O desporto, tal como outras indústrias, irá absorver as tendências da sociedade no seu funcionamento no seu desenvolvimento nos próximos anos. Quando pensamos em marketing desportivo espero que, nos próximos anos, se verifiquem as seguintes tendências: os novos donos vão fazer a transformação digital, o império das marcas desportivas não vai parar e existirá uma fusão do desporto com o mercado do entretenimento.
Tal como já acontece nos restantes setores de atividade, a indústria do desporto vai seguir as tendências empresariais atuais e será liderado por conglomerados importantes, peritos em maximizar receitas e investimentos. Estes investidores juntam os melhores profissionais do mercado de várias áreas e com a escala que atingem, ao deter várias empresas ao mesmo tempo, têm-se revelado imbatíveis e ninguém consegue alavancar negócios como eles.
Nos próximos dez anos vamos assistir a uma reinvenção dos modelos de negócios no desporto através, sobretudo, da intensificação do uso da tecnologia e da redefinição total da experiência do adepto. O crescimento imparável da indústria do desporto decorre da maior profissionalização e comercialização atual e esperam-se nos próximos anos planos de crescimento ainda ambiciosos com grupos empresariais que vão ser capazes de fundir as áreas de desporto, tecnologia e entretenimento.
A indústria do desporto ganha dinheiro atualmente através dos fabulosos acordos de transmissão das suas competições que fez com grupos televisivos, da capacidade de captar e ativar marcas que utilizam o desporto para chegar aos consumidores através de patrocínios e dos adeptos que pagam os seus bilhetes para ir aos estádios, piscinas, pavilhões, courts ou circuitos. Espera-se que este modelo de negócio se transforme totalmente nos próximos anos.
O modelo de negócios triangular (bilheteira, patrocínios e diretos de transmissão) dará lugar no futuro a um octógono, hexágono ou qualquer outra forma geométrica que acomode a fragmentação e surgimento de novas fontes de receitas. As novas gerações são muito diferentes das anteriores pelo que vão consumir desporto de uma forma muito diferente. Adicionalmente, os adeptos que antigamente eram apenas os das redondezas, são agora do mundo inteiro pelo que as nacionalidades e geografias pouco importam neste novo mercado mundo do desporto.
Os atuais gigantes empresariais vão ser capazes de produzir espetáculos desportivos de excelência e obter sinergias e vendas cruzadas com todo um portfolio de conteúdos relacionados com desporto como filmes, séries, documentários, talk shows, entre muitas outras alternativas. Este cenário vai levar ao surgimento de poderosos conglomerados proprietários de desporto e entretenimento que vão estimular o crescimento e a inovação nesta indústria.
Neste futuro onde assistiremos à fusão das indústrias do desporto, entretenimento e tecnologia, veremos ainda investidores cada vez mais sofisticados e poderosos que irão comprar ativos complementares de para emergir como marcas líderes globais de entretenimento. À medida que todas as organizações desportivas continuam a evoluir e a profissionalizar-se, serão também capazes de atrair os melhores talentos de outros setores e a consolidar a sua posição como potências no mundo dos negócios.
Os clubes, modalidades e competições médias e pequenas ficarão fora das investidas dos gigantes do entretenimento, mas vão também aproveitar os novos formatos de distribuição para pode chegar às suas bases de adeptos, consumidores e patrocinadores. Sim, vai ser possível um clube de uma pequena aldeia ou a uma competição regional de camadas jovens de karaté fazer as suas próprias transmissões, criar as suas próprias animações e chegar até aos patrocinadores locais que lhe interessam. Com meios próprios, subcontratados ou com inteligência artificial qualquer organização desportiva pode criar a sua própria divisão de entretenimento capaz de gerar receitas nunca antes obtidas.

