Ser influenciadora é…
Alguém com responsabilidade e capacidade de chegar à atenção, mas sobretudo ao coração do outro.
Associa-se a uma marca quando…
Essa marca me valoriza e se quer associar a mim por quem sou e pela mensagem que trago.
Post ou story?
Antigamente, story. Hoje, sem dúvida, post.
Quando percebeu que a sua voz podia ter impacto junto de outras pessoas, especialmente no que toca à autoimagem e à aceitação?
Quando comecei a partilhar a minha história, as minhas inseguranças, os meus medos e as minhas fragilidades. Quando achei que mais ia ser criticada, foi quando mais mulheres se identificaram e aproximaram, e eu percebi que havia um caminho a fazer. “As tuas fragilidades são as tuas forças”.
Acredita que as marcas portuguesas estão a dar passos significativos na representação de corpos reais e diversos?
Já acreditei que sim… Já me iludi com esse desejo e achei que o paradigma estava a mudar. Vejo mais esses passos a serem dados por pequenas marcas – que trazem mensagens reais e verdadeiras, que se afirmam.
Infelizmente, continuo a sentir que impera um enorme padrão imposto por uma sociedade de consumo galopante, que repudia corpos diversos e fora do padrão. Faz-se o “bonitinho”, e depois percebe-se que era para preencher requisito e não porque as marcas acreditam realmente nesta mudança. É mais fácil e gera mais lucro continuar a vender um padrão desumano, em que muitas pessoas acreditam e pelo qual estão dispostas a correr numa maratona inglória.
Como lida com os comentários negativos e com a pressão para corresponder a certos padrões?
Comentários negativos são algo para que temos de estar preparados, porque nunca vamos agradar a gregos e a troianos. De certa forma, quando começas a agitar as águas é que percebes que ressoas e que estás a mudar paradigmas.
Quanto à pressão para corresponder a certos padrões, todos os dias esta pressão nos entra a todos por todo o lado. Pelas redes sociais, pela televisão, pelas revistas, pelos amigos, família, ideologias, conversas, outdoors… podia continuar.
Hoje, gosto de ser, de certa forma, disruptiva. Não me vejo arrumada em caixinhas e cada vez gosto menos de rótulos. Se me incomoda que todos os dias haja esta pressão desmedida para corresponder a padrões!? Incomoda, mas luto para pertencer onde tenho de estar e a quem tenho de ser – isso é mais forte, mais libertador e está mais certo.
Continua a incomodar quando não somos “escolhidos”, seja pela idade, porque “já não és jovem e fresca”, seja porque “não temos departamento plus size”, “és gorda”, seja porque “não devias ser assim”. Mas se estiver focada em fazer o bem, ajudar o outro, e estar alinhada com o verdadeiro propósito, natureza, verdade e genuinidade, está tudo certo.
Sonha com alguma marca?
Claro! Sonho também em ser cara/cartaz de marcas que acompanharam o meu crescimento: L´Oréal é uma delas, Dove será sempre.
Sonho (ainda) em ser capa de revista com todas as minhas curvas, estrias e celulite.
Sonho em fazer grandes publicidades televisivas e assim poder representar mais mulheres que estão em sofrimento.
Sonho em poder fazer a diferença no crescimento e desenvolvimento das nossas meninas pequenas, para que não cresçam a sentir que não se enquadram, não pertencem, lhes diminuem a autoestima, e que não aprendam a odiar o seu corpo – coisas que muitas de nós tristemente aprendemos.
Como gere o equilíbrio entre a autenticidade e as exigências comerciais das marcas?
Tenho muita sorte, porque as marcas que me contratam são profundamente alinhadas comigo. Chegam até mim, porque me querem como sou e a minha mensagem (é um verdadeiro privilégio). Quando isso não acontece, deixo cair a parceria, não faz sentido.
Só posso levar para junto da minha comunidade, produtos/marcas/mensagens perfeitamente alinhadas comigo. Só assim ganho a confiança e a credibilidade/o respeito de quem me escolhe seguir.
O que a levou a criar a Mu Collection?
Não haver roupa na altura para o meu tamanho, ou roupa que me servisse a mim, à minha irmã, sobrinha ou mãe. Foi assim que criámos uma saia única sem tamanho, que serve a praticamente todas as mulheres – a saia da MU.


