O Absurda Art Fest regressa a Arcos de Valdevez

Criado em 2022 com o objetivo de descentralizar a cultura dos grandes polos urbanos, o Absurda Art Fest já é uma paragem obrigatória no roteiro dos festivais de verão portugueses. A edição deste ano traz a Arcos de Valdevez sons incontornáveis do indie nacional, como os Ganso, a Emmy Curl ou os Bombazine, mas também Gondhawa, a primeira banda internacional do festival. A par de todos os nomes e atividades do cartaz, a grande novidade do ano é o campismo gratuito para os festivaleiros, disponível de 29 a 31 de agosto.

A Câmara Municipal dos Arcos de Valdevez em cooperação com o Coletivo Absurda criou uma solução de pernoita gratuita para os festivaleiros, para facilitar o acesso em segurança ao festival. O município disponibilizou o Pavilhão Municipal de Arcos de Valdevez para um “campismo sem espias”, tirando partido de todas as vantagens de um acantonamento: casas de banho equipadas e acessíveis, acesso a zona de alimentação, pontos de luz facilitados, abrigo da meteorologia e estacionamento gratuito; com a mística de acampar e ver as estrelas, junto ao Rio Vez.

O “campismo sem espias” pressupõe que os festivaleiros possam armar a tenda dentro de portas ou montar a sua casa para o fim-de-semana, da forma mais confortável e prática possível, dentro do recinto de pernoita. O Pavilhão Municipal dos Arcos de Valdevez localiza-se a 10 minutos do Jardim dos Centenários, onde decorre o Absurda, estando ao lado do terminal de autocarros do concelho, a poucos metros da Ecovia do Vez, do skate park e de uma série de comércio e restauração locais.

Para a organização do festival, o primeiro teste de campismo do Absurda é um passo importante no bem-estar dos visitantes: “garantir um local seguro e com acessibilidades para os festivaleiros pernoitarem era algo que queríamos desde o início do Absurda. Pela localização do festival e a falta de transportes coletivos noturnos nesta região, era importante para nós dar esta alternativa às pessoas – não apenas para garantir mais público, mas, sobretudo, para garantir a segurança rodoviária de todos e contenção de riscos, depois de uma noite de festa”, refere Guilherme Batista, porta-voz do Absurda Art Fest.

A programação desta edição mantém o compromisso com a música portuguesa e artistas de editoras independentes. No dia 29 de agosto, as hostes da casa são feitas ao som do rock melancólico do Bonança, o artista de Massamá; e da Emmy Curl, a artista multifacetada que este ano foi premiada com o Prémio José Afonso, pelo seu álbum “Pastoral”, uma exploração entre a música tradicional portuguesa e paisagens sonoras eletrónicas mais modernas.

No sábado, dia 30, os Ganso e o seu novo álbum “Vice-Versa” são a maior atração do dia, mas antes há muitos motivos para desfrutar: o rock de garagem dançável dos Fugly, o indie com uma expressão dos anos 80 dos Bombazine e a inexplicável combinação de rock psicadélico, afrobeat e música oriental dos franceses Gondhawa.

Nem só de música é feito o Absurda Art Fest. Um dos momentos altos do festival será o momento de apresentação da instalação “Onde Conseguimos Dormir” de Catarina Louro e Gil Ferrão, com performance de Bernardo Reis. Esta instalação interativa versa o conceito de “conforto”, levando-nos a questionar os preconceitos positivos e negativos que temos em torno do objetos e materiais que nos fazem sentir “em casa” e ao mundo que nos rodeia. Há uma récita em cada dia do festival.

A rodear o Jardim dos Centenários estará também a Feira Absurda, uma mostra de bons projetos e ideias, com artistas visuais, marcas de roupa, artigos em segunda mão, joalharia, entre outros. Os festivaleiros que queiram memórias para sempre podem contar com as mãos e criatividade dos três tatuadores absurdos: Hugo Damn, Sara Caldas e Cesia Aduviri.

Para o sábado estão guardadas algumas atividades antes dos concertos, nomeadamente o “Caderno Aburdo”.  Acompanhado por Julieta Gomes (fundadora do espaço Pluralma), os visitantes podem fazer uma caminhada criativa e sensorial pela vila. O objetivo é observar, recolher texturas, folhas e elementos naturais e transformá-los em composições gráficas com técnicas de, por exemplo, carimbagem natural (plasticina, tinta e imaginação). Um momento de pausa e criação, para olhar o território com outros olhos, a partir das 16h30. De seguida, o Jardim dos Centenários faz o aquecimento para o rock e música alternativa com o baile folclórico. Os festivaleiros terão oportunidade de aprender (ou relembrar) os passos do vira minhoto, e celebrar as danças tradicionais da região, num Workshop de Dança do Vira Minhoto, orientados por membros de diferentes grupos de rancho folclórico locais.

Ambas as atividades são gratuitas.

Algumas entidades locais estão empenhadas em dar novas e mais profundas experiências aos festivaleiros. A viagem só fica completa com um mergulho e percurso no rio Vez. Por esse motivo, o Clube Náutico de Arcos de Valdevez vai dinamizar um percurso especial de kayak pelo rio, a um preço especial, neste fim de semana.

O Absurda Art Fest é um evento sem fins lucrativos, corolário de um esforço do Coletivo Absurda, composto por jovens dos concelhos de Arcos de Valdevez e Ponte de Barca, no seio da Associação Juventude Vila Fonche. Para o festival contribuem ainda estudantes voluntários internacionais, ao abrigo de projetos e programas europeus, bem como empresas e outros amigos locais.

Quinta-feira, 07 Agosto 2025 12:03


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