A Bloomer – antiga Tox’Inn – reposiciona-se no marketing de experiência: sair da lógica operacional e assumir um papel estratégico no desenho de experiências de marca. A CEO, Joana Grácio, defende uma abordagem integrada, em que tecnologia, criatividade e operação trabalham em conjunto desde a fase de conceito até ao impacto final.
Briefing | A Bloomer posiciona-se no território do marketing de experiência. Como define hoje o seu papel face a agências e produtoras de eventos?
Joana Grácio | A nossa base é uma forte experiência operacional, herdada da Tox’Inn, que hoje é complementada por uma abordagem muito mais estratégica. Hoje, vejo a Bloomer como um parceiro de marketing de experiência. Faz parte de nós ajudarmos as marcas/empresas a pensar e a desenhar experiências com significado, alinhadas com os seus objetivos e valores, e a garantir consistência em todos os pontos de contacto. Não nos limitamos a executar: participamos desde a construção da ideia até ao impacto que queremos gerar.
Que tipo de briefings estão hoje a chegar à Bloomer que não chegariam à Tox’Inn?
Nos primeiros 20 anos, enquanto Tox’Inn, éramos muitas vezes chamados quando o caminho já estava definido. Entrávamos apenas resolver uma necessidade concreta ou responder a um desafio operacional. Esse percurso deu-nos uma enorme solidez e conhecimento do terreno, mas o nosso envolvimento acontecia já numa fase avançada do processo.
Com a Bloomer, temos trabalhado para mudar esta relação. Hoje, somos envolvidos muito mais cedo, numa lógica de verdadeira cocriação. Ajudamos as marcas a pensar o desafio ainda em aberto, a construir o conceito, a definir que experiência faz sentido para aquele público e para aquele momento da marca. Isso permite-nos criar soluções mais coerentes, mais integradas e com impacto real, porque nascem da estratégia e não apenas da execução.
Como é que a componente tecnológica e digital está a ser integrada nas vossas soluções de experiência?
A tecnologia e o digital fazem hoje parte do ADN da Bloomer. Não os vemos como acessórios, mas como ferramentas essenciais para prolongar a experiência no tempo e aprofundar a relação entre marca e público.
Mas essa integração começa dentro de casa. O digital é também fundamental na forma como trabalhamos, gerimos projetos e acompanhamos resultados. Utilizamos ferramentas digitais para planear, coordenar equipas, monitorizar processos e fazer reporting estruturado aos clientes, garantindo maior transparência, eficiência e capacidade de análise. Ou seja, o digital está presente tanto na experiência que desenhamos para o público, como na forma como a equipa da Bloomer trabalha diariamente. Essa coerência entre o “como fazemos” e o “que entregamos” é uma parte essencial da nossa abordagem.
Quais são os setores ou tipos de marcas onde sente maior abertura para este tipo de abordagem mais experiencial?
Aqui, creio que exista uma transversalidade – as marcas querem ser sentidas e não apenas lembradas. Cerca de 60 a 70% dos nossos projetos já envolvem uma componente experiencial clara, como por exemplo: Periquita, Mateus ou Tabaqueira. Num mundo cada vez mais tecnológico, procura-se a autenticidade, as relações com sentido – utilizando tecnologia sim, mas sem tornar robóticas as relações, que serão sempre humanas.
As marcas/empresas mais conservadoras podem, por vezes, não ter a tónica nesta preocupação – mas ainda assim surge, nem que seja de forma tímida. Ter o cliente no centro e investir na experiência é a chave para o desenvolvimento do negócio (e nós sabemos disso). Ainda assim, procuramos sempre o envolvimento que permite dar aquele extra que não se vê, mas que se sente, e isso perdura na memória.
Que métricas considera essenciais para provar o impacto real de uma experiência de marca junto dos clientes?
Não trabalhamos com um modelo único de métricas – e isso não é uma limitação, é uma escolha estratégica. Cada marca tem um propósito e objetivo diferente; e medir tudo da mesma forma seria, na prática, não medir com relevância.
Alinhamos de início os indicadores que realmente importam para o cliente: se o objetivo é notoriedade, se é conversão, se é posicionamento. Já não chega contar leads ou contactos, interessa compreender a perceção da marca. Conhecer o engagement no terreno, o tempo de interação e a qualidade da abordagem; o que leva dali o consumidor (NPS, testemunhos, feedback), o retorno estratégico da marca.
Onde a Bloomer se quer posicionar, nos próximos três a cinco anos, dentro do ecossistema do marketing em Portugal?
O meu objetivo é posicionar a Bloomer como uma referência em marketing de experiência integrado em Portugal, reconhecida pela sua capacidade de pensar estrategicamente e executar com excelência. Não é por acaso que a nossa assinatura reflete o que nos define – o nosso little extra sempre presente.
Quero que a Bloomer seja vista como um parceiro natural para marcas que procuram experiências relevantes, consistentes e com impacto real. Um parceiro que entende tanto a visão como o detalhe.
A Bloomer fala em propostas 360º. Como se materializa, na prática, esse conceito ao longo de todo o ciclo de contacto com a marca?
Para nós, o 360º começa muito antes do evento e não termina quando ele acaba. Pensamos cada projeto como um sistema integrado, onde todos os pontos de contacto – físicos, humanos e digitais – trabalham de forma articulada para reforçar a experiência global da marca. Nada é desenhado de forma isolada: cada ação existe em função de uma visão comum, alinhada com a estratégia e os objetivos do cliente.
É essa coerência entre todos os momentos de contacto que garante consistência, relevância e impacto ao longo de toda a relação entre a marca e o seu público.
Que tipo de serviços ou competências passaram a integrar internamente para dar resposta a essa abordagem mais integrada?
Para conseguirmos entregar experiência, apostámos em ser mais do que operação de terreno e passar a funcionar de forma integrada. Reestruturámo-nos internamente, dotámo-nos do desenvolvimento de ferramentas tecnológicas, e investimos na formação da equipa e sistemas de acompanhamento, para garantir que a experiência é replicável sem perder autenticidade.
Investimos muito na nossa cultura – e na cultura dos nossos embaixadores de marca. No fim, são eles quem materializam tudo, não apenas execução, mas extensão de marca no terreno. Isso exige formação, acompanhamento e uma cultura clara (este foi sem dúvida um turning point para nós).
O sucesso da operação constrói-se com uma visão integrada, equipas alinhadas, e uma obsessão pelo detalhe: do primeiro contacto ao último impacto.
Estas soluções 360º implicam trabalhar mais como parceiros estratégicos das marcas do que como fornecedores. Sente essa mudança do lado dos clientes?
Sim, claramente. Hoje, sinto que muitos clientes nos veem como um parceiro estratégico, alguém com quem podem pensar, desafiar ideias e construir soluções em conjunto. Não apenas como um fornecedor de serviços, mas como parte da estrutura.
Essa confiança traz maior responsabilidade, mas também maior impacto. Quando trabalhamos lado a lado com as marcas, conseguimos criar experiências mais relevantes, mais alinhadas e com resultados mais consistentes. E é exatamente aí que acredito que está o verdadeiro valor da Bloomer.


