A opinião de… Mariana de Sousa, advogada

Mariana de Sousa lembra que as marcas temem o risco reputacional, mas continuam a subestimar onde ele realmente começa: nas decisões internas. na perspetiva da advogada, num mercado orientado por dados, a confiança deixou de depender apenas da comunicação e passou a refletir a forma como se recolhe, utiliza e documenta a informação.

A opinião de... Mariana de Sousa, advogada

As marcas temem o risco reputacional. 

Mas continuam a subestimar onde ele começa. 

Num mercado orientado por dados, a confiança deixou de ser apenas comunicação. Passou a ser consequência direta das decisões internas. 

A forma como se recolhe um dado. 

Como se utiliza. 

Como se documenta uma decisão. 

É aqui que o risco nasce. 

Durante muito tempo, o risco jurídico foi tratado como um problema técnico — algo que se  resolve a posteriori. 

E, em muitos casos, resolve-se. 

Mas a reputação não. 

Hoje, o impacto não está apenas na infração. 

Está na forma como é percecionada — e amplificada. 

Basta um momento. Um erro. Uma exposição.

O que começa como questão interna transforma-se rapidamente numa narrativa pública. 

A reputação não se perde quando o erro acontece. 

Perde-se quando se torna visível. 

E, nesse momento, já não está no domínio do jurídico. 

Está no domínio da confiança. 

Uma falha não é apenas risco legal. 

É um sinal. 

Um sinal de desalinhamento entre o que a marca comunica e o que realmente faz. 

Porque, no fim, as marcas não são penalizadas apenas pelo que fazem mal. São avaliadas, sobretudo, pelo que não conseguem explicar. 

Mariana de Sousa, advogada e formadora 

Quinta-feira, 07 Maio 2026 15:50


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