Com as restrições à recolha de dados a intensificarem-se, as marcas procuram novas formas de preservar a qualidade da medição. O Data & Cloud Consultant Lead da Incubeta Portugal explica porque é que o Google Tag Gateway e o Server-Side GTM são complementares e não concorrentes.
Se trabalham em marketing digital, este tema é-vos familiar: entre o fim progressivo das cookies de terceiros, as exigências do RGPD e os bloqueios agressivos dos browsers, recolher dados limpos tornou-se uma verdadeira dor de cabeça. Em conversas com clientes, parceiros e até concorrentes, notei que há uma enorme confusão no mercado: muitas marcas acham que o Google Tag Gateway (GTG) e o Server-Side real são exatamente a mesma coisa.
Não são!
E confundir os dois conceitos pode levar o seu negócio a investir numa infraestrutura à espera de milagres técnicos que ela, sozinha, simplesmente não consegue entregar. Vamos desfazer este nó e perceber como estas duas abordagens trabalham juntas para proteger os seus resultados.
Os números não mentem: Estamos a tentar guiar às escuras
Antes de passarmos à engenharia da coisa, vale a pena olhar para os números. O apagão de dados no browser já não é uma ameaça futura; está a acontecer agora:
– Sinais em queda livre: Dependendo de onde vem o vosso tráfego, a perda de sinal provocada por restrições de browsers e sistemas operativos pode chegar aos 62 % (Fontes: Estudos da Singular, 2024, KM Miller, 2023, Google, 2024 e Kraft et al. 2023);
– Conversões invisíveis: Atualmente, as marcas perdem entre 20 a 30 % das suas conversões potenciais para a Google devido a bloqueadores de tags e restrições de privacidade (Fonte: Dados de mercado Incubeta / Google, 2025);
– O rolo compressor do Safari: O sistema ITP do Safari apaga as cookies ao fim de sete dias se não houver interação. Pior: se o utilizador vier de um anúncio com identificadores de monitorização como o gclid, essa vida útil cai, em alguns casos, para apenas 1 dia.
Quanto tráfego estão a perder por causa destas restrições?
Google Tag Gateway: O desbloqueador do sinal perdido
Historicamente, os sites carregam os códigos de tracking a partir de domínios externos (como googletagmanager.com). Os browsers perceberam isso e começaram a bloquear estes pedidos em massa.
O Google Tag Gateway resolve este problema funcionando como um proxy intermediário. Basicamente, ele reescreve as regras e permite que esses mesmos scripts sejam servidos diretamente a partir de um subdiretório do vosso próprio domínio (por exemplo, ovossodominio.com/metrics).
O que ganham com isto na prática?
– Agilidade técnica: É uma implementação simples e rápida, muitas vezes feita via CDN com um clique (e alguns ajustes);
– Recuperação imediata: Dados da Google (2025) provam que o GTG consegue recuperar, em média, 14 % dos sinais que os browsers bloqueiam.
Mas aqui está o detalhe que o mercado costuma ignorar: o GTG apenas encaminha o código. Ele não altera o facto de que os scripts continuam a correr no browser do utilizador. Se quer melhorar a velocidade do site ou mascarar dados para o RGPD, precisa de subir um degrau.
Server-Side GTM: O motor que processa os dados
É aqui que a estratégia fica interessante. Para ter um site genuinamente mais rápido e controlo real sobre a privacidade, precisa do Server-side GTM (sGTM).
Se o GTG é o tubo que traz a água de forma segura, o Server-Side é a estação de tratamento. Em vez de ter dezenas de píxeis (Google, Meta, TikTok) a sobrecarregar o browser do utilizador, o browser envia um único fluxo de dados para um servidor controlado por vocês. É nesse servidor que tudo acontece:
– Velocidade real e SEO: Menos scripts a correr no browser significam páginas a carregar mais rápido, melhorando diretamente os Core Web Vitals e o posicionamento orgânico;
– Soberania de dados: É no servidor que podem inspecionar o que está a ser enviado, garantindo que informações sensíveis ou PII (dados de identificação pessoal) são limpas ou anonimizadas antes de irem para os parceiros de media. Isto é o coração do cumprimento do RGPD. Além disso, também desbloqueiam o uso de outras fontes internas para enriquecer os dados enviados.
Querem desenhar esta arquitetura na vossa empresa? Mudar para um ambiente Server-Side exige planeamento técnico, mas os ganhos em controlo e performance compensam o investimento.
O impacto real quando juntamos as duas peças
A melhor prova de que estas ferramentas não competem, mas sim cooperam, está nos dados recolhidos pelas equipas técnicas da Incubeta. Analisámos o tráfego classificado como “Direct” ou “Unassigned” no GA4 (aquele tráfego anónimo que destrói qualquer relatório de atribuição) sob diferentes arquiteturas:
– Apenas Server-Side Tradicional: Garante uma redução média de 40 % no tráfego não atribuído face ao modelo clássico no browser;
– Server-Side + Google Tag Gateway: Quando adicionamos o escudo do GTG ao servidor, há um ganho incremental, reduzindo esse ruído em mais 30 %;
– O cenário ideal: Comparando o junção (Server-Side + GTG) contra o tracking antigo direto no browser, a redução do tráfego “Unassigned” chega aos 50 %.
Isto significa relatórios limpos e decisões de investimento em publicidade baseadas em dados reais, e não em adivinhação.
Sem falsas promessas: O modelo de recuperação por níveis
Na Incubeta, evitamos discursos comerciais utópicos. Para ajudar as empresas a calcularem o retorno real deste investimento, usamos uma metodologia rigorosa baseada no Google Performance Compass, estimando três cenários de recuperação de dados (aplicados apenas ao tráfego restrito):
– Cenário Mínimo: Uma recuperação perfeitamente realista de 9,3 % de eventos e conversões;
– Cenário Médio (Medium): Uma recuperação expectável de 15,4 %;
– Cenário Máximo (High): Um ganho substancial de até 21,6 % do sinal que hoje vai para o lixo.
Estes números não representam procura nova, mas sim a recuperação de dados de conversão que o seu negócio já gera, mas que os browsers estão a apagar.
O futuro pertence a quem manda nos seus dados
O Google Tag Gateway é uma das ferramentas mais ágeis e eficazes criadas nos últimos anos para estancar a perda de sinal. Mas não o veja como uma solução isolada.
O futuro da medição pertence às marcas que usam o Google Tag Gateway para abrir caminho aos dados sem bloqueios e o Server-side GTM para garantir a propriedade, a velocidade e a segurança total sobre esses mesmos ativos.
Se quer parar de perder visibilidade sobre as suas vendas e preparar a sua infraestrutura para a era da inteligência artificial, o momento de agir é agora.
Nuno Basto, Data & Cloud Consultant Lead da Incubeta Portugal

