Existem aos milhares. Os mais avançados são completamente autónomos: não precisam de intervenção humana para realizar tarefas; aprendem e executam tarefas sozinhos; movimentam-se no espaço e manipulam objetos com uma quase infalível perceção espacial e de navegação, independentemente de o ambiente ser terra, água, cavernas ou no espaço.
Alguns já estão a substituir humanos: empregados de balcão, massagistas, agricultores, estafetas, farmacêuticos, pizzaiolos, repositores de stock, empregadas de limpeza, seguranças, pedreiros, bartenders, estivadores e até soldados.
No entanto, os robôs que mais mexem com o nosso imaginário e que mais despertam a nossa curiosidade são os chamados robôs de serviço sociais, ou seja, robôs inteligentes que assumem forma humanoide e interagem naturalmente com as pessoas. Estes robôs já estão a ser usados em salas de aula como auxiliares de educação, em hospitais como auxiliares de enfermeiras ou em hotéis como concierges.
Em Portugal, esta realidade é recente, mas lá fora, principalmente na Ásia e nos Estados Unidos, os robôs sociais são estudados e utilizados em larga escala. Um dos conceitos mais importantes a que estes países chegaram à conclusão é que os robôs sociais são capazes de gerar emoção. E quando falamos de emoção, tocamos no marketing e nas marcas.
Todo o marketeer deveria estar atento a este ponto: os robôs sociais são capazes de gerar emoções! E ativar uma marca é gerar emoção!
Seja num ponto de venda a distribuir vouchers para quem responde corretamente a um quizz da marca, seja num evento a dançar para o público ou mesmo em cima de um palco a responder a perguntas, os robôs sociais captam a atenção, geram emoção e ficam na memória do consumidor.
No retalho, tanto pode informar a equipa da loja física de que determinado cliente entrou no local, como também prestar ajuda ao shopper, apontando onde está determinado produto. Nos eventos, pode funcionar como hospedeira ou promotora. Como hospedeira, pode dar as boas-vindas, pode fazer o check-in automático, ler badges, dar informação para quem estiver perdido, gerir uma fila orientando os convidados para a linha correta, dançar, tirar selfies com pessoas. Como promotora, pode fazer a promoção de produtos no ponto de venda, pode interagir com um cliente através de um chatbot inteligente, pode distribuir vouchers com código promocional, ou mesmo converter uma venda. Tudo depende da profundidade de programação que o cliente queira dar ao robô de serviço.
Ao contratar um robô social para interagir com o consumidor, o profissional de marketing estará a aumentar a experiência do consumidor com a marca. Estará a gerar valor na mente do consumidor e a ajudar a criar uma marca indelével. O robô dará vida à personalidade da marca. Além disso, estará a criar uma áurea tecnológica em torno da marca.
É irreversível a entrada dos robôs de serviço no marketing no onto de venda e na ativação das marcas. É uma tendência mundial e que vai chegar em larga escala a Portugal quando a tecnologia estiver mais acessível. Novas profissões nascerão a partir daqui. E o marketing, novamente, terá de se transformar, para seguir relevante.
Eduardo Lucena, responsável pela divisão de robótica da Beltrão Coelho

