Festival Raízes Vivas regressa a Santarém para celebrar a identidade ribatejana

O Festival Raízes Vivas regressa para a 2.ª edição, a decorrer nos dias 25 e 26 de setembro de 2026, desta vez nas Portas do Sol, em Santarém. O evento reúne um programa dedicado à valorização da identidade cultural e gastronómica de Santarém e do Ribatejo, transformando as Portas do Sol numa grande montra viva do território.

Promovido pela Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, em parceria com a Câmara Municipal de Santarém e com o apoio do PR Alentejo 2030, o festival pretende afirmar a região através daquilo que tem de mais genuíno: os produtos da terra, a gastronomia, os saberes, os ofícios, a agricultura, a música e as tradições, afirmando-se cada vez mais como um destino turístico.

Sob o conceito de “reserva viva da cultura ribatejana”, o Raízes Vivas, idealizado pelo chef Rodrigo Castelo, do premiado restaurante Ó Balcão – responsável por trazer a ambicionada Estrela Michelin para Santarém, e ainda a Estrela Verde e 2 Sóis do Guia Repsol -, assume-se como um espaço de preservação, divulgação e transmissão do património regional, conciliando a salvaguarda das tradições com uma abordagem contemporânea aos desafios do território. Agricultura regenerativa, gastronomia sustentável, ofícios tradicionais, música e conversas dedicadas ao futuro da agricultura são alguns dos eixos da programação.

“Apoiar iniciativas como o Raízes Vivas é apoiar uma estratégia de valorização e afirmação turística do Ribatejo. Estes eventos têm um papel fundamental na promoção do território, na dinamização da economia local e na valorização dos seus recursos, contribuindo para reforçar a capacidade de atração e a notoriedade da região. O Ribatejo tem uma identidade cultural, gastronómica e agrícola muito própria, que importa preservar, qualificar e projetar. É através da articulação entre entidades públicas, agentes económicos e comunidades locais que conseguimos transformar esse património num fator de desenvolvimento e criar novas razões para visitar, permanecer e regressar ao Ribatejo”, afirma José Manuel Santos, Presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo.

“Santarém volta a receber o Raízes Vivas com enorme orgulho. Durante dois dias, as Portas do Sol tornam-se uma montra daquilo que somos enquanto território: das nossas tradições aos produtos da terra, dos ofícios transmitidos entre gerações à música, à agricultura e à gastronomia. Queremos uma cidade que valoriza as suas raízes sem deixar de olhar em frente e este festival representa precisamente essa ambição: preservar, partilhar e dar uma nova vida ao património que nos distingue”, sublinha João Teixeira Leite, Presidente da Câmara Municipal de Santarém.

Gastronomia e produto regional em destaque

Com curadoria do chef Rodrigo Castelo, a gastronomia assume-se como uma das componentes centrais do evento.

Os Jardins da Gastronomia, com capacidade para cerca de 2000 pessoas, reúnem chefs nacionais de renome que se juntam a duas associações ribatejanas para cozinhar em espaços abertos, sob o conceito da valorização do produto regional e das raças autóctones – como o touro bravo ou porco Malhado de Alcobaça – o respeito pela biodiversidade e uma estratégia de sustentabilidade e desperdício zero.

A programação gastronómica pretende igualmente sensibilizar para algumas das questões ambientais que afetam o território. A utilização de javali, que tem devasta as culturas agrícolas, e de espécies invasoras, predadoras ou subaproveitadas do ecossistema fluvial, como o siluro, a perca ou o lagostim, procura demonstrar o contributo que a gastronomia pode dar para transformar desafios ambientais em oportunidades.

“O Raízes Vivas nasceu da vontade de proteger aquilo que nos identifica e de garantir que esse conhecimento não se perde. A gastronomia é uma parte essencial da memória, mas não existe sem a terra, sem os produtores, sem os artesãos e sem as pessoas que continuam a preservar os seus saberes. Nesta segunda edição queremos voltar a pôr tudo isso em diálogo, mostrando também que tradição e sustentabilidade podem caminhar juntas. Cozinhar o Ribatejo é respeitar o produto, o território e as suas histórias, mas é também encontrar novas respostas para o futuro”, refere Rodrigo Castelo.

Para complementar a oferta da restauração, existem diferentes zonas de piquenique nos jardins das Portas do Sol, com capacidade para mais de 400 pessoas, proporcionando espaços de convívio num maior contacto com a natureza. Há ainda três áreas de lounge, Águas de Santarém, Fidelidade e Caixa Crédito Agrícola, onde é possível relaxar e refrescar.

Preservar e transmitir os saberes do Ribatejo

Outro dos principais objetivos do Raízes Vivas passa pela valorização dos produtores, artesãos e mestres de ofícios tradicionais.

