Briefing | A 3cket nasceu de uma necessidade muito concreta identificada pelos fundadores. Hoje, como é que definem o posicionamento da marca num mercado cada vez mais competitivo no ticketing e event tech?
Nuno Coelho | A 3cket posiciona-se como uma one-stop shop tecnológica para eventos: mais do que uma bilheteira ou uma solução de pagamentos, queremos ser o parceiro tecnológico dos organizadores em toda a operação do evento.
Apostamos numa experiência de compra simples e rápida para o participante, numa operação de consumo sem fricção e fiável no recinto, e numa capacidade de resposta tecnológica para as necessidades específicas de cada evento.
Este posicionamento tem-nos permitido crescer de forma orgânica. Os organizadores sabem que têm uma solução flexível e preparada para acompanhar a complexidade real do evento, incluindo os desafios de última hora através de uma relação de proximidade que fazemos questão de manter com os nossos clientes.
A vossa proposta vai além da venda de bilhetes, apostando fortemente na componente de dados. Até que ponto essa vertente analítica é hoje o principal fator diferenciador da 3cket?
Os dados são um dos principais fatores diferenciadores da 3cket. Para um organizador, os dados são essenciais para, por um lado, melhorar a operação; e, por outro, para conhecer melhor a sua comunidade/público e tomar decisões mais informadas sobre as experiências que querem criar nos seus eventos.
Ao acompanharmos toda a jornada do participante, desde a compra do bilhete até à saída do recinto, conseguimos que cada interação seja medida e passada de forma útil para o organizador otimizar o evento. Essa inteligência é muitas vezes invisível para o público final, mas tem um impacto muito concreto em decisões como a distribuição de equipas, a oferta disponível nos bares ou a adequação de determinadas infraestruturas aos perfis de utilização do público.
Estes dados servem tanto para decisões operacionais mais básicas, como ajustar o número de casas de banho ao perfil do público esperado, como para afinar o próprio espetáculo.
Num dos casos mais ilustrativos, um cliente com um espetáculo em digressão, composto por diferentes momentos musicais, identificou que durante os segmentos mais orientados para rock havia uma quebra significativa no consumo nos bares. Isso resultava em períodos de menor atividade para as equipas, seguidos de picos de procura concentrados no final desses momentos, gerando filas e pressão operacional. Com base nessa leitura, na tour seguinte o alinhamento do espetáculo foi ajustado, distribuindo esses segmentos de forma mais equilibrada ao longo do programa, o que permitiu otimizar o fluxo de consumo e melhorar a experiência global do público.
A 3cket está agora a reforçar esta vertente com tecnologia preditiva baseada em inteligência artificial, que permitirá antecipar cenários e recomendar decisões com base em variáveis como localização, dimensão ou perfil de público.
Quanto maior for o histórico e a integração de módulos na plataforma, maior será a capacidade de gerar recomendações relevantes, ajustadas à realidade de cada evento.
Trabalham com alguns dos maiores eventos em Portugal, como o NOS Alive ou a Web Summit. De que forma estas parcerias ajudam a construir a notoriedade e credibilidade da marca?
Sermos uma plataforma tecnológica para eventos, que vai além da bilheteira, permite que as marcas que ativam nos festivais de verão, como, por exemplo, o NOS Alive, o Rock in Rio ou o MEO Kalorama, encontrem na 3cket a tecnologia para gerir a sua operação de convidados e garantir uma experiência memorável ao público.
Desde 2019 que a NOS utiliza a tecnologia da 3cket no NOS Alive, a par de seis outras marcas apenas neste evento. No final do verão, são dezenas as marcas que utilizaram as nossas ferramentas e a 3cket acaba por estar exposta a milhares de participantes. Este é, sem dúvida, um canal importante para nós: estar associados a grandes marcas é um selo de confiança e traduz-se em novo negócio.
O mesmo com a Web Summit, que durante vários anos e pelo mundo inteiro – Lisboa, Rio de Janeiro, Qatar e Toronto – utilizou vários dos módulos da 3cket para gerir internamente a sua operação e nos abriu várias portas.
