar , formar. Enriquecer o conhecimento e fortalecer as culturas. Não se dirige às massas.
Mas o serviço público de televisão também pode ser – e é de certeza para grande parte dos seus públicos – muito prosaicamente aquele que consegue despertar o agrado e o envolvimento de quem vê televisão.
É por isso que não é fácil, seguramente, encontrar as palavras certas para o definir junto de quem se pretende fazê-lo.
* representou a ESOMAR em Portugal e foi consultora da AACS (Alta Autoridade para a Comunicação Social). Atualmente é consultora sénior em várias empresas do setor

A propósito de tudo. A propósito de nada. Quando tem a ver com o conceito e quando não tem.