O betão é o material manufaturado mais utilizado no mundo e está presente em praticamente tudo o que nos rodeia. Está nas pontes por onde passamos, nos hospitais onde somos tratados, nas escolas dos nossos filhos e nas casas onde vivemos. É resistente, durável, versátil e acessível. Num país que precisa de mais habitação, de melhores infraestruturas e de edifícios mais eficientes, continuará a ser um material essencial.
Num contexto em que fenómenos naturais extremos, como sismos, cheias ou incêndios, são cada vez mais frequentes, a robustez estrutural ganha ainda mais importância. Construir com materiais duráveis e resilientes é também uma forma de proteger pessoas, património e investimento público.
O betão contribui igualmente para a descarbonização de outros setores da economia. É um material fundamental para infraestruturas de energias renováveis, como barragens, parques eólicos ou fundações de turbinas, e para redes de transporte e mobilidade mais eficientes.
Por isso, a questão já não é “que alternativas existem ao cimento e ao betão”, mas sim “como garantir que a sua utilização está alinhada com os desafios da descarbonização”. E a verdade é que o setor já iniciou um processo profundo de transformação.
Reduzir impacto ambiental
Se queremos cidades mais sustentáveis, temos de começar por reduzir o impacto ambiental dos materiais com que as construímos. Isso implica agir em várias frentes ao mesmo tempo: produzir melhor, usar menos recursos, reaproveitar materiais e investir em tecnologia que reduza as emissões.
Comecemos pelo essencial: eficiência. Tal como nas nossas casas, procuramos eletrodomésticos que consumam menos energia, também na indústria é fundamental produzir de forma mais eficiente. Na SECIL, a modernização da fábrica do Outão, através do projeto “Clean Cement Line”, permitiu reduzir em cerca de 20 % as emissões de CO₂ associadas ao cimento, diminuir em 20 % o consumo de energia térmica e produzir 30 % da energia elétrica necessária através da recuperação do calor do próprio processo industrial.
Este investimento será complementado com um projeto semelhante na fábrica da Maceira (“ProFuture”), reforçando o compromisso de tornar as operações cada vez mais modernas e eficientes.
Outra frente essencial é a substituição progressiva de combustíveis fósseis por alternativas mais sustentáveis, bem como a incorporação de matérias-primas secundárias no processo produtivo. Em termos simples, significa dar uma nova vida a resíduos de outras indústrias, reduzindo a necessidade de extrair recursos naturais virgens. É a economia circular aplicada à construção.
Também ao nível do produto há evolução. Hoje, desenvolvem-se cimentos com menor incorporação de clínquer – o componente mais intensivo em carbono –, mantendo o desempenho técnico exigido em obra. Para o cliente final, isso traduz-se em edifícios com a mesma segurança e durabilidade, mas com menor pegada ambiental na sua origem.
Importa ainda lembrar que o contributo do betão para a sustentabilidade não se limita ao momento da produção. Um edifício bem projetado, com boa inércia térmica, mantém temperaturas mais estáveis ao longo do ano. Isso significa menos necessidade de aquecimento no inverno e de arrefecimento no verão – e, consequentemente, menor consumo energético durante décadas. A durabilidade do betão reduz intervenções frequentes e evita desperdício de materiais ao longo do ciclo de vida do edifício.
Além disso, quando um edifício chega ao fim da sua vida útil, o betão pode ser reciclado e reutilizado como agregado em novas construções. Não estamos perante um material descartável, mas sim perante um recurso que pode regressar ao ciclo produtivo.
Novas soluções tecnológicas
Mesmo assim, sabemos que não será possível eliminar totalmente as emissões apenas com melhorias graduais. É aqui que entram novas soluções tecnológicas.
A Associação Portuguesa de Cimento (ATIC) apresentou o projeto “PT CarbonLink”, uma proposta estruturante para Portugal que prevê a criação de uma rede capaz de captar o CO₂ gerado nas fábricas e encaminhá-lo para armazenamento seguro ou utilização noutras aplicações industriais.
De forma simples: capturar o carbono antes de chegar à atmosfera e garantir-lhe um destino controlado. Este tipo de infraestrutura será decisivo para que o setor cumpra a meta europeia de neutralidade carbónica até 2050.
Tudo isto exige investimento, visão estratégica e estabilidade regulatória. Mas exige também uma mudança de perceção. Durante anos, a discussão centrou-se apenas no problema. Hoje, a responsabilidade das empresas passa por apresentar soluções concretas, mensuráveis e com impacto real.
A construção enfrenta desafios enormes: falta de habitação, necessidade de reabilitar edifícios antigos, exigências energéticas mais exigentes e metas ambientais ambiciosas. Não responder a estes desafios não é opção. A questão é como responder.
Na SECIL, acreditamos que o caminho passa por três ideias simples: produzir com menos impacto, construir com mais eficiência e investir em inovação para resolver o que ainda não conseguimos reduzir.
O betão continuará a fazer parte das nossas cidades, das nossas casas e das nossas infraestruturas. A diferença estará na forma como o produzimos e utilizamos.
Descarbonizar não é uma tendência passageira. É um compromisso de longo prazo com o país, com as próximas gerações e com a competitividade da nossa indústria.
Construir o futuro começa, inevitavelmente, por transformar o presente.

