A Vegan Nata celebra seis anos a 28 de agosto. É 100% vegan certificado pela Vlabel, tem menos açúcar e tornou-se paragem no roteiro de Lisboa para turistas de todo o mundo. Foram nove meses até chegar à receita certa e, seis anos depois, há quem entre na loja para provar, quem finalmente possa provar e quem peça a receita. Mais de 20 vezes por dia.
Há produtos que nascem de uma ideia e outros que precisam de alguma obsessão. A Vegan Nata faz seis anos no próximo dia 28 de agosto, mas a sua história começou nove meses antes de abrir portas. Foram nove meses de testes, experiências e receitas que ficaram pelo caminho até chegar à versão que hoje sai diariamente do forno em Lisboa.
O desafio não era propriamente pequeno: pegar num dos doces mais reconhecíveis da gastronomia portuguesa e retirar-lhe ingredientes que parecem fazer parte da sua própria definição. Sem leite. Sem ovos. 100% vegetal. Certificado . E com menos açúcar. Mas mantendo aquilo que verdadeiramente interessa quando se dá a primeira dentada: o folhado estaladiço, o creme, a caramelização e aquela vontade bastante portuguesa de pedir outro.
A Vegan Nata nasceu também com uma preocupação concreta de chegar a pessoas que, por opção ou por determinadas restrições alimentares, ficavam frequentemente de fora desta experiência. E talvez uma das histórias mais bonitas da marca seja precisamente essa: há clientes para quem este foi o primeiro pastel de nata da vida.
Mas seria redutor contar a Vegan Nata apenas como uma alternativa para quem não come produtos de origem animal.
Na realidade, quem está a transformar a pequena marca portuguesa num fenómeno são também os turistas. Cerca de 60% dos clientes das lojas são estrangeiros e muitos chegam já com a Vegan Nata guardada no telemóvel como uma das paragens a fazer em Lisboa. Não procuram necessariamente “uma alternativa vegan”. Procuram um pastel de nata.
É uma inversão interessante: durante décadas viajámos à procura das versões originais dos produtos de cada cidade. Agora, uma nova geração de viajantes procura também as novas versões dessas tradições.
E a Vegan Nata tem outra preocupação pouco visível para quem está apenas do lado de fora da montra: provar aquilo que diz.
O Vegan Nata conta com certificação V-Label. Para a marca, colocar “vegan” no nome não era suficiente. Abrir ingredientes e processos a uma entidade certificadora independente foi a forma de transformar uma promessa numa garantia, particularmente relevante para quem escolhe o produto precisamente pelo que ele não contém.
Há, porém, uma coisa que continua fechada: a receita. É pedida mais de 20 vezes por dia. Continua secreta.
O que não significa que a Vegan Nata tenha problemas com partilhar. Ao longo do seu percurso, a marca tem levado os seus pastéis a hospitais, escolas, bombeiros e forças policiais e mantém um pequeno gesto que nasceu durante a pandemia: para bombeiros, profissionais do INEM e agentes da autoridade que se identificam na loja, o café é oferta da casa.
Talvez seja uma boa descrição da contradição Vegan Nata: protege ferozmente uma receita que levou nove meses a criar, mas gosta bastante de oferecer o resultado.
Seis anos depois, aquilo que começou por tentar resolver uma impossibilidade – “como fazemos um pastel de nata sem aquilo que supostamente faz um pastel de nata?” -tornou-se uma paragem lisboeta para pessoas vindas de todo o mundo. Vegan ou não.
Porque a melhor forma de normalizar um produto Vegan talvez seja deixar de o apresentar como uma alternativa. E começar simplesmente por fazê-lo muito bom.
Vegan Nata, o Pastel de Nata, que é Igual, Mas Vegan.
