As marcas temem o risco reputacional.
Mas continuam a subestimar onde ele começa.
Num mercado orientado por dados, a confiança deixou de ser apenas comunicação. Passou a ser consequência direta das decisões internas.
A forma como se recolhe um dado.
Como se utiliza.
Como se documenta uma decisão.
É aqui que o risco nasce.
Durante muito tempo, o risco jurídico foi tratado como um problema técnico — algo que se resolve a posteriori.
E, em muitos casos, resolve-se.
Mas a reputação não.
Hoje, o impacto não está apenas na infração.
Está na forma como é percecionada — e amplificada.
Basta um momento. Um erro. Uma exposição.
O que começa como questão interna transforma-se rapidamente numa narrativa pública.
A reputação não se perde quando o erro acontece.
Perde-se quando se torna visível.
E, nesse momento, já não está no domínio do jurídico.
Está no domínio da confiança.
Uma falha não é apenas risco legal.
É um sinal.
Um sinal de desalinhamento entre o que a marca comunica e o que realmente faz.
Porque, no fim, as marcas não são penalizadas apenas pelo que fazem mal. São avaliadas, sobretudo, pelo que não conseguem explicar.
Mariana de Sousa, advogada e formadora

