A opinião de… Carlos Pereira, da Puxe Negócios 

Entre perguntas e respostas: O algoritmo do conteúdo exige SEO e AEO.

A opinião de... Carlos Pereira, da Puxe Negócios 

Durante mais de duas décadas, o Search Engine Optimization (SEO) foi a principal bússola do marketing digital. As marcas aprenderam a estruturar conteúdos, a trabalhar palavras-chave e a disputar posições nos resultados de pesquisa, sobretudo em plataformas como o Google. Estar na primeira página era – e continua a ser – sinónimo de visibilidade e oportunidade de negócio. 

Mais recentemente, algo mudou de forma estrutural. A maneira como os utilizadores pesquisam – e, sobretudo, como consomem informação – está a evoluir rapidamente com o crescimento de ferramentas baseadas em Inteligência Artificial, como o ChatGPT ou o Perplexity AI. Hoje, em vez de procurar links, o utilizador procura respostas e espera obtê-las de forma direta, contextualizada e imediata. 

É neste contexto que surge o Answer Engine Optimization (AEO), que mais do que otimizar conteúdos para motores de busca, prepara-se para serem compreendidos, selecionados e apresentados por sistemas de Inteligência Artificial (IA) como a melhor resposta a uma determinada questão. 

Perante esta mudança, é tentador assumir que o SEO está a perder relevância. Mas essa leitura é simplista e, na prática, errada. O que estamos a assistir não é a substituição de um modelo por outro, antes ao início de uma nova fase em que SEO e AEO coexistem e se complementam. 

O SEO continua a ser essencial para garantir que os conteúdos são encontrados, indexados e valorizados pelos motores de busca. É a base estrutural da visibilidade digital. Sem SEO, dificilmente um conteúdo ganha autoridade ou relevância suficiente para, sequer, entrar no radar dos sistemas de IA. 

Por outro lado, o AEO introduz uma nova camada de exigência: a clareza, a objetividade e a utilidade da informação. Conteúdos demasiado genéricos, excessivamente otimizados para palavras-chave ou construídos apenas para “rankear” tendem a perder eficácia num contexto em que o objetivo é responder – e não apenas aparecer. 

Na prática, isto obriga as empresas a repensar a forma como produzem conteúdo. Já não basta escrever para algoritmos de pesquisa; é necessário escrever para sistemas que interpretam linguagem natural e que privilegiam respostas completas, bem estruturadas e confiáveis.

Esta complementaridade traduz-se numa mudança de foco: do volume para o valor. Menos conteúdos pensados para captar tráfego indiferenciado e mais conteúdos desenhados para resolver dúvidas concretas, apoiar decisões e acrescentar utilidade real ao utilizador. 

Para as empresas, sobretudo para as pequenas e médias, esta pode ser uma oportunidade estratégica. Num cenário em que os grandes players dominam o investimento em SEO tradicional, o AEO abre espaço para quem conseguir ser mais claro, mais relevante e mais útil. Em vez de competir apenas por posição, passa-se a competir pela qualidade da resposta. 

O futuro do marketing digital não será definido por uma escolha entre SEO ou AEO. Será definido pela capacidade de integrar ambos de forma inteligente. De um lado, a disciplina e a estrutura que garantem visibilidade; do outro, a relevância e a clareza que garantem impacto. No final, não se trata de ser encontrado; trata-se de ser escolhido, seja por um utilizador, seja por um algoritmo que responde em seu nome.

Carlos Pereira, CEO da Puxe Negócios 

Quinta-feira, 15 Outubro 2026 10:45


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