Vamos saber o nosso microbiota para melhorarmos a saúde
No corpo humano residem 100 triliões de microorganismos benéficos (bactérias, vírus e fungos). Ao conjunto de todos os micróbios que fazem parte de nós chama-se microbiota. Até 2039 vai ser comum analisarmos o nosso microbiota, principalmente o do nosso trato gastrointestinal, para obtermos tratamentos personalizados de saúde. Isto porque, sabendo os micróbios mais prevalentes (e os que estão em falta) dá oportunidade aos médicos de desenvolverem planos de nutrição e suplementos probióticos, que poderão melhorar vários aspetos da nossa saúde como a digestão, doenças cardíacas, saúde mental e ajudar ao combate ao cancro.
Vai haver uma deteção rápida de fontes de infeção nos transportes públicos
Na pandemia Covid-19, um dos focos mais importantes de transmissão do vírus a nível global foi a aviação. Por isso, empresas como a Airbus estão a fazer parceria com microbiólogos para desenvolverem técnicas mais eficientes de desinfeção, esterilização e deteção de potenciais micróbios patogénicos para os humanos. Assim, até 2039 vai ser possível identificar microorganismos “alvo” de maneira fácil e rápida, e ajustar os processos de limpeza da cabine do avião para reduzir qualquer carga microbiana potencialmente infecciosa. Esta forte parceria está a expandir-se também a outras empresas de transporte públicos (por exemplo de comboios e autocarros), que criam grupos de trabalho direcionados à microbiologia para melhorar técnicas de desinfeção.
Voltaremos à Lua, para ficar
O grupo internacional de exploração espacial está dedicado a levar os humanos à Lua, uma vez mais. Até 2039, está planeada a construção e lançamento de uma estação internacional (com astronautas) na órbita da Lua – o Lunar Gateway – como preparação para o estabelecimento do primeiro habitat na superfície da Lua. Isto vai permitir o estudo aprofundado do efeito da radiação espacial tanto nos humanos, como nos outros seres vivos (microorganismos, plantas) a bordo. Para além disso, com o Gateway, vai ser possível testar todos os instrumentos e processos de sustentação de vida (reciclagem de água, produção de oxigénio), cruciais para os humanos a bordo, que estarão num ambiente extremo e isolado a mais de 384000 km da Terra.
Poderá haver confirmação de vida em Marte
Depois da Lua, a exploração espacial está globalmente focada em Marte. Em 2024, o rover Preserverance da NASA – um geólogo especialista – detetou rochas com matéria orgânica e com indícios de ter tido água num passado longínquo. Estas rochas estão num delta de um rio passado, à beira da cratera Jazero, e podem ter tido as condições necessárias para a vida (pelo menos como nós a conhecemos). O Preserverance recolheu amostras do solo de Marte e deixou-as em cápsulas no planeta vermelho, prontas para serem trazidas para a Terra. Por isso, até 2039, a missão de recuperação de amostras do solo de Marte (Sample-Return Mission) partilhada entre a NASA e a Agência Espacial Europeia (ESA), planeia trazer essas amostras e analisá-las quanto a uma possível deteção de vida que, em tempos, poderá ter habitado Marte. A confirmar-se, seria a primeira prova de vida extraterrestre, um feito histórico para a Humanidade.
Marta Cortesão, investigadora em Astrobiologia e Microbiologia do Espaço no IA-CAUP

