Briefing | A Happy Brands tem o branding no centro da sua atividade. O que significa hoje construir ou transformar uma marca num contexto em que os consumidores, os negócios e os mercados estão em permanente mudança?
Tiago Charrua | As marcas estão na génese da Happy Brands, foram um bocado até o início de tudo e depois, obviamente, acabámos por passar para outras áreas. Somos verdadeiramente apaixonados por marcas, pela sua construção e pelo seu crescimento.
Vivemos, de facto, num contexto de permanente mudança e onde tudo está a acontecer a uma velocidade mesmo alucinante. O tempo de atenção e exposição é cada vez mais curto, e é exatamente por isso que construir e manter uma marca é agora mais importante do que nunca.
Uma marca é muito mais do que um logótipo. Ela deve ser dinâmica; adaptar-se às várias fases do mercado; conseguir refletir uma identidade, princípios e valores; e deve ser reconhecida exatamente por isso. Num contexto como aquele que vivemos, torna-se essencial que as marcas consigam ter essa identidade, ganhar relevância, ser reconhecidas e ser valorizadas.
A agência tem atravessado também um processo de evolução ao longo dos anos. Como se foi transformando para acompanhar estas mudanças e que território procura ocupar hoje no mercado?
Fazendo uma retrospetiva, apetece-me responder que estamos tão diferentes e tão iguais àquilo que éramos há 17 anos.
Tão iguais porque na essência continuamos a ser a mesma Happy Brands, uma agência multidisciplinar, onde a qualidade do trabalho e a excelência no serviço ao cliente continuam a ser as palavras de ordem. Para isso, contamos obviamente com profissionais de excelência, tanto no departamento criativo, como no serviço ao cliente.
As principais diferenças prendem-se, de facto, com todas as mudanças de mercado e todas as ferramentas que têm aparecido. Há um mundo novo de tecnologia com que somos surpreendidos a cada dia e aos quais temos de nos adaptar rapidamente. Aliás, isso é uma das nossas grandes mais-valias e o que nos diferencia: somos uma estrutura muito ágil, muito flexível e que se adapta muito rápido. Somos uma agência que não quer adormecer no mercado!
O rebranding da Briefing surge de uma necessidade de evolução. O que vos pareceu mais desafiante nesta mudança de identidade?
Se há setor que tem também vivido verdadeiras revoluções nos últimos anos, o Jornalismo é seguramente um deles. Eu sou formado em Jornalismo, cheguei a exercer durante alguns anos e é evidente que não é mais o mesmo que conhecíamos.
Tanto na forma, como no conteúdo, o Jornalismo tem obrigatoriamente de se ir reinventando. Por outro lado, numa altura em que existem milhares de fontes de informação – nem sempre seguras –, a credibilidade dos meios será a palavra de ordem.
Num mercado em constante evolução/revolução, é importante não só perceber onde estamos, mas para onde vamos. O grande desafio deste rebranding é que, de facto, vem colocar a Briefing num território muito maior, e com um posicionamento muito mais ambicioso.
Quando receberam o desafio da Briefing, qual foi a primeira pergunta que sentiram que era preciso responder antes de pensar em identidade, design ou comunicação?
Antes de passarmos para o desenvolvimento propriamente dito, fazemos sempre um trabalho exaustivo de estratégia, pensamento crítico e análise do mercado, que nos permite refletir e chegar a algumas conclusões. É um trabalho um pouco “invisível”, mas absolutamente determinante para o que vem a seguir.
No caso da Briefing, aquilo que sentimos é que estávamos a falar de uma mudança de posicionamento, de uma coisa muito maior – até a nível da missão. Muito mais do que pensarmos “vamos mudar o logotipo de uma revista”, era: “vamos mexer numa marca forte e reconhecida no mercado, e trabalhá-la porque existe um novo sítio onde quer estar”. Portanto, a primeira pergunta a ser respondida era: “para onde caminha a nova Briefing?”.
*Esta entrevista pode ser lida na íntegra na edição impressa B202
Carolina Neves

