Ach Brito: Marcas antigas “transformam-se” em sofisticadas

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No seu tempo, os sabonetes Confiança, o Leite de Colónia, o creme Benamor, o restaurador Olex, os automóveis MIni e as motas Vespa tinham preços baratos e dirigiam-se a classes sociais baixas. Nos tempos que correm, esses produtos “passaram a ser sofisticados”. 

Lisboa, 01 Dez (Lusa) – “Para a beleza realçar” é parte do jingle
que muitos portugueses voltarão a trautear. É o que espera, pelo menos,
quem relançou o cosmético. Para os consumidores é revivalismo, para as
empresas uma oportunidade de capitalizar o valor das marcas e exportar.

No
seu tempo, os sabonetes Confiança, o Leite de Colónia, o creme Benamor,
o restaurador Olex, os automóveis Mini e as motas Vespa tinham preços
baratos e dirigiam-se a classes sociais baixas. Nos tempos que correm,
admite o director-geral da Ach Brito, José Fernandes, esses produtos
“passaram a ser sofisticados”.

Numa loja recentemente inaugurada
no Porto, José Fernandes encontrou os brinquedos da sua infância, “que
eram os mais baratos que existiam na altura”. E nessa lista entram os
carrinhos de folhetas e o “velho pião”.

“Hoje as lojas
reposicionaram os produtos para uma camada e um segmento diferentes em
termos sociais”, nota o responsável, acrescentando que a
“industrialização propriamente dita” deu o impulso necessário.

“Retirar
o populismo” é também o objectivo de Paulo Paiva dos Santos, ao
adquirir a Leite de Colónia S.A., cujos produtos estão a ser vendidos
em farmácias e perfumarias seleccionadas desde o início do mês.

“O
valor das marcas é inquestionável no activo das empresas. Não se gasta
nem se desgasta, se for bem tratado”, refere o empresário, ligado à
indústria farmacêutica, que não resistiu ao “desafio engraçado” de
fazer reviver uma marca lançada em Portugal em 1960.

Quando antes
era um “tónico com base em álcool e servia para limpar a pele, para a
barba, desodorizar e deixar um cheiro a colónia”, a embalagem verde de
hoje quer ser um tónico de limpeza “clássico-chique”.

A qualidade afirmada tem aberto os mercados internacionais aos produtos portugueses.

O
volume anual de negócios das empresas a que pertence a Ach Brito é de
quatro milhões de euros anuais, enquanto a exportação representa cerca
de 1,5 milhões de euros.

Para o Leite de Colónia, a exportação
passa por um projecto para o Médio Oriente, em especial o Dubai, onde
já se deseja uma loja-SPA.

Para o próximo ano, a previsão de vendas no mercado português rondará os quatro a cinco milhões de euros.

José
Fernandes, da Ach Brito, recebeu uma andorinha da cerâmica Bordalo
Pinheiro de uma das impulsionadoras do revivalismo, Catarina Portas, e
cita algumas das suas palavras para resumir o “ponto de vista social”
desta tendência.

Estes produtos são “marcas registadas na memória
e comercializam saudades, relembram o quotidiano de uma época e revelam
a alma de um país”.

“Não sei se isto se pode dizer, mas há aqui uma quase consanguinidade”, acrescenta, desta vez pelas suas próprias palavras.

A
directora de produção do Programa Conta-me Como Foi, da RTP, afirma que
o revivalismo também é um “fenómeno de moda”, nas casas e no vestuário.
“Agora o antigo é engraçado. Depois há alturas em que o hiper-moderno e
o design também o é”, refere Cristina Soares.

Quando em 2006
começou a preparar o programa televisivo que acompanha o quotidiano
social e político entre os anos 1960 e 1974, Cristina Soares já notava
alguns sinais de revivalismo, até na recuperação da carreira do músico
José Cid (intérprete do genérico).

Mas admite que, se calhar o
sucesso e o “carinho” pela série promoveram mais anúncios publicitários
a “parecer antigos” e a simpatia pelos tachos esmaltados.

PL.

Lusa/fim.

Terça-feira, 01 Dezembro 2009 08:39


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