Briefing | Fundou a CO+K com a ideia de ser uma alternativa às agências tradicionais. O que é ser disruptivo na comunicação atualmente?
André Duarte Coelho | Quando criámos a CO+K, partimos da convicção de que a comunicação precisava de romper com um modelo demasiado rígido e formatado, típico das agências tradicionais. Para nós, ser disruptivo hoje significa começar pelo processo: não impor ferramentas ou formatos pré-definidos, mas cocriar desde o início com o cliente. Isso passa por envolver diferentes perspetivas — empresas, startups, estudantes, criadores de várias áreas — e construir soluções únicas para cada desafio.
Acreditamos que a verdadeira disrupção nasce da diversidade: colocar um engenheiro, um artista ou até um chef de cozinha lado a lado num processo criativo, junto do cliente, enriquece as ideias e leva a resultados que dificilmente seriam alcançados num modelo tradicional. Disrupção é isto: abrir as portas, questionar os modelos estabelecidos e agir como catalisadores de mudança num mercado que, muitas vezes, se mantém preso a lógicas antigas.
Durante o seu percurso profissional passou por países africanos, como Moçambique, África do Sul, Angola e Cabo Verde. Que aprendizagens retirou da experiência nestes mercados emergentes e quais as principais diferenças relativamente a Portugal?
Costuma dizer-se que África é o “Continente do Futuro” e sim, só pode ser! Afinal, futuro é sobre pessoas, sobre resolver problemas, mas se por um lado ainda há muito por fazer em África, a Europa tem muito para aprender com os mercados emergentes. Se falamos de criatividade e soluções, é nos países subdesenvolvidos que encontramos muitas vezes o insight que faltava para uma solução do velho continente. Em Portugal, tudo é “um dado adquirido” e isso condiciona a criatividade, afinal o nosso cérebro deve estar com constante atividade na busca da melhor solução para problemas reais. Tais como os de África, e isto é fantástico.
Já no seu regresso a Portugal, um dos projetos que criou foi o NEXXT, que nasceu em 2023. O que motivou a criação deste evento?
O NEXXT nasceu em 2023 com uma ambição clara: criar um espaço que unisse criatividade, inovação e talento. Na CO+K acreditamos que a criatividade pode ser o principal driver da inovação e, porque a criatividade não tem que estar apenas ao serviço da comunicação, decidimos juntar líderes, empreendedores, académicos e criadores em torno dos grandes temas do futuro e juntos desenharmos esse mesmo futuro. Mais do que uma conferência, quisemos criar uma plataforma aberta, capaz de gerar ideias, parcerias e impacto real.
Ao contrário do que é habitual, o NEXXT acontece fora de cidades como Lisboa e Porto. Qual a razão para esta escolha?
Leiria é uma região super dinâmica com um ecossistema fantástico. E nós queremos contrariar a lógica centralizada de que só Lisboa e Porto podem ser palco dos grandes debates sobre criatividade, inovação e futuro. Leiria é hoje um centro estratégico de comércio, serviços e indústria, reconhecido pela sua qualidade de vida e pela atratividade para o investimento nacional e estrangeiro.
O Município de Leiria, liderado pelo Dr. Gonçalo Lopes, e, na altura, em 2023, pela vereadora Catarina Louro, hoje deputada da Assembleia da República Portuguesa, cocriou o evento connosco, desenhando-o e desafiando a comunidade a participar neste movimento NEXXT. Hoje, os resultados estão à vista e toda a comunidade de Leiria está de parabéns.
A região afirma-se hoje como um cluster de inovação em crescimento, que combina uma forte tradição industrial com uma cultura empreendedora dinâmica, reforçada pela transformação digital. Aqui encontramos um ecossistema empresarial vibrante, aliado a incentivos ao investimento, mão de obra qualificada e uma forte ligação a mercados externos.
O NEXXT surge precisamente para potenciar e dar visibilidade a este contexto. Organizar o evento em Leiria é mostrar que o território não só tem todas as condições para acolher uma iniciativa desta dimensão, como é também o palco ideal para discutir o futuro da economia, da criatividade e da inovação a nível nacional.
O que distingue este evento de outros eventos presentes em Portugal?
Desde logo, a sua abordagem transversal e integradora. Não é apenas um evento de negócios ou de tecnologia, cultural ou académico – é um espaço que cruza empresas, startups, academia, cultura e sociedade civil, criando um verdadeiro ponto de encontro entre diferentes áreas de conhecimento e setores de atividade.
Além disso, o NEXXT Leiria não se limita a palestras ou conferências tradicionais. A sua programação aposta em formatos dinâmicos como keynotes, fireside chats, workshops e use cases – que promovem não só a partilha de conhecimento, mas também a experimentação, o networking e a cocriação de soluções –, assim como espetáculos de entretenimento.
Outro aspeto diferenciador é a sua ligação ao território. O NEXXT nasceu em Leiria e foi crescendo em sintonia com a cidade: começou num só espaço e em apenas um dia e, hoje, estende-se por uma semana inteira, ocupando vários locais emblemáticos da cidade. Este crescimento mostra não apenas a relevância do evento, mas também o envolvimento da comunidade local e regional.
O que podem os visitantes esperar da edição deste ano?
Os visitantes do NEXXT Leiria 2025 vão encontrar uma experiência única que combina criatividade, inovação e talento. Durante seis dias, a cidade acolhe keynotes inspiradores, talks, workshops e espaços de networking que reúnem empreendedores, líderes, académicos e criativos de diferentes áreas e geografias.
Sob o mote “Where AI meets Creativity”, a edição deste ano mostra como a inteligência artificial e a criatividade podem, juntas, transformar a economia, a cultura e a sociedade. Para além da reflexão, os participantes terão acesso a casos reais, demonstrações e projetos que ilustram estas mudanças.
E, claro, haverá também espaço para os momentos de convívio e de ligação entre os participantes, porque o NEXXT é, acima de tudo, uma plataforma de encontro e de colaboração.
O tema deste ano do NEXXT é “Where AI Meets Creativity”. Qual considera ser o ponto de equilíbrio entre a tecnologia e o humano na criatividade?
O tema “Where AI Meets Creativity” parte precisamente desta reflexão: como encontrar um equilíbrio saudável entre a tecnologia e o fator humano no processo criativo. Acreditamos que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta que amplia as capacidades humanas, e não como uma substituição da criatividade.
O papel da tecnologia é ajudar-nos a acelerar processos, abrir novas possibilidades e oferecer insights que antes seriam impensáveis. Mas é sempre o olhar humano – a sensibilidade, o sentido crítico, a intuição e a emoção – que confere significado e propósito às criações.
No fundo, o equilíbrio está em usar a IA para potenciar, e não para substituir, a imaginação humana. É neste ponto de encontro que se gera inovação verdadeira: quando tecnologia e criatividade se complementam e trabalham juntas para transformar a economia, a cultura e a sociedade.
Simão Raposo