A experiência cashless tornou-se central em muitos eventos. Como é que a 3cket comunica este benefício ao consumidor final, que, muitas vezes, nem tem consciência da tecnologia por trás?
Na experiência cashless, o objetivo é eliminar filas e a fricção para consumir num evento, e é isso que comunicamos ao participante: menos filas.
A tecnologia da 3cket é quase invisível, o que significa que, idealmente, o participante nem pensou nela; apenas sente que a experiência foi simples, rápida e eficiente. Quando isso acontece, sabemos que a solução cumpriu o seu papel.
Nota-se principalmente quando digitalizamos eventos que antes utilizavam processos antiquados, como senhas ou carregamento de pulseiras numa caixa. Mas também quando comparamos a nossa solução com outras soluções de pagamento e o participante percebe as vantagens de ter tudo no bilhete digital, seja na velocidade de pagamento no bar – não ter talões e ainda ter vantagens como bónus no carregamento –, seja no poder comprar packs de produtos com desconto.

A internacionalização já está em marcha, com presença em Espanha e primeiros passos noutros mercados. Que desafios têm encontrado ao posicionar a marca fora de Portugal?
A internacionalização da 3cket começou de forma muito orgânica, impulsionada por clientes que quiseram utilizar a nossa tecnologia noutros países. Foi assim que demos os primeiros passos em mercados como Espanha, França ou Suíça.
Entrar num novo mercado com um produto único, abre-nos muitas portas porque não estamos a concorrer com os players locais, mas sim a dar uma solução que não existia nesse mercado até então.
Depois dessa abertura inicial, surge o desafio de construir notoriedade e confiança num contexto em que a marca ainda não é conhecida. O fator novidade traz-nos um leque de clientes iniciais, mas depois vem também a necessidade de fazer crescer a base de eventos e de clientes.
Compensamos o desconhecimento da nossa marca ao levar potenciais clientes a eventos reais para que vejam na prática como operamos e as vantagens, a par dos case studies que permitem transmitir o know-how e o histórico que temos de 14 mil eventos.
Nos mercados estratégicos onde temos equipa local, como Espanha, o passo seguinte e que está em marcha passa por uma estratégia de comunicação B2B assente em casos reais de eventos 3cket, apoiados pela equipa local que ajudam a desenhar a adaptação da 3cket a cada evento.
O reconhecimento como Best Service Provider Ibérico nos Iberian Festival Awards reforça a vossa relevância no setor. Que impacto têm este tipo de distinções na estratégia de marketing e new business?
É um reconhecimento da qualidade do trabalho que temos vindo a desenvolver com os nossos parceiros. Num setor exigente, ser distinguido desta forma, reforça a credibilidade da marca e dá-nos mais força na forma como nos posicionamos no mercado e também nas estratégias de comunicação que temos vindo a desenvolver.
Para mercados externos, reforça a mensagem de que, ao utilizar a 3cket, os eventos estão em boas mãos. Este prémio funciona muitas vezes como um selo de aprovação para aqueles que não estão tão familiarizados com a nossa tecnologia e pode gerar interesse em novas áreas de negócio.
Sendo uma empresa tecnológica com forte ligação ao universo dos eventos, como equilibram a comunicação entre B2B (organizadores) e a experiência indireta do público final?
A comunicação da 3cket tem sempre essa dualidade. Por um lado, falamos com os organizadores, que são os nossos clientes diretos, sobre eficiência operacional, tecnologia que melhora os eventos, dados de impacto no negócio e na experiência do participante.
Por outro lado, temos uma comunidade de mais de 1.5 milhões de utilizadores registados que utilizam o site 3cket.com para descobrir eventos e com quem comunicamos de uma maneira descontraída. Através de sugestões de eventos, planos pensados para cada perfil e na comunicação de vantagens como descontos ou lotes exclusivos.
É essa capacidade de comunicar aos organizadores as vantagens operacionais e, ao mesmo tempo, estar perto do público que define a forma como comunicamos.
Carolina Neves