Na Praça de Produtores, Artesãos & Agricultores, os visitantes podem conhecer produtos e técnicas associados à identidade da região, num espaço que reúne, entre outros, queijeiros, apicultores, oleiros, cesteiros, conserveiros, produtores de azeite e doceiros. A programação contempla ainda aulas práticas com diferentes artesãos, como o tecelão de mantas ou ceramistas e muitos outros mestres que partilham a sua herança.

A Rua dos Ofícios será dedicada a profissões relacionadas com o universo taurino, contando com fabricantes de arreios, alfaiates especializados em trajes de campino, cavaleiro e toureiro, ferradores e emboladores.

As demonstrações previstas ao longo do evento procuram contribuir para a divulgação de técnicas ancestrais e para a preservação de profissões que se encontram atualmente em risco de desaparecimento, com a curadoria da RA-RO.

Agricultura, sustentabilidade e conhecimento

As Hortas Regenerativas constituem outra das áreas do festival e propõem uma vertente pedagógica dirigida a visitantes de diferentes idades. Agricultura regenerativa e biológica, agroecologia, compostagem, gestão eficiente da água e conservação de sementes tradicionais integram as atividades previstas. Neste espaço, visitantes de diferentes idades poderão, literalmente, meter as mãos na terra e participar em atividades dedicadas à agricultura. A horta transforma-se, assim, num laboratório e numa sala de aula ao ar livre, especialmente pensada para aproximar jovens e famílias da origem dos alimentos e das novas oportunidades associadas ao mundo rural.

Por sua vez, o Palco Futuro recebe um programa de palestras e conversas com profissionais dedicado ao papel da agricultura no desenvolvimento do território. Sustentabilidade, alterações climáticas e inovação agrícola estarão entre os temas em análise, num anfiteatro com capacidade para mais de 100 pessoas.

As Hortas Regenerativas e a programação no Palco Futuro contam com o apoio da Escola Superior Agrária de Santarém e da Vivid Farms.

Música e cultura completam a programação

O Palco Raízes Vivas concentra os principais concertos e espetáculos, com uma programação dedicada a artistas portugueses e a diferentes expressões da música tradicional e popular, como o cante ribatejano ou o fado. O espaço terá capacidade para mais de 1.400 pessoas. Ao longo dos dois dias, o recinto contará ainda com diferentes áreas de convívio e lazer, criando vários pontos a partir dos quais será possível usufruir dos jardins e da vista privilegiada sobre o Tejo.

No sábado, às 09h00, vai ser celebrada uma missa na Igreja do Santíssimo Milagre, seguida de procissão e romaria a cavalo com a imagem da Nossa Senhora da Piedade, que fará o percurso até às Portas do Sol, regressando depois à igreja.

O festival contará também com uma Praça de Toiros com 1.800 lugares sentados, onde decorrerá uma programação dedicada às tradições tauromáquicas, incluindo demonstrações, aulas práticas e apresentações equestres. A II Grande Corrida de Toiros de Beneficência Raízes Vivas integra igualmente o programa desta segunda edição.

Ao reunir gastronomia, agricultura, artesanato, música, património e conhecimento num mesmo programa, o Festival Raízes Vivas pretende afirmar-se como uma iniciativa de valorização e promoção da cultura ribatejana, contribuindo para a preservação do património material e imaterial da região e para a sua transmissão às novas gerações.

A componente social está também presente no evento, com receitas a reverterem para o apoio a diferentes entidades. O valor das vendas dos pratos será entregue a três associações, Raízes Vivas, Académica de Santarém e Sociedade de Recreio e Educativa da Romeira. As receitas da tourada destinam-se ao Santuário do Santíssimo Milagre.

O apoio e envolvimento das diversas entidades e participantes contribuem para a concretização deste que é um grande evento de promoção da região do Ribatejo, assumindo-se como um dos principais festivais regionais do país. Realizado o ano passado na aldeia avieira das Caneiras, o crescimento em área leva, desta vez, a ruralidade até ao centro da cidade, com baixo impacto ambiental e alto impacto na experiência.

Com gastronomia, música, agricultura, conhecimento, artesanato e património imaterial reunidos num dos cenários mais emblemáticos de Santarém, a segunda edição do Raízes Vivas propõe dois dias para descobrir — ou redescobrir — o Ribatejo.

O Festival Raízes Vivas integra a operação “Plano de Promoção Turística Alentejo-Ribatejo 2024-2026, apoiada pelo Alentejo 2030, pelo Portugal 2030 e pela União Europeia. Os Fundos Europeus Mais Próximos de Si.

Terça-feira, 01 Setembro 2026 12:58


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