SxSW – A Invasão dos Aliens

Helder Mendes, Neon Digital Media - Media DirectorMarço. O mês mais esperado por todos os que viajam até ao SxSW. Durante 10 dias, o planeta encontra-se aqui em Austin, Texas para testar conceitos, promover encontros entre realizadores, músicos, agentes, programadores, editores, advertisers, marcas, produtos e acima de tudo, partilhar.

Aqui partilha-se informação, know how, experiências e testam-se as águas para o que será o futuro próximo nas áreas do Interactivo, do cinema e da música. É uma enorme sala de aulas e um balão de ensaio de onde saíram marcas como Twitter, Foursquare ou Groupme e onde se deram a conhecer nomes como John Mayer e James Blunt.

Ano após ano, é aqui que cada vez mais marcas ensaiam estratégias de comunicação, definem o seu plano de Social Media e reforçam a ligação a artistas e produtos saídos das muitas startups presentes. Os 700 participantes em 1987 passaram a 72.000 em 2014, e se a estes números juntar-mos os locais, Austin vê por esta altura nas ruas cerca de 90.000 pessoas. É uma mescla de culturas indescritível, transformada num brainstorm colectivo que é sugado por marcas como a Apple, Samsung, Nike, Chevrolet, AT&T e mais do que as que consigo contar. Em 2013, o SxSW injectou na economia de Austin qualquer coisa como $218.2 milhões de dólares, tornando-se assim o evento mais rentável do ano na cidade, que responde de maneira única, em simpatia e disponibilidade, à invasão dos “Aliens”.

Para lá dos workshops, keynotes e mentor sessions, há as festas, de todos os tamanhos e cores, há a 6th e os seus mais de 2200 (leram bem) concertos espalhados por todas as venues e há cerveja! Muita cerveja! Este ano e pela primeira vez, a Apple trás a Austin o iTunes festival, estendendo assim o famoso festival de Outono que acontece todos os anos em Londres, a terras do tio Sam. De 11 a 15 de Março, podemos ver bandas como Coldplay, Imagine Dragons, Soundgarden, Pitbull ou Keith Urban. Tudo de borla ou quase! Em troca, os 90.000 que aqui estão preparam o bombardeamento de tweets, Facebook posts, Pins, Blog posts e tudo o mais que se lembrarem numa promiscuidade assumida entre marca e consumidores.

Este ano o festival começou com um painel de peso: Eric Schmidt e Jared Cohen falaram sobre a nova era do digital e como a conectividade global pode ajudar pessoas para além do entendimento comum, de quem tem a tecnologia como um dado adquirido. O que para nós pode ser apenas mais uma “graçola” do nosso novo Smartphone, para milhões de pessoas pode ser a resolução dos problemas de acesso a atendimento de saúde, acesso a educação ou a maneira de reportar a violação dos seus direitos fundamentais. Estima-se que nos próximos 3 a 5 anos, mais 2 mil milhões de pessoas se conectem ao “nosso mundo” através de smart devices deixando um foot print de 17.000.000.000Gb de data por mês. Toda esta conectividade tem no outro lado da balança a sua face mais negra e pode facilmente levar pessoas ao conflito.

A web, tornou mais fácil começar uma revolução, mas muito mais difícil de a terminar. Os exemplos do Egipto, Síria ou Ucrânia mostram-nos que é impossível desligar a net e que os governos passaram a preferir infiltrar-se na rede em vez de lhe tentarem um shut down.

Falou-se de privacidade, neutralidade da web e de como as máquinas vão substituir, não só as tarefas repetitivas, mas também as acções de decisão não crítica.

Por todo o lado, a tendência do social media se transformar cada vez mais em storytelling, é evidente. Somos por natureza contadores de histórias e fazemo-lo à milhares de anos de várias formas. Dos livros, à rádio, da tv à web, elegemos o storytelling como o meio preferencial de comunicar-mos. Tanto contamos histórias quando anunciamos um produto, como quando narramos o golo de ontem à noite no café da esquina. É assim que nos posicionamos no mundo. O sucesso do social tem a ver com a facilidade com que nos permite contar histórias uns aos outros, sejam elas em 140 caracteres ou nas páginas de qualquer Blog. É isso que estes 90.000 “Aliens” procuram saber. Qual a nova melhor maneira de contar as suas histórias. Chamo-lhe a “Lei do Vampiro”, mas isso é conversa para a história de amanhã.

Twitter // twitter.com/#!/HelderMendes
About Me // www.about.me/heldermendes
Web // www.neonmedia.net

Helder Mendes está no SxSW e vai escrever crónicas para o Briefing. Escreve de acordo com a a antiga ortografia.

Sábado, 08 Março 2014 15:45


PUB